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Amazônia
Produção sustentável

‘Nosso objetivo é atingir 100% da merenda escolar’, ressalta Mirwebal Jucá, da ADS

Presidente da ADS explica como a entidade está superando as dificuldades para manter programas como o Programa de Regionalização da Merenda Escolar (Preme), que promove inclusão de produtores 03/04/2016 às 20:21 - Atualizado em 03/04/2016 às 20:26
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Em entrevista, Jucá fala sobre os desafios de gerenciar uma empresa pública que compreende 99% dos municípios do Amazonas, além dos projetos para o futuro (Nathalie Brasil/Secom)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

O desafio de enfrentar a crise econômica e gerar renda para o interior do Amazonas é uma tarefa árdua até para os gestores mais experientes. Há dois anos como presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), Miberwal Jucá tem a missão de comandar uma entidade que visa algo falado por muitos, mas executado por poucos: o desenvolvimento do Estado por meio da floresta.

Em entrevista, Jucá fala sobre os desafios de gerenciar uma empresa pública que compreende 99% dos municípios do Amazonas, além dos projetos para o futuro dentro do cenário econômico mais instável dos últimos anos. 

A ADS já foi ligada à atual Secretaria de Meio Ambiente (Sema). Como se deu essa transição para Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror)?

A ADS, que nasceu Agroamazon, foi criada na estrutura da Secretaria de Produção. Com a lei delegada em março de 2007, ela saiu da estrutura da Sepror e passa para SDS.

Lá ficamos de 2007 até 2015, quando houve essa reforma administrativa, ela voltou para o seu ninho, a Sepror, até porque as atividades da SDS foram mais específicas. Como a ADS é uma entidade muito ligada à agricultura, então ela voltou para a produção.

Qual a função da ADS dentro da esfera pública?

Somos uma empresa pública que tem como os seus principais carros-chefes a educação por meio do Preme (Programa de Regionalização da Merenda Escolar) e o Promove (Programa de Regionalização dos Móveis Escolares).

Quem faz esse meio de campo, esse intercâmbio, é a ADS, credenciando os agricultores a associações ou cooperativas, ou mesmo empresas e agroindústrias para o fornecimento desses produtos para a merenda escolar.

Além disso, incentivamos a produção de fibras de juta e malva. Temos também sob a nossa responsabilidade cinco feiras, que são quinzenais ou semanais. São feiras onde levamos o produto e seu produtor para vender diretamente para o consumidor.

Que vantagens esses programas oferecem?

No Preme, 51 produtos são colocados na merenda escolar há 10 anos. É o hábito do amazonense. O que acontecia antes do Premer era muitos enlatados eram empurrados goela abaixo dos nossos alunos. Hoje não, ele come aquilo que está habituado a comer. Ele absorve as proteínas do peixe, da carne, das verduras e frutas. Hoje o nosso aluno toma muito açaí, rico em nutriente.

O Promove tem as mesmas características do Preme, mas nele os moveleiros individuais, associações, cooperativas ou firmas se credenciam junto à ADS para o fornecimento de móveis escolares. É assim em todos os nossos programas. É uma geração de renda para o povo do interior e benefícios aos envolvidos.

Como a ADS enxerga os impactos causados pela seca e pela cheia exageradas dos últimos anos na produção de alimentos?

É complicado, mas o produtor sabe. O homem do interior é sábio e ele se vira. Com prejuízos aqui, lucro ali. É interessante porque você tem prejuízo na seca, na baixa do rio, e na subida do rio. Mas ele sabe como sair da situação, embora o prejuízo seja inevitável.

Nessas áreas vizinhas de Manaus, como Iranduba, Careiro, Manacapuru, onde têm muitas terras de várzea, o prejuízo é gigantesco, e todos são fornecedores pra cá.

É difícil executar esses programas no Amazonas?

Sem dúvida. Enquanto vice-prefeito tive ação muito forte na área de orçamento e finanças, até pela minha formação profissional. Embora exista a questão da cheia e a economia, a nossa maior dificuldade hoje é a logística.

Imagina o que é trazer uma farinha da Guajará, no Alto Juruá, na divisa com o Acre para Manaus. Essa farinha precisa chegar empacotada, com selo de qualidade, com origem, então o grande problema é a logística, como em todo o estado do Amazonas. Nossas comunicações são feitas através dos rios para trazer os produtos do produtor.

A crise econômica atrapalha o desenvolvimento de novos programas?

Desde o ano passado, quando fomos atingidos por essa crise, todas as ações de todos os Estados tiveram que ser diminuídas e as metas foram reformuladas, então hoje não podemos pensar em expandir.

O orçamento foi diminuído e o governador deu prioridade para a segurança, para educação - aí está a merenda escolar -, a saúde, então essa crise que atingiu todo o País deu uma segurada nos planos de governo.

Como o senhor avalia o fato das secretarias de Meio Ambiente tanto do município quanto do Estado terem o menor repasse de verba do Governo?

Inicialmente a cúpula do Governo pensava em dar uma atenção especial ao meio ambiente, mas as verbas foram diminuindo. A receita foi frustrada. O poder aquisitivo do amazonense caiu. Se ele não compra não gera imposto, se ele não gera imposto, não arrecada. Mas tenho certeza que o governador está preocupado com isso, tanto que ele fez o que pode para manter os programas, e eles estão mantidos, mas houve uma pequena redução dos valores.

Em conversas com o governador, soube que foram R$ 2,5 bi a frustração de receita em 2015 e hoje o governo do Amazonas é um governo que está pagando em dia seus funcionários, enquanto em outros estados estão parcelando isso.

Quais são os objetivos da ADS pro futuro?

A ADS tem por seus objetivos estatutários um leque de atividades que pode, deve e vai aumentar suas atividades, como atingir 100% da merenda escolar e aumentar incentivos no pescado.  É só nós ficarmos em “banho-maria”, marcando passo nessa crise, fazendo nosso papel pra depois, com mais combustível, termos energia e irmos à luta.

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