Domingo, 19 de Maio de 2019
Amazônia

Ouvidoria cobra ação da Polícia para caso de assassinato e ameaças no sul do AM

Sul do Amazonas registra um alto índice de conflitos de terra, envolvendo assentados e extrativistas, que são pressionados por fazendeiros e pistoleiros



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Ouvidor titular, Gersino Silva (ao centro), já enviou três ofícios à Polícia Civil
15/01/2013 às 14:45

A Polícia Civil do Amazonas vem sendo cobrada repetidas vezes pela Ouvidoria Agrária Nacional, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, para que investigue e tome providências para o caso da família do trabalhador rural Raimundo Nonato Chalub, assassinado há quase dois meses em um sítio da Gleba Iquiri (assentamento) localizado na região do município de Lábrea (a 702 KM de Manaus), divisa com Rondônia. A viúva e os seis filhos vêm recebendo ameaças de morte e estão sendo impedidos de retornar ao assentamento.

A Ouvidoria Agrária já enviou três ofícios ao delegado-geral da Polícia Civil, Josué Rocha de Freitas, informando a situação e solicitando providências, com base em denúncia da sobrinha de Raimundo Nonato, Nilcilene Chalub.

O ofício mais recente foi enviado no último dia 10 de janeiro pelo ouvidor agrário nacional substituto, Marcelo de Oliveira Nicolau. Outros dois foram enviados pelo Ouvidor Agrário titular, Gercino Silva, no dias 28 de novembro, seis dias após o assassinato, e 21 de dezembro.

Em seu ofício, Nicolau reitera as solicitações anteriores e comunica que a família da vítima “continua sofrendo ameaças de possíveis suspeitos do mencionado homicídio, os quais estão intimidando as vítimas por meio de ligações telefônicas”. O ouvidor reproduz em seu ofício declaração de Nilcilene de que os suspeitos chegam a afirmar de que “se alguém mexer com a polícia eles irão acabar com tudo”.

Ameaças

Em relato enviado à Ouvidoria Agrária Nacional (encaminhado também ao jornal A CRÍTICA), Nilcilene Chalub, que mora no Acre, diz que desde o assassinato, as investigações não avançaram e que as ameaças ao restante da família continuam.

Nilcilene também declara que a família não consegue retornar ao sítio para recuperar os bens, que estão abandonados.

“A colônia (sítio), o gado e plantações estão abandonados porque não podemos ir lá por conta das ameaças feitas pela família do assassino, que reside em Extrema (distrito de Porto Velho, capital de Rondônia). Mandaram até nos avisar que eles não temem a polícia”, diz trecho da denúncia.

Em declaração ao jornal A CRÍTICA, Nilcilene disse que tentou fazer boletim de ocorrência sobre as ameaças, na delegacia de Extrema, onde foi registrado o caso, mas soube que o local continua em greve. “Para piorar, um policial ainda nos tratou mal, dizendo que era para gente desistir porque não dava para fazer nada. No dia seguinte, recebemos uma ligação dizendo que não nós nos metermos com a polícia”, afirmou.

A família de Chalub opta por registrar o boletim em Extrema porque a Gleba fica mais próximo de Rondônia do que da sede de Lábrea.

Ações

A assessoria de imprensa da Polícia Civil, após questionamento anterior, disse que os dois primeiros ofícios foram enviados para a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) e ao Gabinete de Gestão Integrada “para análise de criação de uma Força Tarefa a fim de que sejam dirimidos os conflitos ocorridos no sul da região”.

Como resultado, o caso foi assunto de uma reunião ocorrida no dia 4 deste mês, na qual foi exposta a necessidade das Polícias Civil e Militar estabelecer de forma permanente na região.

Quanto ao terceiro ofício, a assessoria de imprensa foi contatada, mas não retornou até o fechamento desta edição. A assessoria também não respondeu se o pedido específico para o caso da família de Raimundo Nonato Chalub foi ou será atendido.

Contatada pela reportagem para saber quais as ações de segurança programadas para o sul do Amazonas, a assessoria da SSP enviou uma nota na qual diz que “ainda não há ação a anunciar” e que “não há proposta de polícia permanente” para a área. Por enquanto, segundo a assessoria, “várias situações estão sendo estudadas e assim que definidas, serão anunciadas”.

Assassinatos

O assassinato de Raimundo Nonato Chalub é mais um entre tantos registrados no sul do Amazonas, área de forte pressão de grileiros e fazendeiros que ocupam ilegalmente áreas da União para retirada de madeira e transformação de área de campo para rebanho de gado. Entre 2001 e 2012, 12 trabalhadores rurais foram assassinados por causa de conflitos no campo, embora este número pode ser maior, segundo a Comissão Pastoral da Terra.


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