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Prejuízos da produção rural com enchente deste ano podem chegar a R$ 13 milhões

Cheia dos rios atinge áreas produtivas e compromete a renda nas calhas dos rios Purus e Juruá. Preços devem subir em quase todo o Estado 28/02/2015 às 12:15
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Com perdas na safra e aumento nos custos de produção, prejuízo deve chegar logo ao consumidor amazonense
natália caplan Manaus (AM)

O Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) confirmou o temor de quem depende do setor primário: 2015 começa com saldo negativo de R$ 13.362.750,96. O débito está no relatório de levantamento das perdas agrícolas da cheia, que se refere ao período de 1º de janeiro até 27 de fevereiro (ontem), e deve-se a cheia nas calhas dos rios Purus e Juruá.

Com perdas na safra e aumento nos custos de produção, esse prejuízo deve chegar logo ao consumidor. “Nós, do setor rural, temos momentos de safra e entressafra. Se tiver queda pela questão da cheia aí há risco de aumento dos preços”, disse o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço. “É a lei de mercado: quanto menor a oferta, maior o preço”, completou.

De acordo com o documento divulgado pelo Idam, os municípios de Itamarati, Guajará, Envira, Canutama, Eirunepé e Ipixuna estão em estado de emergência — os dois últimos, inclusive, ainda estão sob avaliação do órgão para levantar os prejuízos. Já Lábrea e Boca do Acre estão em atenção, pois apresentam perdas significativas. Em alerta, Tabatinga também registrou danos à produção agrícola.

“Ainda está no começo da cheia, mas há uma preocupação muito grande, o ritmo de subida das águas está acelerado. Outro fator é que a vazante dos rios no ano passado foi curta. Segundo os órgãos meteorológicos não há perspectiva de superar a cheia histórica de 2012. Mas há prejuízos econômicos em determinadas calhas de rios, principalmente Juruá, Purus e Alto Solimões, e em uma pequena parte do Madeira”, informou o gestor.

Carne mais cara

De acordo com Muni Lourenço, as produções mais atingidas são as localizadas nas regiões de várzea, como banana, melancia, mandioca e maracujá. Entretanto, o preço da carne também poderá ficar mais salgado, pois os criadores precisam seguir uma programação que inclui levar o gado para esse mesmo tipo de vegetação característica da região amazônica. Nessa mata de inundação temporária, a variedade de vegetais é importante para a alimentação dos animais.

“A pecuária também é atingida, porque boa parte do rebanho é criado em regime de várzea e terra firme. Com essa cheia e vazante curta, o período que os animais vão passar em várzea será menor. Assim, transferidos mais cedo para as pastagens de terra firme, o custo de produção aumenta para o criador, que precisa investir em suplementação alimentar, com ração”, explica o presidente da Faea.

Com 2.412 famílias prejudicadas diretamente pela perda de safra nas áreas de cheia dos rios, segundo o relatório do Idam, nos próximos meses será a vez das que moram em Manaus e consomem os produtos da área rural sentirem o prejuízo no bolso. Porém, ainda não é possível prever exatamente quando e quanto cada produto aumentará.

Acompanhamento é  semanal

De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam),  um relatório será feito semanalmente para acompanhar as perdas agrícolas durante a cheia dos rios. O documento divulgado ontem se refere ao período de 1º de janeiro a 27 de fevereiro.


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