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Amazônia
Estudo

Pesquisa desenvolve corante natural a partir da polpa do açaí, no Amazonas

O corante natural à base de açaí, fruto típico da região Amazônica, pode ser usado na pigmentação de alimentos e cosméticos. A pesquisa tem apoio do Governo do Amazonas 20/06/2016 às 17:54
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Com o estudo foi possível produzir um extrato hidrossolúvel (solúvel em água) a partir da polpa do açaí (Foto: Divulgação)
acritica.com Manaus (AM)

Um estudo desenvolvido com apoio do Governo do Amazonas, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolveu, a partir da polpa do açaí, fruto típico da região Amazônica, um corante natural para aplicação em cosméticos e alimentos.

A pesquisa durou um ano e foi desenvolvida na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) pela estudante Rebbeka Danyelle da Silva sob a coordenação do pesquisador, Emerson Lima, no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Amazonas (Paiti/AM) da Fapeam.

De acordo com o Emerson Lima, com o estudo foi possível produzir um extrato hidrossolúvel (solúvel em água) a partir da polpa do açaí que pudesse ser rico em antocianinas, pigmentos naturais conhecidos e presentes também em outras frutas.

Desenvolvimento

A extração desse pigmento a partir do açaí ainda é um processo que está em desenvolvimento e a exploração biotecnológica ainda requer mais estudos, explicou o pesquisador. Ele disse que o corante produzido se mostrou estável preservando a cor, e pode ser aplicado na pigmentação de alimentos e cosméticos.

“Conseguimos ver também alguns aspectos dessa estabilidade como a extração em diferentes condições de luz, temperatura e pH e que ele pode ser armazenado. Então nós conseguimos o mais importante, que é um alto teor de antocianinas”, disse o pesquisador.

Falta de propriedades nos produtos comercializados - A estudante de Engenharia Química da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Rebekka Lima, disse que fez uma comparação do produto com os pós  comercializados em alguns empórios de Manaus e detectou a falta de propriedades descritas no rótulo do produto.

“Hoje em dia se fala muito em vida saudável, mas encontramos nos pós comerciais a falta de propriedades como oxidantes que fazem bem para o corpo. Comparamos com o de açaí feito pela nossa equipe e o nosso preservou as propriedades nutricionais, o que é bom para a saúde”, disse.

Menção honrosa

A pesquisa ganhou menção honrosa durante o Seminário Internacional de Tecnologia e Sustentabilidade (Sintes), que aconteceu no mês de maio, na Ufam, que debateu sobre a biodiversidade e cidadania para conectar as pessoas.

Esse é terceiro projeto de iniciação científica que a estudante participa. De acordo com ela, a execução de projetos de pesquisa com apoio da Fapeam é fundamental para a sua trajetória acadêmica e profissional.

“A Fapeam me ajudou muito. Atualmente estou fazendo o projeto de conclusão de curso e chego ao fim da Graduação bem madura e familiarizada (com a execução de projetos). Além disso, é muito bom desenvolver uma pesquisa e fazer com o que ela chegue até a população”, disse Rebekka Lima.

Transferência de tecnologia - O estudo desenvolvido já ultrapassa as portas do laboratório. Atualmente, a equipe de pesquisa em parceria com a empresa Bombons Finos da Amazônia analisa a utilização do corante natural de açaí na confecção de bebidas.

“Eles querem desenvolver uma bebida de açaí. Queremos fazer uma escala maior sobre esse estudo para que esse produto possa ser aplicado na indústria e possa ter outras aplicações no mercado”, disse Emerson Lima.

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