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Nuvens de fumaça prejudicam a formação de chuvas no Estado

De acordo com especialista, a fumaça possui uma partícula muito fina - isso dificulta que a umidade atmosférica se concentre para cair em forma de chuva 20/10/2015 às 20:41
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Segundo Gabriel Carrero, ecólogo do Idesam, para combater a fumaça é necessário desenvolver campanhas de conscientização contra os incêndios criminosos
Rafael Seixas Manaus (AM)

As chuvas podem ajudar a diminuir o número de incêndios e a densidade da nuvem de fumaça que assola o Estado, mas a quantidade de fumaça que está na atmosfera reduz a possibilidade de chuvas ocorrerem no Amazonas.

É o que afirma Gabriel Carrero, mestre em Ecologia e gerente do Programa de Produção Rural Sustentável do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam). De acordo com ele, a fumaça possui uma partícula muito fina e por isso dificulta que a umidade atmosférica se concentre no fragmento para cair em forma de chuva.

“A floresta em sua transpiração emite compostos orgânicos voláteis, e esses sim conseguem aglutinar a umidade atmosférica e formar chuvas”, explicou o ecólogo.

“O que é preciso ficar claro é que existe um período de sazonalidade de chuvas na Amazônia. Os meses de agosto, setembro e outubro são mais secos e por isso há mais (facilidade) incêndios. Em 2015, a América do Sul está com altas temperaturas. Em Manaus, por exemplo, nós registramos os dois dias mais quentes dos últimos 90 anos. Com o aumento de temperatura das águas dos oceanos Atlântico e Pacífico, o número de incêndios tende a agravar-se”, complementou.

Águas aquecidas

Os efeitos do fenômeno El Niño, que é o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, contribui para a seca e para o aumento no número de incêndios. “Há grandes eventos de secas amazônicas, principalmente na região Leste e Sul, no Pará, Mato Grosso e Acre. A alta temperatura no oceano Pacífico contribui para a seca, mas o aumento nas temperaturas das águas do oceano Atlântico, perto dos Estados Unidos, por exemplo, faz ocorrer uma grande seca e depois uma grande cheia”, contou.

Apesar desses dados, o pesquisador explicou que não há como prevê se haverá posteriormente uma cheia elevada no Estado. “Não teria como afirmar isso, mas os eventos climáticos estão causando, cada vez mais, distúrbios tanto para a seca quanto para a cheia. O negócio está ficando cada vez mais frequente e expandindo sua área de frequência. Nos anos que acontecem grandes incidências de incêndios, há uma relação com anos de seca”, disse o ecólogo, lembrando que nos 1997, 2005 e 2010, o Amazonas teve períodos de forte seca.

Problemas sociais e previsão

Seegundo Gabriel Carrero, a fumaça não está trazendo somente problemas de saúde para a população, mas também sociais.

“A seca gera problemas na segurança alimentar dos municípios do Estado, pois impede a produção de escoar, há produtores de cupuaçu e rambutã reclamando que seus produtos estão secando; a seca também impede o transporte de médicos e agentes de saúde às comunidades. São problemas de segurança alimentar, saúde e infraestrutura”, relatou Carrero.

“Também está acontecendo que em muitos lugares, por conta da fumaça e da seca, o ribeirinho está se mudando. O cara não tem como ficar na Zona Rural e vai para a cidade viver à margem da sociedade”, complementou.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou, por meio do meteorologista Gustavo Ribeiro, que a previsão para os próximos dias é de tempo estável com pequena possibilidade de chuvas em áreas isoladas. As temperaturas mínimas devem ficar em torno dos 26 e 28°C e as máximas entre os 35 e 37°C.

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