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Amazônia
CLIMA

Mudanças climáticas alteram vida de comunidades indígenas da Amazônia

Projeto de ONG Ipam Amazônia foi um dos cinco vencedores do Desafio de Impacto Social Google 16/06/2016 às 15:21
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O foco do aplicativo são os jovens indígenas que hoje estão mais conectados e que transitam nas regiões urbanas (Foto: Assessoria Google)
Cinthia Guimarães São Paulo (AM)

As mudanças climáticas estão alterando a vida das comunidades tradicionais, como os povos indígenas da Amazônia que estão perdendo seus rituais, seus alimentos e seus territórios para o desmatamento, queimadas, secas e demais crimes ambientais. A tecnologia pode ser uma grande aliada para combater esses males, quando usada pelos indígenas para informar o que vem acontecendo em suas áreas de abrangência.

Esse foi um dos “10 ideias para um Brasil melhor” vencedoras do 2º Desafio de Impacto Social Google, realizado na sede do Google, em São Paulo, na última terça-feira (14), que premiou as cinco mais bem votadas com R$ 1,5 milhão para tirar a ideia do papel e as cinco restantes com R$ 650 mil de aporte financeiro.

Por isso o projeto “Alerta Climática Indígenas”, idealizado pela ONG Ipam Amazônia, - representando a região Norte - ganhou R$ 1,5 milhão do Google para desenvolver um aplicativo que servirá como um canal de comunicação com os “vigilantes da floresta” em locais distantes e muitas vezes negligenciados poder público.

O projeto piloto foi realizado no território dos índios Kayapó, no Pará, e pretende beneficiar mais de 180 etnias indígenas na região Amazônica.

Segundo a justificativa do Ipam, as terras indígenas na Amazônia brasileira protegem 110 milhões de hectares de floresta, porém, nos últimos anos mais da metade dessa área passou por secas severas.

O aplicativo pretende ser um elo entre os indígenas e os órgãos de controle e fiscalização, bem como a comunidade científica, de forma a subsidiar pesquisas na área e alertar as autoridades sobre o vem ocorrendo na Amazônia brasileira.

“Ela funciona numa plataforma, baseada na internet, apoiada por um aplicativo de celular, operada pelos indígenas, que faz previsões melhores das mudanças climáticas que estão afetando esses povos e a própria floresta como um todo”, explicou Moutinho. Ele convenceu os jurados de que é preciso proteger a Amazônia porque o bioma é considerado o grande irrigador do Brasil, equilibrando o ciclo das chuvas no País e sustentando, inclusive, o agronegócio.

O foco são os jovens indígenas que hoje estão mais conectados e que transitam nas regiões urbanas brasileiras, explicou o pesquisador Paulo Moutinho, que defendeu a ideia na competição nacional.

“Vamos trabalhar com climas, desmatamento, temperatura, faremos projeções periódicas. Você com isso muda a cultura de achar que índio dentro da floresta não tem valorização nenhuma”, justificou Moutinho.

O dinheiro da premiação será um ‘start’. “O orçamento é de R$ 1,5 milhão, basicamente para investir na tecnologia necessária para executar a ideia. Mas não dá pra escalar pra Amazônia inteira. Pretendemos também trabalhar com parcerias”, finalizou.

Sucesso de ideias e votação

As dez ONGs finalistas foram selecionadas entre mais de 1000 inscritas em todo o Brasil. Os projetos foram de várias vertentes sociais: empoderamento político, meio ambiente, saúde, auxílio econômico, entre outros.

Entre os jurados estavam a atriz e apresentadora Regina Casé; Denis Mizne, CEO da Fundação Lemann; Walela, que veio representar seu pai, o chefe Almir, Líder do povo indígena Paiter Suruí; Adriana Varejão, artista plástica brasileira e Jacquelline Fuller, Diretora do Google.org.

“O resultado foi surpreendente: as inscrições cresceram 40%, provando que as soluções baseadas em tecnologia estão sendo desenvolvidas em todo lugar para combater de maneira inovadora uma grande variedade de problemas”, explicou Jacquelline.

Todas as dez organizações receberão assistência técnica do Google por dois anos, bem como mentoria da ponteAponte, uma empresa social especializada no desenvolvimento de projetos.

Blog: Patxon Metuktire, Representante do povo Kayapó

Quando a gente recebeu a ideia do Ipam, se interessou muito em participar porque realmente, mudanças climáticas estão interferindo muito nas nossas comunidades, nos nossos rituais. Alguns cantos da terra estão secando bastante como é o caso do rio Xingu, onde não é possível navegar. Animais para o nosso consumo, como tracajá e peixe, estão faltando muito. A floresta, as aldeias, tudo está muito perigoso para acontecer incêndio, como aconteceu agora no Maranhão na terra dos Guajajara. O único recurso que a gente usa para plantar é a chuva, diferente do homem branco que usa a irrigação”, disse o Kayapó cuja aldeia fica em Peixoto de Azevedo (MT).

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