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Amazônia
Tema polêmico

'Movimento Educar para Cidadania' alerta sobre os impactos da reabertura da BR-319

Debate promovido no auditório da Adua discutiu os prós e contras da conclusão da rodovia que interligará Manaus às outras regiões do País 22/06/2016 às 21:42 - Atualizado em 22/06/2016 às 21:46
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Equipe de reportagem de A Crítica esteve na rodovia no fim do ano passado registrando as dificuldades da travessia. Foto: Márcio Silva
Aristide Furtado Manaus (AM)

Debate promovido nesta quarta-feira (22) pelo Movimento Educar para a Cidadania, no auditório da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), discutiu os prós e contras da reabertura da BR-319, rodovia federal que interliga Manaus a Porto Velho e, por consequência, as demais regiões do País.

Inaugurada no início dos anos de 1970, a rodovia funcionou até meados da década de 1980 quando ficou intransitável  por falta de manutenção. Em 2005, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a recuperação da BR-319. Os serviços avançaram até o quilômetro 250, e do quilômetro 655 ao 877, final da pista. As obras no  trecho  central, contudo, encontram-se paralisadas  desde 2009 por conta de pendências ambientais.

Para o coordenador do debate na Adua, o médico e ativista social Mena Barreto, a reabertura da rodovia vai encancarar as portas dessa porção da Amazonia ao desmatamento, a degradação ambiental, a grilagem de terras, e não significará melhoria na estrutura logística do Estado porque a pista, dadas as condições geográficas da região e a composição do solo, dentre outros fatores não suportará transporte de grande porte.

Mesa de discussão na Adua contou com a participação de geografos, representantes de empresários e do Ministério Público Federal 

“Primeiro virá o madeireiro, depois a pata do boi, depois a soja. A gente está vendo isso na rodovia Cuibá-Santarém. Não existe nesse tipo de empreendimento rodoviário condições de mitigar os impactos. Tecnicamente pode existir, mas para funcionar  é um gasto enorme. O Estado  não vai ter condições de viabilizar o controle,  fiscalização e monitoramento.  A hidrovia é uma das saídas mais importantes. Temos rios viáveis o ano inteiro. O intermodal ferrovia/hidrovia pode ser aprofundado. A rodovia é inviável”, afirmou Mena Barreto.

Na avaliação do professor do departamento de geografia da Ufam, Ricardo Nogueira, a reabertura da BR-319 pode trazer vantagens à população do Amazonas. “O que tem de bom é a redução substancial do tempo de circulação de pessoas e mercadorias na ligação da Amazônia ocidental com ao restante  do Brasil. Podemos ter muitas vantangens decorrente disso (...) A minha preocupação é muito pequena com relação ao desmatamento, a invasão da soja. Há uma tendência de criar uma série de unidades de conservação ao  longo da rodovia para impedir essa forma de utilização da floresta para exploração comercial de madeira”, disse.  

Opinião: Aderson Santos da Frota vice-presidente da Fecomércio

“O processo  rodoviário que abastece Manaus é via Belém. A    mercadoria passa para uma balsa e sobe o rio Amazonas. Ou vem via Porto Velho,  pelo rio Madeira. Isso gera uma demora maior. Essa demora gera custos. E isso faz com que o transporte fique mais caro. Belém, por exemplo, se abastece de São Paulo por estrada em três a quatro dias. E nós levamos 15 a 17 dias. Isso representa custo. É um viés que a gente precisa acompanhar. Temos que   pensar  primeiramente como a comunidade vai ganhar com essa estrada. Porque o cidadão comum é quem paga tributo e quanto mais paga mais compromete sua renda e compromete sua qualidade de vida. Nossa região ainda é uma das mais isoladas do Brasil. E  pagamos os fretes mais caros do País. Precisamos reverter isso com infraestrutura  de boa qualidade. Não precisamos só de uma rodovia,  precisamos uma ferrovia”.

Manutenção

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) retomou  os serviços de manutenção da BR-319  entre os quilômetros 250 e 655. Dentre os procedimentos permitidos estão a retirada de atoleiros, reforma de pontes de madeira, substituições de bueiros, limpeza lateral e execução de revestimento primário da pista. Esse trabalho só foi autorizado porque no dia 4 de abril o Ibama assinou as licenças de Instalação das obras de manutenção no trecho central da rodovia que liga Manaus a Porto Velho. Ainda não há liberação dos serviços de conclusão da  estrada que depende de novos estudos ambientais.

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