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Amazônia
Ciência

Pesquisa testa substâncias isoladas do óleo da copaíba como anti-inflamatórios

O projeto consiste em isolar substâncias do óleo da copaíba em escalas de gramas e fazer uma modificação química nesses compostos. O objetivo final pesquisa é gerar patentes 26/07/2016 às 20:21 - Atualizado em 27/07/2016 às 19:28
Show oleo de copaiba
O estudo deve ser finalizado dentro de um ano com patentes geradas e artigos publicados (Reprodução)
acritica.com

Um trabalho pioneiro no Estado do Amazonas está sendo realizado com substâncias isoladas do óleo da copaíba de forma que os compostos sejam avaliados como agentes anti-inflamatórios de forma isolada. O projeto de pesquisa é do professor universitário Emerson Lima em parceria com o também professor Valdir Veiga Júnior, ambos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O estudo é fomentado pelo Governo do Estado por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Núcleos Emergentes de Pesquisa (Pronem). Segundo Emerson, o projeto consiste em isolar substâncias do óleo da copaíba em escalas de gramas e fazer uma modificação química nesses compostos. O projeto rendeu uma primeira publicação em revista internacional (Molecules 2015, 20(4), 6194-6210; doi: 10.3390/molecules20046194).

“Nós isolamos essas substâncias e fazemos as modificações estruturais nas moléculas, visando a síntese de novas moléculas mais ativas do que as naturais. A gente vislumbra estudar a atividade anti-inflamatória em modelos, primeiramente, ‘in vitro’ – processo feito normalmente em cultura de células – para verificar esse potencial e depois faremos os testes em vivos, utilizando animais em laboratórios”, explicou Lima.

Os testes em animais fazem parte da segunda etapa do estudo e a aplicação será feita em modelos de artrite – inflamação de alguma articulação – para analisar a ação de cura desse processo. As substâncias mais ativas da copaíba, detectadas na primeira etapa, é que serão utilizadas nos testes. Segundo Emerson, o estudo traz uma enorme vantagem para a área de pesquisas no Estado, visto que é um estudo pioneiro, utilizando uma abordagem baseada multidisciplinar e pode testar, assim, um grande número de compostos, com grande possibilidade de encontrar substâncias ativas.

De acordo com o pesquisador, os primeiros resultados da segunda fase do estudo já estão prontos e apontam dados bastante positivos. “O óleo de copaíba bruto é bastante ativo, porém as substâncias isoladas dele, não. Nós estamos conseguindo modificar esse quadro ao sintetizar essas substâncias, pois estamos conseguindo melhorar a atividade delas. Por mais que o projeto ainda esteja, relativamente, no início, nós já avançamos e muito nas pesquisas nessa área”, disse Emerson.

O objetivo final do projeto de pesquisa é gerar patentes e utilizar o resultado do estudo na área farmacêutica e medicinal. Abrir espaço para publicações de artigos com esse tema e projetos de mestrado e doutorado, também é a finalidade do pesquisador. O estudo deve ser finalizado dentro de um ano com patentes geradas e artigos publicados após o término das pesquisas.

“O que nós queremos é incentivar outros pesquisadores a avançarem em estudos nessa área, mostrando que a Amazônia é rica em matérias-primas que podem ser manipuladas para o uso farmacêutico e medicinal, trazendo benefícios para a população. Temos poucos artigos publicados e relatados na literatura, mas queremos mudar esse cenário e mostrar que o que estamos fazendo é inovação e que, por isso, precisa se divulgado”, assinalou Lima.

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