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Amazônia
CIÊNCIA

Poluentes químicos afetam reprodução e feminilizam peixes, aponta estudo

Assunto foi apresentado no encerramento do 11º Simpósio Internacional de Fisiologia da Reprodução, em Manaus, pelo professor Charles Tyler, da University of Exeter (Inglaterra) 09/06/2018 às 14:57
Show peixe
Foto: Divulgação
acritica.com* Manaus (AM)

Águas de rios e mares de várias partes do mundo contaminadas por poluentes químicos estão provocando a feminilização de peixes, em função dos poluentes terem um alto nível de estrogênio, o hormônio sexual feminino produzido nos ovários. O assunto foi apresentado nessa sexta-feira (8) no encerramento do 11º Simpósio Internacional de Fisiologia da Reprodução (ISRPF), que desde o último domingo (3) reuniu em Manaus os maiores especialistas da área.

O professor da University of Exeter (Inglaterra), Charles Tyler, busca entender em seus estudos como os poluentes químicos, que de uma forma ou de outra sempre vão parar nas águas, impactam o funcionamento da vida selvagem, mais especificamente de peixes, o grupo selvagem mais exposto a poluentes. Uma das propostas do biólogo especializado em reprodução de peixes e ambientalista é ajudar na proteção da vida selvagem dos peixes nesses ambientes.

Há cerca de 100 mil tipos de poluentes químicos no ambiente e de forma regular são despejados pelo menos 30 mil. Produtos farmacêuticos como os anticoncepcionais, veterinários, cosméticos, de higiene, limpeza e agrotóxicos estão na lista.

A equipe de Tyler está interessada nos poluentes que ferem ou mutilam o sistema reprodutivo dos peixes. Muitas evidências mostram que eles podem modificar a maneira com que os peixes desenvolvem seu sexo, afetando a habilidade das espécies de se reproduzir e a reprodução é importantíssima para se continuar com essas populações animais.

Segundo o pesquisador, um dos maiores desafios da ecotoxicologia é os efeitos desses poluentes químicos no tamanho da população, e na maioria dos casos os estudos encontram problemas na população de peixes no mundo, incluindo até extinção e perda local dessas populações. “O que se vê é que esses poluentes têm um nível muito alto de estrogênio e isso tem causado uma feminilização da população, mas ainda não dá para dizer que é isso que está fazendo extinguir”, destacou Tyler.

A maioria desses estudos é feito nos Estados Unidos, Europa e Austrália. No Brasil eles ainda estão iniciando, inclusive incluindo como área de pesquisa a Bacia Amazônica. “Não há dúvida de que temos problema de poluição na Amazônia, mas não se sabe se o problema aqui é tão grande quanto já é na Europa”, conta.

Na Bacia Amazônica há um sistema de rios enorme que dá uma capacidade maior de diluição dos poluentes. “É muito provável que os problemas que percebemos na Europa e no resto do mundo também ocorram na Bacia Amazônica. Agora o nível e o grau de impacto ainda estão por ser estudados”, completou.

Apesar de se desanimar em alguns momentos, Tyler diz ser otimista na busca de soluções para os problemas apresentados. Além de pesquisador, também trabalha junto a governos internacionais levando informações relevantes para que possam ser usadas da melhor maneira pelos órgãos públicos. Educação ambiental e internalização de valores de proteção ao ambiente nas gerações mais jovens para que elas se apaixonem por essa causa também são consideradas vitais no processo.

“Sou apaixonado pelo meio ambiente. É por isso que faço o trabalho que eu faço, fico bastante deprimido às vezes, quando vejo que mesmo quando se tem muita informação, passa para os governos, eles simplesmente não usam porque vai contra o interesse de uma grande empresa. Então fico muito frustrado às vezes. Aí me lembro de que tenho de ser dogmático sobre essas questões”, revelou.

Apoio e Financiamento

Presidido pelo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o pesquisador Luiz Renato de França, o ISRPF ocorreu pela primeira vez na América Latina. Mais de 200 cientistas, profissionais e estudantes de 30 países participaram do Simpósio, 40% são brasileiros. “Estamos extremamente felizes com o resultado e com a sensação de dever bem cumprido”, destacou França, que foi homenageado com um pirarucu entalhado em madeira, peixe símbolo do evento, e flores.

O Simpósio tem o financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Recebe ainda o apoio do Inpa/Manaus, das universidades Federal de Minas Gerais (UFMG), Nilton Lins (Manaus) e Estadual Paulista (Unesp/Botucatu), além da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Amazônia Ocidental (Embrapa/Manaus).

*Com informações da assessoria de imprensa.

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