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Parceria na saúde: ciência e tecnologia a serviço da tradição

Parteiras tradicionais aprendem, com profissionais do SUS, a manter um costume secular reduzindo riscos para mãe e bebê 16/10/2013 às 08:50
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Parteiras tradicionais do Estado, enfermeiras e técnicas de enfermagem trocaram informações e experiências durante capacitação iniciada na manhã desta terça-feira (15)
CAROLINA SILVA ---

O parto domiciliar assistido por parteiras tradicionais está muito presente no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, apesar da maioria dos nascimentos ocorrer em hospitais, informa o Ministério da Saúde.

Mas, o trabalho de muitas dessas mulheres é feito sem o apoio da rede de atenção integral à saúde da mulher e da criança. No Amazonas, entretanto, profissionais de saúde, entre enfermeiras e técnicas de enfermagem, vêm sendo capacitadas pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) com o apoio do Ministério da Saúde para articular a aproximação das parteiras tradicionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

É o que explica a enfermeira Paula Viana, coordenadora do Programa Curumim, o qual auxilia o Ministério da Saúde na promoção do fortalecimento do vínculo entre parteiras tradicionais e o SUS.

“No Brasil sempre teve políticas que trabalharam com parteiras tradicionais. Porém, o trabalho era na melhoria da prática da parteira. Temos que trabalhar muito mais. Tem que trabalhar o sistema que está ao redor da parteira. Ou seja, incluindo-a num sistema que vai provê-la de materiais, que vai dar apoio caso necessite, como numa transferência da gestante para um hospital, quando precisar esterilizar seu material, poder fazê-la numa unidade de saúde. Isso tudo pra dar mais segurança na hora do parto. Essa é a importância de fazer a articulação do trabalho da parteira e o SUS”, explicou Paula Viana.

Esta semana, mais de 50 profissionais de saúde, entre enfermeiras e técnicas de enfermagem, de 24 municípios do Amazonas, estão sendo capacitadas pela Susam em parceria com o Ministério da Saúde para qualificar o trabalho das parteiras tradicionais no Estado.

“Desde 2009 nós intensificamos o trabalho com parteiras tradicionais porque nós não tínhamos o quantitativo dessas mulheres no Amazonas. Fizemos um levantamento, mas sabemos que o número é maior. Por isso, o nosso principal direcionamento também é sensibilizar os gestores municipais de saúde pra que dêem visibilidade às parteiras tradicionais, se aproximem delas e as vinculem ao SUS”, ressalta a coordenadora estadual de Saúde da Mulher, Sandra Cavalcante Silva.

Prática que estava esquecida

A técnica de enfermagem Maria Mercês Bezerra da Silva, 54, natural do Município de Tefé (a 525 km de Manaus), há dez anos trabalha com parteiras tradicionais, mulheres com aptidões adquiridas com a prática, com a observação e com os ensinamentos compartilhados ao longo de gerações.

Atualmente, Maria Mercês tem contato com parteiras tradicionais dos municípios de Tefé, Alvarães e Maraã.

“Eu trabalhei no hospital de Tefé que tinha o apoio da Prelazia, a qual sempre demonstrou interesse em capacitar as parteiras tradicionais, com orientações de como realizar os partos com higiene, cuidados com o cordão umbilical. Depois a política foi se modificando e as freiras foram saindo do hospital e por algum tempo essa capacitação ficou esquecida”, relata Maria Mercês. Ela é uma das profissionais de saúde que está sendo capacitada para qualificar parteiras tradicionais.

De acordo com a técnica de enfermagem, depois que as capacitações das parteiras tradicionais foram retomadas, percebeu-se que as grávidas da região em que trabalha têm se preocupado mais em procurar o acompanhamento pré-natal, que é essencial para garantir uma gestação saudável e um parto seguro, pois diminui os riscos de complicações.

“Isso porque é uma orientação que tem sido dada pelas parteiras tradicionais, que têm se preocupado com o desenvolvimento da gestação e não acompanham a gestante somente na hora do parto”, avaliou Maria Mercês.

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