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Amazônia
Ciência e Sustentabilidade

Parceria entre cientistas brasileiros e britânicos beneficiará ribeirinhos

A partir de pesquisas feitas em conjunto, estudiosos do AM e Reino Unido vão propor soluções para problemas vividos pelas populações isoladas do Estado. FAS, British Council e a empresa Schneider dão o apoio financeiro 13/04/2016 às 04:30 - Atualizado em 14/04/2016 às 09:10
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O conselheiro-chefe para Assuntos Científicos do Reino Unido, Sir Mark Walport, e o superintendente geral da FAS, Virgílio Viana (os dois ao centro), lideraram o evento para a chamada ao programa Institucional Links
Vinicius Leal Manaus (AM)

Uma parceria científica feita entre os governos brasileiro e britânico promete gerar um novo impulso para a ciência, a tecnologia e a inovação no Amazonas, e para o desenvolvimento sustentável de comunidades isoladas no interior do Estado. É o programa Institucional Links, nascido da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), junto com a empresa Schneider Eletric Brasil e o British Council - um instituto sem fins lucrativo do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais ao redor do mundo.

O programa, que será aberto para concorrência pública na próxima semana, e que tem o nome “Links” em alusão “elo” ou “ligação”, terá o propósito de promover colaborações científicas entre estudiosos “daqui” e de “lá”. Os cientistas que quiserem participar do programa deverão desenvolver pelos próximos dois anos pesquisas conjuntas - os britânicos e os brasileiros vão trabalhar no mesmo projeto - com sete grandes temas relacionados a problemas ou pendências sociais, econômicas e ambientais da região amazônica. Eles tentarão encontrar soluções para tais questões, como, por exemplo, na produção de peixes, a sustentação da agricultura familiar e a geração de energia elétrica.

Com um aporte financeiro de 220 mil libras esterlinas, equivalente a aproximadamente R$ 1,1 milhão, o programa Institucional Links vai divulgar para o mundo a ciência produzida pelos cientistas no Amazonas, utilizando também o conhecimento científico dos britânicos e gerando benefícios para populações no Estado. Todo o recurso é oriundo de três fontes: o Fundo Newton, um fundo do governo do Reino Unido para intercâmbio de conhecimento e de ideias, vindo também da FAS e da empresa Schneider. Lançado em 2014, o Fundo Newton é uma iniciativa do governo britânico administrado pelo British Council que visa promover o desenvolvimento social e econômico de 15 países parceiros por meio de pesquisa, ciência e tecnologia.

“É a primeira vez que estamos fazendo (parceria nessa modalidade de ciência conjunta). Vamos ofertar recursos para grupos de pesquisadores do Amazonas trabalharem com instituições inglesas em torno de temas que são prioritários para as comunidades ribeirinhas do Amazonas. A pesquisa vai ser feita nas comunidades, com objetivo de encontrar soluções para a melhoria da renda, ou da educação, ou da saúde ou energia elétrica. O alvo é gerar tecnologias que sejam relevantes para essas comunidades”, explicou o superintendente geral da FAS, Virgílio Viana.

Inscrição e concorrência

A partir da próxima segunda-feira, 18 de abril, até junho (dois meses), quem quiser se candidatar e concorrer ao programa Links deverá se inscrever no site do Fundo Newton. O público alvo são professores ou estudantes de graduação ou pós-graduação vinculados instituições de ensino, pesquisa ou extensão sediadas no Amazonas e no Reino Unido e que já deverão ter produzido conteúdos científicos na área de abrangência do tema escolhido no seu projeto. Vão ser selecionadas as ideias que promovam a troca de conhecimentos científicos e acadêmicos entre pesquisadores brasileiros, britânicos e a comunidade, buscando soluções de desenvolvimento sustentável essas populações.

Ao todo são sete temáticas prioritárias de pesquisa. O edital público do Links estará disponível no site da Fundação Amazonas Sustentável e não há um número máximo de inscrições. Os resultados da seleção devem ser divulgados ainda este ano e, posteriormente, um comitê científico independente e de alto nível vai selecionar as melhores propostas, dentro de dois macro projetos. “Depois que concluírem (as pesquisas), os cientistas vão apresentar os resultados para os líderes dessas comunidades, para que eles possam avaliar criticamente e colocar em prática. Isso é o mais interessante”, disse Virgílio Viana.

O mesmo objetivo

O coordenador do programa Soluções Inovadoras da FAS, Vitor Salviati, explica como vai funcionar as pesquisas no programa. “A proposta (científica) tem que ser a mesma, mandada por uma entidade amazonense - universidade ou instituto de pesquisa - em parceria com outra entidade britânica, da Inglaterra ou da Escócia. Eles fazem uma proposta única e submetem. Um grupo de pesquisa do Amazonas que quiser participar tem que buscar essa parceria bilateral Brasil/Grã-Bretanha, e a pesquisa vai ter dois líderes, um brasileiro e outro britânico”.

Segundo Salviati, a FAS promove a chamada “busca ativa”. “A gente conhece quem pesquisa essas temáticas aqui no Amazonas e vamos apoiar essa conexão entre eles e os britânicos. Geralmente esses pesquisadores são conhecidos mundialmente e vamos fazer essas ligações. A rede de cientistas e pesquisadores do Amazonas é muito rica. Então não tem esse negócio do inglês vir aqui ensinar o brasileiro, pelo contrário. A gente está equiparando a pesquisa amazonense com a britânica, que é uma das melhores do mundo”.

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