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Novo presidente da Funai, João Pedro defende um olhar mais solidário para os povos indígenas

Ao assumir o órgão federal, o amazonense disse que tentará evitar 'retrocessos na demarcação de áreas indígenas' e que em breve virá ao Amazonas tratar da questão indígena no contexto urbano 18/06/2015 às 14:08
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Ministros e parlamentares acompanharam a posse no Ministério da Justiça
ALEXANDRE PEQUENO Manaus (AM)

O novo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), o ex-deputado e ex-senador parintinense João Pedro, afirma, em entrevista para o portal acritica.com, que uma das metas de sua gestão no órgão é priorizar a saúde indígena, que mesmo não sendo da competência do órgão, terá sua devida atenção. Ele promete um olhar solidário aos povos indígenas do País.

João Pedro tomou posse na manhã desta quarta-feira (17), no Ministério da Justiça. A cerimônia contou com a presença dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Cultura, Juca Ferreira, e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Pepe Vargas, além parlamentares e lideranças sociais.

João Pedro entra na presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que assumiu interinamente após a saída de Maria Augusta Assirati do cargo. Confira a seguir a entrevista na íntegra, concedida no fim da tarde desta quarta-feira.

Qual será a tônica desses primeiros meses de sua gestão na Funai?

Assumi hoje (17) a presidência da Funai e logo irei fazer uma reunião com os procuradores do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma questão de terras no Mato Grosso do Sul. A Funai tem um grande evento que vai acontecer esse ano que é a 1ª Conferência Nacional de Política Indígena, em novembro, que vai ouvir todas as etnias do território nacional. Tem os processos da Funai... Iremos analisar a situação de reconhecimento de terras indígenas. Além disso, pretendo fazer uma dinâmica no sentido de andar o Brasil todo e conversar com as populações indígenas e lideranças.

Quais as principais metas da sua gestão?

Concentrar as atenções na saúde indígena que, apesar de não ser da competência da Funai, percebo a necessidade de uma presença mais forte nessa área. Melhorar a gestão da fundação, melhorar as estruturas físicas dos escritórios da Funai; trabalhar forte com a educação indígena; discutir e encontrar cadeias que possam valorizar a produção e artesanato que possuem uma riqueza profunda. 

Pretendo trabalhar forte nas seguintes frentes de trabalho: educação indígena, saúde indígena, políticas públicas para gerar renda através do Ministério de Desenvolvimento Agrário nos territórios indígenas com o próprio governo, ouvir ONGs. Irei dar atenção para o Congresso Nacional onde tramitam projetos que se nós não mobilizarmos a sociedade, podemos ter um retrocesso das conquistas da Constituição de 1988. Temos uma agenda forte pra fazermos junto com intelectuais, a OAB que é tentar evitar um retrocesso na demarcação de áreas indígenas

Como foram as articulações para a sua escolha como presidente?

As articulações começaram na política em si, através de representações, movimentos sociais e lideranças políticas da Amazônia. Desde fevereiro se busca uma indicação de gestores que possam interpretar os sentimentos e demandas da Amazônia. Teve um acordo político, que avançou. E agora vamos construir essa agenda positiva com os povos indígenas.

Na sua visão, o que está faltando na política indigenista dos governos estaduais? E no governo federal?

O governo federal tem uma boa política. E nós precisamos agregar forças políticas pra fazer avançar. Atualmente, os povos indígenas totalizam quase 1 milhão de habitantes da população brasileira e existem cerca de 300 etnias.

Temos que pautar forças pra resolver caso a caso, ora com a sociedade, ora com os governos estaduais. Percebi que o Estado do Amazonas tem secretarias indígenas, o que é muito importante. Em breve irei ao Estado para tentar resolver um problema a respeito dos índios em contexto urbano em Manaus. Precisamos juntar forças com a prefeitura, governo do estado, governo federal, pois sabemos que os povos indígenas são seres humanos, e por isso temos que ter um olhar profundamente solidário com esses povos.

Fotos: Isaac Amorim

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