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Peixes-bois de semicativeiro se preparam para serem reintroduzidos à natureza

Os peixes-bois chegaram filhotes ao Inpa, todos vítimas da caça ilegal, e estão há três anos passando pelo estágio para voltar à natureza  15/10/2014 às 21:37
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Após recuperação, espécie será devolvida ao habitat natural
ACRÍTICA.COM* Manaus (AM)

Até sexta-feira (17), pesquisadores da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) permanecem em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) para capturar seis dos 11 peixes-bois que estão em um lago fechado de 16 hectares, para avaliação de saúde e possível soltura em 2015.

Os animais fazem parte do plantel do Inpa e foram levados a esse ambiente em 2010 e 2011. A atividade faz parte do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia Criados em Cativeirorealizado desde 2008 pela Ampa e pelo Inpa, por meio do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, com o apoio da Petrobras. 

Dos seis animais capturados, quatro serão colocados em um lago menor com oito mil metros quadrados, onde será ofertado um volume maior de alimento para que ganhem peso e se mantenham saudáveis nas primeiras semanas em vida livre.

“Essa estratégia é para garantir uma grande reserva de energia, já que em outras experiências (2008 e 2009), os animais chegaram a perder 50 kg nos primeiros dias, depois de soltos”, explica Diogo Souza, pesquisador-bolsista do Inpa e colaborador da Ampa, responsável pelo Programa de Reintrodução.

No primeiro semestre de 2015, os quatros animais serão soltos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus. O semicativeiro é uma etapa inédita na reintrodução de peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis). 

Mapixari

Quatro animais já foram capturados. E um deles é o peixe-boi macho chamado Mapixari. Ele chegou ao Inpa em 2000, com aproximadamente cinco meses de idade, vindo da comunidade Jacitara, município de Maraã (distante da capital do Amazonas 920 km).

Mapixari foi vítima da caça ilegal. Estava magro e com alguns ferimentos, mas logo aceitou a mamadeira e todas as condições do cativeiro, reabilitando-se totalmente. Em 2009, foi selecionado como um dos candidatos aptos para retornar à vida livre. 

Em abril do mesmo, Mapixari e Xibó (outro peixe-boi solto) foram levados ao Rio Cuieiras (afluente da margem esquerda do Rio Negro), local escolhido para reintrodução. Quatro meses após a soltura, foi avistado dentro do igapó (ambiente característico da Floresta Amazônica, também conhecido como Floresta Alagada). O animal estava bastante debilitado e abaixo do peso. Ele foi recapturado e trazido de volta ao Inpa, onde foi novamente reabilitado e, atualmente, encontra-se bem, saudável e com excelente potencial para as próximas atividades de reintroduções.

“A história de vida do Mapixari é um exemplo e reflete a dificuldade de uma espécie com sérios riscos de extinção sobreviver às ameaças do homem. Nossa sociedade tem a obrigação de preservar o peixe-boi da Amazônia e garantir o futuro dessa maravilhosa espécie para que as próximas gerações desfrutem de um meio ambiente saudável e equilibrado, respeitando todas as formas de vida. Estamos felizes por poder novamente proporcionar ao Mapixari mais essa experiência. Ele lutou pela sobrevivência e merece voltar a viver livre nos rios da Amazônia”, reflete Souza. 

Semicativeiro

Segundo o veterinário do Inpa, Anselmo D’Affonseca, cinco animais que estão em processo de adaptação e aptos para retornar à natureza vivem neste ambiente. O veterinário esclarece ainda que na recaptura ocorrida em dezembro de 2012, para acompanhamento do processo de adaptação desses animais, percebeu-se que os peixes-bois estão bem e apresentam grandes chances de sucesso quando forem reintroduzidos ao ambiente natural definitivamente. 

“O que indica que os animais que forem levados ao semi cativeiro futuramente, também devem progredir de forma positiva até a reintrodução final à natureza”, informa.

Para Diogo Souza, os resultados de pesquisas realizadas no Inpa sugerem que peixes-bois da Amazônia mantidos em cativeiro por curtos períodos de tempo, apresentam alta percepção do ambiente natural, e maior habilidade na readaptação a um novo ambiente, reforçando a importância de escolha adequada dos animais para integrar programas de reintrodução com a espécie. 

Souza explica ainda que esses resultados podem ser importantes para a conservação dessa espécie, atualmente ameaçada de extinção. “Por se tratar de um projeto em longo prazo, as experiências e resultados acumulados até o momento são extremamente importantes para traçar as diretrizes de manejo e conservação dessa espécie endêmica e vulnerável da Amazônia”.

A fase de pré-soltura (semicativeiro) é requisito fundamental para auxiliar na readaptação gradual de peixes-bois da Amazônia, criados em cativeiro, às condições dos rios amazônicos.

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