Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
Amazônia

Mudança forçada de invasores da rodovia Manoel Urbano

O transporte dos objetos pessoais dos invasores marcou o segundo dia de ação da PM para reintegrar posse de terreno



1.jpg Invasores levaram objetos pessoais para serem transportados para fora da invasão. Taxistas que faturou R$ 350 diz que maioria das corridas foi para a Compensa
27/09/2013 às 08:38

A movimentação na invasão instalada no km 6 da rodovia Manoel Urbano, no Município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), nessa quinta-feira (26), foi intensa, com muitos veículos-frete contratados para fazer a mudança e transporte dos pertences dos ocupantes dos terrenos.

Por volta de 8h uma fila de veículos estava formada na entrada da invasão, com táxis, pick-ups, caminhões e motocicletas que estavam autorizados à entrar para fazer remoção dos objetos dos ocupantes.

No local muitas famílias organizavam as coisas e aguardavam as conduções. O açogueiro, Lucivaldo Alves Pereira, 48, estava desesperado sem saber o que fazer. “Eu não tenho casa e nem emprego fixo, hoje vou pedir abrigo à minha irmã, mas amanhã eu não sei pra onde vou. Já estou há dois anos cadastrado na Superintendência de Habitação (Suhab), mas até hoje não consegui nada e eu só vim pra este lugar porque achava que era do Estado”, conta.

A reintegração de posse avança pelas extremidades, e os ocupantes que não têm para onde ir concentram-se na maloca do líder dos invasores, Sebastião Castilho, que afirma não ter desmatado o local e que estão tentando incriminar os indígenas. “Nós ocupamos essa terra não foi para o desmatamento, quando nós chegamos aqui já estava desmatado, só estamos lutando por um lugar para o nosso povo”, conta Sebastião.

A dona de casa Celiane Benjamim, 28, mãe de quatro filhos, conta que todos que estão lá não têm moradia. “Aqui tem índios e brancos, tem gente que perdeu a casa na alagação e precisa do amparo do poder público, não temos condições de comprar uma casa”, diz.

Chance para faturar um ‘trocado’

Desde quarta-feira (25) quando a polícia liberou a entrada de veículos na invasão para a retirada dos pertences, muitos taxistas e fretistas aproveitaram a ocasião para ganhar um dinheiro a mais.

Macionai Lino Silva, 28, trabalha como taxista há pelo menos dois anos e conta que desde quarta-feira está de prontidão na localidade para atender as pessoas que saem da invasão. “É uma oportunidade que a gente tem. Na quarta-feira eu vim pra cá pela tarde e consegui fazer R$ 350 em seis viagens, numa média de R$ 50 e hoje eu resolvi vir cedo para tentar conseguir bem mais”, conta Lino.

Ele conta que a maioria das viagens que tem realizado, são para o bairro Compensa, Zona Oeste. “Tem gente que só quer ir até o outro lado da ponte, então a gente negocia o preço”, destaca.

Boato dá esperança aos que precisam de casa



Um boato se espalhou pela invasão nessa quinta-feira (26) dando conta que um empresário de Iranduba, identificado apenas como “João”, declarou em um programa de rádio do município que doaria um terreno para os invasores. A informação deixou os ocupantes mais confiantes.

O secretário do Gabinete de Gestão Integrada, Frederico Mendes, esclareceu que a informação não passava de boato. “A prefeitura não tem conhecimento dessa doação, nem o Estado e muito menos a coordenação da operação. A reintegração continua”, disse Frederico. “Se está doação fosse acontecer, se trata de terras familiares onde o empresário teria que acionar toda a família para receber o aval e iniciar todo o trâmite legal, e se realmente fosse fazer não seria para agora e sim para daqui há alguns anos”, informou.

Por volta de 15h, o sub-comandante de Policiamento Especializado, Fabiano Bó, reuniu as lideranças da invasão para informar que a informação sobre a doação de um terreno era falsa. “Por conta disso houve um retardamento nos trabalhos, mas por volta das 16 horas, tudo foi normalizado e a reintegração prossegiu”, afirmou Bó.

A Prefeitura de Iranduba cedeu 15 kombis, 10 caminhões do tipo baú e caçambas para auxiliar as famílias na remoção dos pertences e três tratores que trabalham na demolição do barracos. Aproximadamente 150 homens da Polícia Militar acompanharam a retirada das famílias e o trabalho de demolição dos barracos.


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