Publicidade
Amazônia
Meio Ambiente

No dia dedicado a eles, protetores das florestas falam sobre a importância do verde

Entrevistamos personagens que são verdadeiros guardiões do verde e dos recursos minerais amazônicos para saber como é a luta em prol da biodiversidade na região; eles dão alerta contra a degradação ambiental 16/07/2016 às 20:09 - Atualizado em 16/07/2016 às 23:57
Show floresta1
O ambientalista Jó Farah na APA-Tarumã, onde vive às margens do igarapé Água Branca / Fotos: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Neste domingo (17) é comemorado o Dia do Protetor da Floresta, essas pessoas engajadas pelo meio ambiente e que vão deixar um dos legados mais importantes para a humanidade: que é preciso lutar, mesmo que arduamente, cada vez mais pelo verde e os recursos minerais da Terra. Falamos com dois desses personagens para saber deles como é essa difícil, mas recompensadora experiência, que é lutar em prol do verde!

Líder do Grupo de Manejo Florestal, gerente científico do programa LBA (que trata da interação atmosfera e biosfera), coordenador do projeto ATTO (Observatorio Amazônico de Torre Alta) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o descendente de japoneses Niro Higuchi, 64, é um dos deles. Ele, que é engenheiro florestal, comentou que a floresta do Amazonas vai muito bem, sendo talvez o Estado mais protegido da Amazônia Brasileira.

“No entanto, em relação à Amazônia, nós já perdemos muita floresta. Do ponto de vista relativo você pode até dizer que não é tanto os cerca de 15% perdidos, mas do ponto de vista absoluto é muito grande, e representa quase 700, 800 ou 1000 quilômetros quadrados, que equivale a 4 ou 5 vezes o Estado de São Paulo. Esse desaparecimento da floresta é muito grande comparado principalmente ao retorno econômico que foi dado para o Brasil. Muito pouco e o prejuízo ambiental a gente não faz idéia. São 150 milhões de hectares. Quando você tem perde um pouquinho de um todo muito grande, acaba não dando o devido valor. Mas com o tempo nós vamos perdendo”, alerta ele.

Infelizmente, diz Higuchi, a ideia de degradação não está apenas na mente do madeireiro ou de outras empresas que destroem o patrimônio florestal, mas também na cabeça do próprio cidadão comum. 

Morador da floresta

A insatisfação com a degradação do verde fez o jornalista Jó Fernandes Farah, 52, se tornar um ferrenho ambientalista, principalmente da área do Tarumã. Morador da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tarumã, e criador da organização não-governamental Mata Viva, ele reside às margens do igarapé da Água Branca.

“Minha história é a de um manauara que viu sua cidade ser desfigurada. Eu tomei banho no Caiçara, no Parque Dez de Novembro, no Mindú, atrás da escola Sólon de Lucena, e eu vi tudo se acabando e as pessoas com aquele mesmo discurso: ‘Ah, como era bonito, Ah como era legal e já prestou’. E eu fiquei pensando que se a gente ficar naquele discurso do século passado eu vou aceitar a destruição do igarapé que fica em frente da minha casa. E eu não aceito isso, não é uma coisa boa. No entorno de todo esse igarapé existe uma vida silvestre belíssima, rara e extremamente ameaçada. Aqui tem sauim e eu vou tentar ajudar a salvá-los. Temos grupos que monitoram esses animais e a situação é extremamente crítica. Tem simpósio pra cá, debate pra lá, palestra pra cá e ano a ano o sauim vai ‘ficando’. Cansei de participar dessas coisas e resolvi agir. E hoje estou plantando e disponibilizando mudas para as pessoas que quiserem levar, sem pagar nada”, disse Jó.

Ser um defensor da floresta já fez Jó Farah, 52 se indispôr e desagradar muitos poderosos, passando de autoridades dos poderes públicos a empresários. “Era um tipo de coisa desagradável que, se você for ligar, não faz mais nada, se desestimula. Eu já vivi a minha fase de desiludido, e hoje estou me desiludindo plantando. Só denunciando a gente se desilude, pois não acontece absolutamente nada. A lei ambiental brasileira é fictícia. Não protege nada, nem é focada na sustentabilidade ou na preservação”, disse ele.

“Não somos inimigos desses empreendimentos; apenas queremos que eles se instalem sem poluir, garantindo a qualidade da água e que as florestas não sejam destruídas ali no entorno. Vamos desenvolver? Sim, mas vamos também preservar e manter o que existe. Nosso papel é mais esse, de ser um chato mesmo. Hoje em dia um ambientalista não passa de um chato. É assim que a sociedade nos vê”, conta ele.

Frase

"O tempo tem mostrado que o homem vem destruindo pouco a pouco o patrimônio florestal dele".

Niro Higuchi, Engenheiro florestal

Ação do cidadão é essencial, dizem especialistas

Em meio a vários questionamentos da reportagem, ambos  concordam em pontos vitais. Um deles é que não adianta apenas colocar a culpa nas autoridades quando o assunto é proteger as florestas, e que o cidadão deveria ser mais atuante para ele próprio cuidar do seu grande patrimônio ambiental.

“Na verdade, falta o cidadão abrir o olho, pois o político somos nós que elegemos, e as estruturas políticas  elas dependem da nossa aceitação ou não. A sociedade tem que acordar e cada um fazer a sua parte. Que todos juntos cobrem o que deve ser feito. Não é culpa de nenhum prefeito ou de governador o que aconteceu, mas de nós que deixamos acontecer. Fomos nós que colocamos eles lá”, destaca Jó Fernandes Farah.

Para Niro Higuchi, “Se o povo não valoriza, porquê tem muita floresta, você imagina na política. As políticas públicas refletem o que o próprio povo quer. Então, não se tem medidas duríssimas de combate e proteção às nossas florestas”.

Publicidade
Publicidade