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Poluição nos igarapés de Manaus pode criar sapos mutantes, diz pesquisador do Inpa

Feita no Igarapé do Quarenta, considerado um dos mais poluídos da cidade, a pesquisa analisou a reação de sapos que vivem no local; trabalho apontou que a sujeira afeta até expressão genética dos animais 15/09/2014 às 19:53
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O Igarapé do Quarenta atravessa bairros como Betânia e Japiim e é considerado um dos mais poluídos da cidade
ACRITICA.COM* Manaus (AM)

A poluição é um problema conhecido – e recorrente – no meio urbano em Manaus. De áreas florestais devastadas a igarapés aterrados, que alteraram quase completamente o mapa da cidade no último século, a paisagem natural em Manaus é vítima frequente da intervenção humana.

O modo como isso afeta e prejudica a vida das espécies animais na cidade motivou a nova pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Conduzido por Felipe Oliveira Franco de Sá, aluno do Programa de Pós-Graduação em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva da instituição (GCBev/INPA/MCTI), o estudo “Efeito da poluição do Igarapé do Quarenta sobre a expressão gênica e o desenvolvimento larvário dos anuros Rhinella granulosa e Scinax ruber” promete responder a importantes questionamentos.

Segundo Felipe, a poluição do igarapé pode afetar a expressão gênica dos animais, ou seja, influenciar na formação e desenvolvimento das espécies estudadas, levando a malformações e atrofias, além de impactar duramente em sua alimentação. “O Igarapé do Quarenta é considerado um dos mais contaminados da cidade, porque recebe esgoto doméstico e industrial dos bairros onde percorre. Porém, em suas margens ainda é possível encontrar algumas espécies de anuros, como a Scinax ruber, conhecida como gia, e a Rhinella granulosa, denominada cururu”, explicou, referindo-se às espécies de sapos que foram objeto do estudo.

Na primeira etapa do trabalho, Jorge Franco-Sá comparou a sensibilidade das duas espécies ao cobre e verificou a capacidade poluente do metal em igarapés urbanos utilizando girinos e ovos. Para o experimento, que durou quatro dias, foram necessárias três desovas de Scinax e três de Rhinella, coletadas próximas ao Igarapé do Barro Branco, na Reserva Florestal Adolpho Ducke, considerada uma área livre de poluentes. O cloreto de cobre foi diluído na água do Igarapé do Barro Branco e diferentes análises foram realizadas.

Ainda de acordo com Sá, a capital amazonense é cortada por um grande número de igarapés com predominância de águas pretas que possuem uma composição físico-química diferente da encontrada em águas de outras regiões brasileiras. Dentre as principais características das águas pretas estão o baixo pH, as baixas concentrações de nutrientes e condutividade elétrica, e as altas concentrações de ácidos húmicos (compostos orgânicos naturalmente encontrados em solos, sedimentos e na água e são resultantes da transformação de resíduos vegetais).

* Com informações de Ana Luisa Hernandes-LEEM/Inpa.

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