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Políticos de Apuí querem redução no tamanho das áreas que serão preservadas

Em reunião com representantes da bancada do Amazonas em Brasília, o prefeito e vereadores  se mostraram preocupados os efeitos sociais e econômicos da proposta do ICMbio de proteger 85% das terras do município. Hoje, 63% do território do município é formado por unidades de conservação 14/05/2015 às 15:04
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O prefeito e vereadores de Apuí têm hoje uma reunião no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Antônio Paulo Brasília (DF)

O prefeito e vereadores do Município de Apuí (a 454,4 quilômetros de Manaus), em companhia de deputados federais e senadores do Amazonas se reúnem nesta quinta-feira (14) no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) para apresentar uma contraproposta à criação de sete novas Unidades de Conservação (UCs) e três ampliações em Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba e Maués, totalizando quatro milhões de hectares. A previsão é que as unidades sejam homologadas em 5 de junho deste ano, nas comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente.

A senadora Sandra Braga (PMDB-AM) e o deputado Marcos Rotta (PMDB-AM) receberam nesta quarta-feira (13) o prefeito Adimilson Nogueira, o presidente da Câmara de Apuí, Marcos Lima, e membros da Comissão Municipal que analisa a proposta das novas Unidades de Conservação. Eles expuseram as preocupações que têm levado a população a temer pela demarcação das novas áreas.

Contra os quatro milhões de hectares, está propondo a redução para três milhões de hectares a área a ser demarcada pelo ICMbio. “Não somos contra a criação dessas unidades, mas precisamos ao menos discutir uma nova proposta que seja boa tanto para o meio ambiente quanto para o município”, argumentou o prefeito de Apuí, Admilson Nogueira.

Segundo ele, dentro do perímetro desenhado pelo ICMbio para a criação das unidades de conservação estão o aeroporto da cidade, homologado desde 1974, e um porto em construção por onde será escoado toda a produção do município. “Se isso se concretizar, haverá desemprego e aumento da criminalidade”, declarou o prefeito.

O Instituto Chico Mendes realizou audiência pública, em Apuí, para discutir a criação das UCs no dia 28 de abril e no dia 29, no distrito de Santo Antônio do Matupi, em Manicoré. O prefeito criticou a audiência, dizendo que houve pouca divulgação e que os estudos do ICMbio, iniciados em 2004 e intensificados em agosto do ano passado, são tecnicamente insuficientes.

Segundo Adimilson Nogueira, Apuí já conta hoje com 63% de seu território com unidades de conservação e reservas extrativistas. Com as novas UCs, o índice subirá para 85%. “Nosso município vai ficar engessado, sem condições de tocar a economia, a produção leiteira e tudo o que se produz em Apuí”, reclamou o presidente da Câmara Municipal, Marcos Lima.

Senadora promete intervir

Após ouvir os clamores dos políticos e produtores rurais de Apuí, a senadora Sandra Braga disse que vai intermediar uma conversa do grupo com o Ministério do Meio Ambiente para resolver o impasse. O deputado Marcos Rotta, que acompanha a reunião no ICMbio também é favorável à redução da área e diz se preocupar com a economia e o desenvolvimento de Apuí e dos demais municípios envolvidos na criação das novas unidades da conservação.

Sandra Braga lembrou que já havia tratado do assunto com a ministra Izabella Teixeira, no mês de março, mas que as novas informações são preocupantes. “Quando conversamos, a ministra nos disse que haveria diálogo e que o governo não faria nada sem antes consultar o município, mas diante das novas informações, vemos que é uma questão de vida ou morte para o município. Por isso precisamos conversar urgentemente com a ministra”, declarou a senadora.

Ela disse ainda que entende a preocupação do ministério em evitar novos desmatamentos e proteger a floresta amazônica contra a produção predatória, mas que é preciso focar as ações preventivas em áreas onde a degradação ambiental pode se concretizar.

Prejuízo

O prefeito e vereadores de Apuí temem que a criação das novas Unidades de Conservação a serem criadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) prejudique o ecoturismo, a pesca esportiva, a extração de seixo que atende a 30% da construção civil do Estado e ainda a futura extração de fosfato. Os políticos argumentam que a exploração desses minérios podem ser feitas de forma sustentável. O ICMbio se preocupa com o avanço do desmatamento no sul do Estado do Amazonas.

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