Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
Amazônia

Programa de manejo do pirarucu vem transformando a vida de famílias no interior do Amazonas

Com objetivo de aumentar renda familiar de pescadores tradicionais e índios da região, subprojeto de manejo comunitário de lagos foi implantado seguindo moldes da RDS Mamirauá



1.jpg O projeto de manejo de pirarucu implantado nos municípios de Fonte Boa, Jutaí, Tonantins e São Paulo de Olivença segue os mesmos ‘moldes’ do programa realizado há anos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá
23/05/2015 às 16:21

Pelo menos 1.500 famílias de quatro municípios do Alto Solimões melhoraram de vida e agora possuem uma renda familiar mensal de até R$ 3.400. A “guinada” foi possível com o Projeto de Desenvolvimento Sustentável e Serviços Básicos, que além de executar políticas na área de saneamento e saúde, implantou um programa de manejo de pesca do pirarucu (Arapaima gigas) em Fonte Boa, Jutaí, Tonantins e São Paulo de Olivença.

Com o objetivo de aumentar a renda familiar e a qualidade de vida dos pescadores tradicionais e índios da região, o subprojeto de manejo comunitário de lagos foi implantado seguindo os moldes do programa que é executado na região de Mamirauá, referência no manejo de pirarucu no Estado.



“Foi um ganho muito grande para os moradores das comunidades. O manejo fortaleceu muito a questão da preservação da espécie. Os pescadores foram treinados para o manejo de pesca e tiveram melhoria de renda. Antes existiam muitos conflitos nos lagos entre pescadores, ribeirinhos e indígenas. Mas agora há um mapeamento e tudo é bem ordenado”, conta o coordenador executivo do projeto, Geraldo Couto.

Desde 2009, quatro associações passaram a ser apoiadas pelo projeto, desenvolvido pelo Governo do Estado com apoio do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), visando o ordenamento da pesca por meio do processo do uso sustentável e monitoramento comunitário participativo.

“Do ponto de vista econômico, a Taxa Interna de Retorno (TIR) girou em torno de 55%. Ou seja, retorno extremamente expressivo, o que demostra que a iniciativa pode ser replicada em outras regiões do Estado”, explicou o coordenador de análise econômica do projeto, Sérgio Gonçalves.

De acordo com os coordenadores, a organização social e comunitária melhorou expressivamente depois da implantação do projeto, aumentando a participação inclusive das mulheres nos assuntos comunitários, proporcionando, ainda, segurança alimentar com o aumento dos estoques pesqueiros, ampliando os conhecimentos técnicos, diminuindo a venda ilegal de pirarucu, e estreitando laços entre a comunidade.

O monitoramento e assistência técnica foram realizados com apoio das prefeituras, Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) e uma engenheira de pesca do projeto.

Outras ações

Ampliação e adequação da infraestrutura da Usina da Castanha em Amaturá, aproveitamento de resíduos da madeira em Fonte Boa, reforma, ampliação e reestruturação da estação de piscicultura em Benjamin Constant, construção de estação de tratamento de água e da clínica de fisioterapia do Hospital de Guarnição de Tabatinga também fazem parte das ações contempladas pelo Projeto de Desenvolvimento Sustentável e Serviços Básicos do Alto Solimões.


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