Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
Meio ambiente

Premiação atrai novos parceiros para projeto Manejo Pesqueiro do Pirarucu

Iniciativa amazonense conta o que mudou com o Prêmio Nacional da Biodiversidade. Inscrições para a próxima edição estão abertas e seguem até o dia 22 de outubro



pirarucu.JPG O projeto envolve cerca de 90 pessoas de cinco aldeias e três terras indígenas na região do Médio Purus, sul do Amazonas. Foto: Reprodução/Internet
09/08/2016 às 21:22

Um ano após levar o Prêmio Nacional da Biodiversidade na categoria Sociedade Civil, a Operação Amazônia Nativa (OPAN) comemora os êxitos do projeto Manejo Pesqueiro do Pirarucu. O coordenador do programa Amazonas na entidade, Gustavo Silveira, afirma que o prêmio foi muito importante não apenas institucionalmente, mas para a população indígena envolvida.

“As lideranças Paumari ficaram muito felizes por ver um trabalho tão duro, realizado no mato, escondido, ter um reconhecimento externo. Eles pediram para fazer banners do certificado e os colocaram nos postos de vigilância”. Gustavo conta que, após a vitória, foram feitas matérias sobre o projeto que ajudaram a atrair novos parceiros e deram visibilidade à ação. “Foi muito significativo para todos nós”, lembra.

O projeto envolve cerca de 90 pessoas de cinco aldeias e três terras indígenas na região do Médio Purus, sul do Amazonas. A parceria começou em 2009, quando a OPAN foi procurada pelos indígenas para investir na atividade pesqueira na região. “Na época,  o cenário encontrado era o seguinte: os índios alugavam suas lagoas para barcos pesqueiros de Manaus e em troca recebiam um pouco de gasolina, comida, muitas vezes vencida, e motores de luz. Cada aldeia fazia sua própria negociação. E os peixes capturados, que deviam ter 1,5m, não passavam de 80cm. Quando esses pescadores encontravam espécies mais rentáveis jogavam fora o resultado da pesca do dia”, relata Gustavo.

Risco de desaparecer

Após o diagnóstico, a OPAN percebeu que, com a pesca ilegal, a população do pirarucu iria desaparecer em, aproximadamente, cinco anos. A proposta foi envolver a população em uma ação que abrangia o monitoramento, a contagem do peixe, a fiscalização contra atividades predatórias, organização e gestão comunitárias. E o mais difícil: a proibição da pesca por alguns anos.

De acordo com ele, não foi fácil convencer os Paumari sobre a viabilidade da proposta. Mas, aos poucos, eles se engajaram. E os resultados vieram. Na época, o número de indivíduos adultos encontrados foi de 80. Em 2015, chegou a 891, apontando um aumento de mais de 900%. A pesca é liberada uma vez ao ano, no período da seca amazônica.

“A gente está acreditando no projeto,  então está acreditando no nosso trabalho e vendo nosso futuro”,  afirma Jurandir Paumari, no video Paumari: O povo da Água, disponível na Internet. “Hoje há segurança alimentar, fartura, venda do excedente. Mas a comercialização do peixe é apenas um ganho, entre tantos outros que os Paumari obtiveram, principalmente na gestão comunitária. Hoje eles tocam a ação com a autonomia”, finaliza Gustavo.

Reconhecimento

Iniciativas, atividades e projetos concluídos ou em estágio avançado de execução, que apresentem resultados e impactos comprovados para a melhoria do estado de conservação da biodiversidade brasileira, podem participar da segunda edição do Prêmio Nacional da Biodiversidade (PNB).

As inscrições estão abertas até 22 de outubro. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (SBF/MMA). Tem como objetivo reconhecer ações que se destacam na contribuição para o alcance das Metas Nacionais de Biodiversidade.

Em sua segunda edição, o PNB contempla sete categorias: Sociedade Civil, Empresas, Iniciativas, Comunitárias, Academia, Órgãos públicos, Imprensa e, Ministério do Meio Ambiente. A Comissão Julgadora selecionará três finalistas e um vencedor em cada categoria,  de acordo com os seguintes critérios: estado de conservação da espécie; impacto; caráter social; e inovação.

Premiação

Os vencedores serão agraciados com troféu e certificado, em solenidade no dia 22 de maio de 2017, em Brasília-DF, quando se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade. Também será concedido o Prêmio Especial “Júri Popular”, cujo resultado é definido por votação eletrônica no sítio do MMA.

São elegíveis iniciativas que promovam a manutenção ou a mudança para uma categoria de menor risco de extinção da espécie ou demonstrem evidências claras que comprovem o alcance de, ao menos um, dos seguintes itens: Redução do declínio ou aumento do tamanho da população; redução da fragmentação ou aumento da conectividade entre as subpopulações; ampliação da área de distribuição da espécie, mesmo que seja por identificação de novas áreas ou; redução das ameaças às populações das espécies.

Cronograma

Inscrições: 30 de junho de 2016 a 22 de outubro de 2016
Avaliação: até 18 de abril de 2017
Divulgação dos finalistas: 22 de abril de 2017
Cerimônia de premiação: 22 de maio de 2017

Acesse o Edital (Edital nº 1, de 28 de junho de 2016)

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