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Pesquisadores tentam salvar uma das aves mais ameaçadas de extinção da Amazônia

Ave mutum-piuri recebe apoio de Instituto de pesquisa na região do Baixo Purus, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus (RDS-PP) 31/03/2015 às 11:08
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As famílias que vivem nas comunidades da área de incidência da espécie estão sendo conscientizadas para preservá-la
Lívia Anselmo ---

Vigiar para preservar. Essa é a ideia do Instituto Piagaçu (IPi) ao desenvolver um estudo sobre a ecologia de uma das aves mais ameaçadas de extinção da Amazônia, o mutum-piuri (Crax glgabulosa). Na região do Baixo Purus, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus (RDS-PP), o trabalho monitora a frequência com que a ave é caçada e busca entender quais áreas são importantes para a alimentação e reprodução dos mutuns.

Trata-se de uma das maiores aves da Amazônia. Elas podem ter quase um metro de comprimento e pesam mais de cinco quilos. Os mutuns-piuri fazem parte da família dos Cracídeos, que só existem no continente americano.

Desde 2012, o trabalho é desenvolvido com o objetivo de preservar a espécie e de conhecer dados científicos que ajudem outras regiões na conservação da ave. Segundo a pesquisadora Carolina Bertsch, o mutum-piuri é um morador das florestas de várzea e é um dos poucos que vive unicamente neste ambiente, o que se torna um problema. “As florestas de várzea estão diminuindo rapidamente em extensão e isso prejudica a espécie porque esse é o habitat deles”.

As comunidades que estão na reserva são os principais alvos para do alerta sobre o perigo de extinção.

“Nessa região as pessoas não estão caçando, o que é ótimo porque já é uma forma de preservar. Em outras áreas os mutuns chamam a atenção por seu tamanho. Nosso objetivo com essas comunidades é fazer com que elas continuem nesse caminho e não vejam o mutum-piuri como uma alternativa de caça”, lembra.

Palestras de educação ambiental são uma das formas que podem ajudar a sensibilizar a população para a necessidade de conhecer as aves, tanto que ao longo da pesquisa os moradores têm sido capacitados como monitores. “Trata-se de um monitoramento comunitário da caça na reserva”, explica Carolina.

Telemetria

Dando continuidade ao estudo, Carolina pretende iniciar o monitoramento com telemetria em quatro aves. “A ideia é ver como ele está se movimentando na área e entender como eles se comportam”.

Carolina ressalta que todos podem fazer sua parte para evitar que a ave seja extinta. “É muito simples ajudar. É algo científico que pode ser complementado com a conservação de manejo dos recursos, caçar menos estas aves, evitar jogar lixo no rio e matas, assim como evitar o desmatamento das florestas de várzea”.

No Amazonas, segundo Carolina, os mutuns-piuri, são encontrados na região da calha do Juruá, no Médio Solimões e em Mamirauá.

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