Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020
AJUDA SOLIDÁRIA

Passando por dificuldades durante pandemia, indígenas Kokama pedem ajuda

Composta por 130 indígenas, a comunidade Nova Esperança Kokama pede ajuda com qualquer quantia em dinheiro ou com cestas básicas e outros donativos



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08/06/2020 às 13:28

A comunidade indígena Nova Esperança Kokama precisa de ajuda. Localizada no Ramal do Brasileiro, zona Leste de Manaus, a comunidade, composta por 130 indígenas, tem sentido vorazmente os impactos da desaceleração econômica causada pela pandemia do novo coronavírus. Muitas das 80 famílias perderam a sua fonte de renda nesse período e pedem doações. Os interessados podem ajudar com qualquer quantia em dinheiro ou com cestas básicas e outros donativos.

De acordo com a professora Jardeline dos Santos, que ensina a língua kokama para cerca de 25 alunos no barracão da comunidade, a maior necessidade das famílias do Nova Esperança Kokama são, principalmente, alimentação, itens de limpeza e equipamento de proteção individual – principalmente máscaras. Dos indígenas desempregados, poucos conseguiram ter acesso ao auxílio emergencial de R$600 do governo federal.



“Estamos fazendo o que está ao nosso alcance para nos prevenir da Covid-19. As aulas no barracão estão suspensas. A nossa comunidade está em quarentena total [lockdown] desde março, quando foram identificados os primeiros casos no Amazonas. Alguns moradores já manifestaram sintomas suspeitos, mas permanecem em quarentena na comunidade, mantendo contato apenas com as lideranças locais para suprir as necessidades básicas”, diz ela, frisando que é comum, no local, que as síndromes gripais sejam tratadas com ervas medicinais.

Uma das razões para recorrerem pouco à medicina não-indígena é a distância da localidade para as unidades de saúde. A mais próxima é a Unidade Básica de Saúde José Avelino Pereira, no bairro João Paulo, zona Leste de Manaus, e o hospital mais próximo fica a cerca de 16 quilômetros de distância - o Platão Araújo, Jorge Teixeira, na zona leste da capital. Para dificultar ainda mais as emergências, a única linha de ônibus que atende o ramal, o 066, passa de uma em uma hora nos dias úteis, isso quando não atrasa, segundo relato dos moradores da área.

“Há muitos idosos e crianças na comunidade. Esperamos que o poder público envie agentes de saúde para investigar casos suspeitos. Enquanto isso, orientamos as pessoas que adoecem a permanecer em casa. Nenhum caso na comunidade foi confirmado, mas todo mundo aqui perdeu um parente ou um amigo durante a pandemia”, conta Jardeline.

No último dia 28, a professora perdeu o tio, Carlos Nobre da Costa, 52. Segundo ela, ele teve um ataque cardíaco, mas não possuía comorbidade, “era saudável”, porém, devido às dificuldades logísticas, sequer chegou a ser socorrido. “No atestado de óbito, a morte dele está como causa indefinida. Não sabemos se foi por Covid-19 e, pelo visto, tão cedo saberemos”, lamenta.

Doação

Os interessados em doar qualquer quantia em dinheiro à comunidade indígena Nova Esperança Kokama pode fazer um depósito na conta poupança no nome da professora Jardeline dos Santos Costa (agência: 3898. Conta: 00023746-2. Operação 013).

Quem preferir, pode entregar os donativos pessoalmente na comunidade localizada no bairro Puraquequara, quilômetro 8 do ramal do Brasileirinho, contudo, é preciso agendar uma visita para que algum líder receba as doações na entrada – respeitando, assim, as normas de distanciamento social preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O contato para agendamentos é (92) 99211-6107.

Kokamas em Manaus

Segundo levantamento da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), cerca de 1.400 indígenas da etnia Kokama vivem em Manaus, distribuídos em aproximadamente 10 comunidades localizadas pela Zona Metropolitana da capital amazonense.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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