Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Amazônia

Produção rural do Amazonas sofrerá prejuízo de R$ 33 milhões com as cheias dos rios

O volume representa as perdas produtivas do setor primário do Estado em função da enchente que já afeta 5,5 mil famílias



1.jpg Até o final de abril, mais de 5,5 mil famílias distribuídas em 21 municípios já foram afetadas pela cheia
05/05/2015 às 10:22

Há  pouco mais de um mês para o ápice da cheia, o Amazonas já contabiliza R$ 33,6 milhões em perdas produtivas dos setores de agricultura e pecuária em função do aumento do nível das águas. A informação foi divulgada ontem pelo Instituto de Desenvolvimento Rural e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam).

Até o final de abril, segundo o Levantamento de Perdas Agrícolas da Produção Rural da Cheia de 2015, elaborado pelo órgão, 5.565 famílias distribuídas em 21 municípios já foram afetadas. Conforme o levantamento, estão em situação de emergência, seis municípios na calha do Rio Juruá (Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé, Itamarati e Carauari) e mais quatro – Lábrea, Canutama, Pauini e Tapauá – na calha do Rio Purus.

No Alto Solimões, estão em situação emergencial, Benjamim Constant, Tabatinga, Atalaia do Norte, Amaturá, Santo Antonio do Içá, São Paulo de Olivença e Tonantins. O município de Boca do Acre está em estado calamidade pública e os municípios de Tefé, Anamã e Manacapuru, no Médio Solimões, já apresentaram as primeiras perdas.

Até o momento, a produção de farinha de mandioca foi a mais atingida, com perdas de 4, 8 mil toneladas e prejuízos de R$ R$ 19,3 milhões. Em segundo lugar na lista de perdas está o cultivo da banana com R$ 8,1 milhões e, em terceiro, as hortaliças representaram 1,3 milhão em perdas produtivas.

Na pecuária, foram registradas a perda de 654 cabeças de gado (R$ 457,8 mil), 2.427 suínos (R$ 485,4 mil) e 15.269 aves (R$ 152,2 mil). A criação e venda do pescado também foi comprometida pela perda de nove toneladas de peixe e R$ 27 mil.

Prejuízos

Segundo  o diretor-presidente  do Idam, Edimar Vizolli, as perdas são representativas, mas devem ficar bem abaixo dos prejuízos registrados no ano passado pelo setor rural, que foi de aproximadamente R$ 130 milhões.

“Não devemos chegar à metade desse valor. Apesar do grande volume de  plantações perdidas nas calhas do Purus e Juruá, em 2014, enfrentamos sérios problemas com os municípios da calha do Madeira, situação que não ocorreu este ano”, justificou.

Em todo caso, segundo o dirigente,  o Instituto em parceria com a Secretaria de Produção Rural e  Sustentabilidade (Sepror) e com a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), já está estudando formas para viabilizar a aquisição de sementes e mudas e a implementação de  crédito subsidiado.

“Também vamos avaliar se a anistia das dívidas dos produtores relativas a financiamentos será necessária. Em no máximo 60 dias esperamos ter um plano bem desenhado” projetou.

Municípios

O município de Envira, na calha do Rio Juruá, foi a localidade que registrou o maior volume de prejuízos (R$ 15,2 milhões). Já os municípios de Tabatinga e Boa do Acre registraram o maior número de famílias afetadas pela cheia até o momento, 1.170  e 897,  respectivamente.

BLOG: Muni Lourenço, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do AM

“O volume  de perdas,  apesar de ser bem inferior ao mesmo período dos anos anteriores, ainda é alarmante. Ele representa mais um ano seguido de prejuízos aos produtores. Não há mais intervalos entre as grandes cheias no Estado e a situação é preocupante. Portanto, já encaminhamos proposições para a Assembleia Legislativa (Aleam), ao governo estadual e a parlamentares em Brasília no sentido de minimizar os impactos e obter anistias parciais e totais dos financiamentos tomados pelos produtores.Também propusemos a renegociação dessas dívidas em condições especiais e concessão de linhas de crédito para que eles possam retomar as atividades e viabilizá-los para que eles possam manter-se na atividade”.






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