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Amazônia
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Pesquisadora do Inpa descobre substância que pode ajudar em tratamento do câncer

Alcalóide extraído da planta Duroia macrophylla, popularmente conhecida como puruí-grande-da-mata, ainda em andamento, a pesquisa está dividida em duas frentes 05/03/2013 às 15:11
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A puruí-grande-da-mata pertence à família Rubiaceae - a mesma do café -, e possui um fruto comestível, porém não muito consumido
acritica.com Manaus

A pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Cecília Veronica Nunez, reconheceu em uma planta amazônica um alcalóide que possui potencial anticancerígeno. As pesquisas são realizadas há sete anos e em 2012 a substância fez parte da lista de patentes depositadas pelo Instituto.

A pesquisa, iniciada em 2006, trata-se da coleta de material biológico, preparação de extratos e avaliação destes em diversos ensaios biológicos - procedimento chamado de bioprospecção, com a finalidade de explorar os recursos genéticos -, que neste caso foi a seleção de diversas plantas para a realização do fracionamento a fim de isolar as substâncias ativas.

O alcalóide encontrado foi extraído da planta Duroia macrophylla, popularmente conhecida como puruí-grande-da-mata. A espécie pertence à família Rubiaceae (a mesma do café) e possui um fruto comestível, porém não muito consumido.

“Eu quis conhecer o potencial biológico das espécies amazônicas. Então com esse objetivo, coletei diversas plantas, não só da família Rubiaceae, mas de outras famílias de vegetais e esse extrato mostrou uma grande atividade”, explica.

De acordo com Nunez, esse foi o primeiro estudo com a espécie. “Essa planta nunca teve nenhum estudo químico realizado. Muita gente fala sobre a floresta amazônica conter um grande potencial biológico e eu posso realmente afirmar que temos um potencial químico-biológico enorme. Ela forneceu um alcaloide inédito na literatura. Existe já o esqueleto, mas a posição como a estrutura está ligada é inédita, então ainda tem muita coisa a ser descoberta”, afirma.

Potencial anticancerígeno
Podendo ser definido como uma substância de caráter básico, a pesquisadora explica que os alcalóides não são produzidos igualmente pelas plantas, há apenas algumas famílias de vegetais que os produzem, além de alguns micro-organismos e animais.

Já objetivando a busca de substâncias antitumorais nas plantas, o resultado veio após várias etapas de fracionamento na espécie. “Este alcalóide específico deu atividades sobre células tumorais de Leucemia humana, Adenocarcinoma gástrico (câncer de estômago) e Melanoma (câncer de pele), isso por enquanto em linhagens em células, ou seja, o ensaio in vitro. Ainda precisamos realizar os ensaios de todas as etapas pré-clínica e clínica”, destaca a pesquisadora.

Ela ainda completa: “Pela alta atividade que esse alcaloide apresentou e pela baixa toxicidade em células sadias, existe um potencial muito grande, mas é prematuro dizer para já se utilizar a planta (em tratamentos)”.

Ainda em andamento, a pesquisa está dividida em duas frentes: a primeira é o estudo da planta para encontrar outros alcaloides minoritários com possíveis atividades ainda maiores e a segunda é a tentativa de obtenção da cultura de células da planta para uma produção maior deste alcalóide, já que a planta o produz em pequena quantidade, insuficiente ainda para passar às etapas in vivo.

“Deu muito trabalho realizar o isolamento e a identificação estrutural do alcalóide, mas foi muito bom poder encontrar uma substância com esse potencial”, avaliou a pesquisadora.

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