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Amazônia
PESQUISA E MERCADO

Pesquisador do Inpa receberá royalties por invenção que purifica água

Rolland Vetter, que desenvolveu um purificador de água que ajudou a melhorar a qualidade de vida de comunidades ribeirinhas e indígenas, foi o primeiro da região a receber royalties pela invenção 08/06/2016 às 22:14 - Atualizado em 08/06/2016 às 23:28
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Para Rolland Vetter, o passo mais importante da pesquisa foi a possibilidade de torná-la real, a ponto de salvar vidas (Foto: Antônio Lima)
Kelly Melo Manaus (AM)

O engenheiro florestal Roland Vetter, do Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa), é o primeiro pesquisador da região Norte a receber royalties por uma invenção dentro de instituições públicas. 

O feito histórico se deu a partir pela invenção de um purificador de água, o Água Box, que há dez anos tem contribuído com a qualidade da água em comunidades ribeirinhas e indígenas do Estado. Desde 2012, a tecnologia foi transferida para a empresa amazonense ‘Q-Luz’, que desde então vem produzindo o produto em escala.

Vetter disse que o passo mais importante da pesquisa foi a possibilidade de torná-la real, a ponto de salvar vidas. “Amazônia tem um sério problema com água potável porque nem sempre as águas dos igarapés e rios estão apropriadas para beber. Descobrimos isso em uma aldeia indígena, onde muitas crianças morreram com diarréia”, explicou ele.

Funcionamento

Na prática, o sistema funciona a partir da captação e bombeamento da água do rio. Dentro do purificador, a água passa por um processo de desinfecção por meio de uma lâmpada que emite raios ultravioletas, explica o pesquisador. 

“Nesse processo, a iluminação mata todos os germes presentes na água e, assim, ela estará própria para o consumo”, destacou Vetter. 

Transferência

De acordo com a coordenação de Extensão Tecnológica e Inovação (Ceti) do Inpa, a transferência da tecnologia da instituição para uma empresa privada se faz necessária para que o produto seja confeccionado em grande escala e possa estar disponível no mercado, beneficiando, de fato, as pessoas. 

Como o Inpa tem identidade da administração pública, possui limitações legais, esclareceu a analista em Ciência e Tecnologia do Inpa, Deuzanira Santos. “O instituto não pode produzir as tecnologias que desenvolve e nem comercializá-las. Então, o caminho é a transferência de tecnologia para o setor produtivo”, explicou Deuzanira.

Inpa tem outras 74 tecnologias com potencial comercial

O diretor-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa), Luiz Renato França, afirmou que, além do Água Box (ou Ecolágua), outras 74 tecnologias desenvolvidas pelo instituto possuem potencial para a comercialização em grande escala.  Mas para isso, as empresas também devem despertar o interesse pelo produto. “Essas tecnologias estão divididas em mais de 20 setores de atividades econômicas diferentes, passíveis de serem transferidas às empresas locais e nacionais. E isso demanda investimentos”, afirmou o diretor.

Ainda sobre a invenção do pesquisador alemão Roland Vetter, ele deve receber um percentual variável de 5% a 1/3 do royalty pago à instituição. “Vou investir mais ainda na pesquisa porque ela tem uma função social”, garantiu o pesquisador. O valor restante do pagamento será reinvestido nas atividades do Inpa, ou seja, em novas pesquisas.

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