Publicidade
Amazônia
SAÚDE

Novo medicamento promete ser eficaz, e agir mais rápido, contra tipo perigoso de malária

6ª Conferência Internacional sobre Pesquisa de Plasmodium vivax traz temas como os benefícios do tratamento da doença com a tafenoquina 13/06/2017 às 05:00
Show malaria1
Evento começou sábado e vai até amanhã com pesquisadores de várias partes do mundo / Fotos: Márcio Silva
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Os benefícios do tratamento da malária com o medicamento tafenoquina foram apresentados ontem durante a “6ª Conferência Internacional sobre Pesquisa de Plasmodium vivax”, que está acontecendo na capital amazonense até amanhã (14) no Tropical Hotel. Ontem foram apresentados os resultados de avaliação da eficácia da da droga, que parece ser muito promissora para o tratamento da malária pelo Plasmodium vivax, parasita transmissor do tipo mais incidente de Malária no mundo. 

“Com uma única dose, um único comprimido tomado no dia do diagnóstico, vamos impedir que essa pessoa tenha recaídas por causa da malária que ela teve. Então, de fato isso vai revolucionar o tratamento da malária porque o atual que faz essa cura radical, que nós comentamos que é prevenir as recaídas, hoje é feito em sete dias no Brasil, e na maior parte dos países do mundo é feito em 14 dias. Ou seja, vamos diminuir de sete para um único dia a possibilidade de se evitar que a pessoa tenha uma recaída. Essa grande promessa talvez seja o resultado mais importante e de maior impacto que seja apresentado aqui neste evento”, comentou Welton Monteiro, pesquisador da Fundação de Medicina Tropical, um dos representantes do Amazonas no evento.

Hoje o tratamento de malária feito com um medicamento feito da associação da cloroquina, que mata as formas que estão no sangue, e primaquina, que mata as que estão no fígado. As duas juntas têm a função de eliminar todos os parasitas do organismo. Quando a tafenoquina se originar, será a primaquina que será tomada em sete dias. Ela futuramente poderá ser substituída pela tafenoquina que vai fazer o mesmo efeito, sendo tomada em um único dia. 

“Esperamos, de acordo com os resultados preliminares que foram realizados anteriormente, que ela se mostre tão boa quanto a primaquina apesar de ser usada em uma única dose. Essa é a grande vantagem do tratamento”, ressaltou Welton Monteiro.

O estudo com a nova droga foi coordenado pelas empresas Medicines for Malaria Venture (MMV) e Glaxo Smith Kline (GSK), e financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates. A pesquisa envolveu a participação de centros de estudos de cinco países – Brasil, Indonésia, Tanzânia, Peru e Tailândia. No Brasil, o projeto contou com a colaboração da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), de Manaus, e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de Porto Velho.

Em Manaus, os testes foram realizados com a participação de 100 pacientes. O estudo foi desenvolvido no período de 2014 a 2016. 

É a primeira vez que o evento é realizado no Brasil. Do último domingo até amanhã, mais de 400 cientistas de 33 países estarão debatendo os desafios e estratégias para o controle e eliminação do Plasmodium vivax. “Estão aqui em Manaus grande parte dos países do mundo que têm malária e muitos pesquisadores que trabalham nos Estados Unidos e na Europa. Aqui está a ponta, a nata da pesquisa em malária pela pesquisa de Plasmodium vivax no mundo. O que há de mais novo, mais recente, mais inovador de pesquisa está sendo apresentado aqui neste evento em Manaus”, conta o pesquisador Welton Monteiro.

A malária, pelo Plasmodium vivax, é a principal espécie causadora de malária no Brasil, em torno de 90% dos nossos casos na região amazônica são devido a esse parasita e ele é mais difícil de controlar que as outras espécies, tendo uma série de características que tornam ele uma espécie mais difícil de controlar, como as recaídas, dizem os pesquisadores.

Publicidade
Publicidade