Publicidade
Amazônia
Amazônia

Pesquisador do INPA afirma que o Amazonas é um dos estados mais preservados da Bacia Amazônica

Conclusão do coordenador de projeto que monitora o desmatamento há 35 anos está relacionada à abertura de estradas. Afirmação foi dita durante palestra sobre “Desmatamento, Degradação e Fragmentação Florestal – quanto mais o ecossistema amazônico aguenta?” 19/05/2015 às 15:22
Show 1
De acordo com o pesquisador, as estradas ilegais facilitam o desmatamento
acritica.com Manaus, AM

“O Amazonas é um dos Estados mais preservados de toda a Bacia Amazônica brasileira porque não tem estradas”. A declaração é do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e coordenador do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), José Luís Camargo, e foi feita durante palestra sobre “Desmatamento, Degradação e Fragmentação Florestal – quanto mais o ecossistema amazônico aguenta?”.

O evento, que aconteceu na última sexta-feira, no auditório do Bosque da Ciência/Inpa, foi promovido pelo Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), em parceria com o PDBFF, e reuniu a sociedade civil organizada para um debate sobre a capacidade da floresta de se regenerar, em especial frente à sequência de eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas.

“Para começar o processo de fragmentação na Amazônia é só começar a construir estradas”, comentou Camargo ao se referir aos resultados de um trabalho publicado em abril deste ano, que mostra o quantitativo da rede de estradas existentes na Amazônia, com mais de 506 mil quilômetros de extensão. Desse total, cerca de 50 mil quilômetros são estradas oficiais e 450 mil quilômetros são estradas consideradas ilegais.  Para o pesquisador, as estradas não oficiais representam fortes agentes de desmatamento.

Segundo Camargo, as consequências desse sistema de fragmentação florestal são quase sempre negativas. Ele cita como exemplo o “colapso de biomassa”. Ao se criar um fragmento florestal, a maioria das grandes árvores morre por volta dos primeiros anos.  Ele explica que ao se perder essas árvores tem que haver a substituição por outras. Nesse processo, há uma liberação muito grande de carbono e as árvores que estão substituindo as que morreram acumulam menos biomassa.

A pesquisadora do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém (PA), Samia Nunes, também participou do evento e falou sobre a questão do desmatamento. Segundo ela, se comparados os dados do desmatamento em abril deste ano com o mesmo período do ano passado, o índice foi de 187%.

“O que ainda é considerado alto, sendo que em períodos anteriores esse índice foi muito maior”, comenta a pesquisadora. 

Monitorando a floresta há 35 anos

O Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais do Instituto de Pesquisa da Amazônia estuda a fragmentação florestal e o que acontece com a floresta amazônica há 35 anos e mantém um dos mais completos bancos de dados a respeito do efeito da fragmentação dos habitats sobre as formas de vida da floresta.

Publicidade
Publicidade