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Projeto 'Barco-Biblioteca' leva literatura e arte às comunidades ribeirinhas do AM

Na manhã deste sábado (25) o ‘Barco-Biblioteca’ parte em sua 6ª viagem, que dessa vez, será trilhada pelo Rio Amazonas em busca das comunidades mais próximas. De acordo com Elaine Elamid, presidente do Instituto Ler Para Crescer (que concentra o projeto Barco-Biblioteca), a premissa principal do projeto é incentivar a leitura e a sensibilização ambiental 24/05/2013 às 20:29
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Entre as comunidades que o ‘Barco-Biblioteca’ já visitou, estão as comunidades Samaúma, Bela Vista e Morro Alto. O projeto já atingiu mais de quinhentas crianças ribeirinhas
Laynna Feitoza Manaus, AM

Levar literatura infanto-juvenil por meio das águas dos rios amazônicos às comunidades ribeirinhas do interior do estado. É com essa proposta que, desde 2012, o projeto ‘Barco-Biblioteca’ compartilha histórias e mescla culturas por meio da arte circense, teatral e literária, além de fomentar a sensibilização ambiental entre os moradores das comunidades e com os voluntários do projeto.

Na manhã deste sábado (25) o ‘Barco-Biblioteca’ parte em sua 6ª viagem, que dessa vez, será trilhada pelo Rio Amazonas em busca das comunidades mais próximas. De acordo com Elaine Elamid, presidente do Instituto Ler Para Crescer (que concentra o projeto Barco-Biblioteca) explica que a unidade foi fundada em 2011 por ela e pelo esposo, Tommaso Lombardi, mas já existe como projeto desde 2006. Ainda segundo Elamid, a premissa principal do projeto é incentivar a leitura e a sensibilização ambiental.



“Ano passado fizemos quatro viagens. Em cada viagem visitamos de quatro a cinco comunidades, sendo que cada comunidade possui cerca de 50 pessoas”, afirmou Elaine. Conforme a presidente do instituto que abriga o projeto, o barco percorre os rios em uma busca aleatória pelas comunidades: não há um roteiro traçado. Segundo ela, as visitas soam em caráter-surpresa para os moradores das comunidades visitadas.

“Escolhemos as comunidades por acaso. Chegamos sem planejar. Geralmente avistamos a comunidade e paramos. Pedimos permissão aos responsáveis pelas comunidades e dizemos que em 30 minutos começaremos as atividades. Reunimos com as crianças na própria comunidade, muitas vezes em igrejas, galpões ou debaixo de árvores”, relatou Elaine. O barco permanece, em cada comunidade, cerca de duas a três horas. Ao término da visita em um núcleo, os voluntários seguem para o próximo destino.

Cultura e consciência ambiental de mãos dadas

O barco já percorreu o Rio Solimões em viagens anteriores, passando pelos municípios de Iranduba, Manacapuru, Manaquiri, Careiro Castanho e a Vila do Janauacá, de acordo com Elamid. Ao desembarcarem nas comunidades, o roteiro de atividades é composto pelo show de palhaços, onde os próprios voluntários pintam os rostos das crianças e montam o cenário. Após a apresentação dos palhaços, os 15 voluntários do projeto (compostos por pessoas das mais variadas profissões) vestem a roupa de atores e encenam uma peça baseada no livro ‘O Guardião das Florestas’, da autoria de Maria Cristina Furtado.

“Essa história fala sobre a lenda do curupira e a consciência ambiental. O conto aborda uma menininha que mora no Rio de Janeiro, mas que possui descendência indígena. Ao voltar para a Amazônia, ela se depara com toda uma situação de degradação ambiental, como a contaminação dos rios, a morte de animais para tráfico, entre outros casos. Ela se une ao curupira e a mais um tio, e eles salvam a floresta”, assegurou Elaine. Ainda segundo ela, os espetáculos integram as crianças na encenação: junto aos voluntários, os pequenos ainda podem viver alguns personagens da história.

Interação e adaptação à natureza



O momento da leitura inicia após o espetáculo teatral. De acordo com a presidente, os voluntários viajam com um acervo de 200 livros infanto-juvenis, onde, em muitas vezes, as crianças têm o seu primeiro contato com a literatura infantil, destacou Elaine. O acervo pertence às sete bibliotecas do instituto. “Na última temporada deixamos os livros nas comunidades. Sempre há muita curiosidade por parte das crianças”, alegou. Entre as comunidades que o ‘Barco-Biblioteca’ já visitou, estão as comunidades Samaúma, Bela Vista e Morro Alto. O projeto já atingiu mais de quinhentas crianças ribeirinhas.

A interação com a realidade amazônica e com os fenômenos naturais é o ponto alto das temporadas, destacou Elaine. Segundo ela, algumas das viagens já ocorreram em períodos de seca ou cheia no interior. “Há uma comunidade que visitamos onde atracamos o barco em um flutuante. As casas estavam todas com água pela metade do comprimento delas, e muitas utilizavam a maromba, uma espécie de piso de sustentação, para fugir dos efeitos da cheia. Como não havia terra firme, realizamos as atividades no barco mesmo. Levamos as crianças para lá e foi muito emocionante”, recordou Elamid.



Ao todo, o projeto ‘Barco-Biblioteca’ concentra 25 voluntários, que se distribuem entre diversas profissões, como estudantes, engenheiros e advogados, informou Elaine. “Essas pessoas desenvolvem as atividades que estão ali, são voluntários que mesmo não sendo artistas ou professores incorporam qualquer coisa”, declarou.

Para realizar os projetos do Instituto Ler Para Crescer, a unidade possui alguns parceiros e conta com algumas doações. “Ano passado os voluntários é quem custeavam as viagens. Esse ano conseguimos doação para pagar o aluguel do barco. Apesar da doação, os voluntários continuam contribuindo”, informou Elaine.

Interligação


Uma das próximas etapas do ‘Barco-Biblioteca’ é fazer com que os membros das comunidades preencham uma espécie de formulário socioeconômico, para que os voluntários do instituto possam aperfeiçoar suas ações. Elaine explica que o intuito é criar uma ponte entre os comunitários e outros projetos.

“A partir deste projeto vamos começar a fazer uma pesquisa. Trabalharemos com um formulário do Ministério da Agricultura sobre as comunidades rurais. Vamos realizar essas pesquisas para deixar nossas ações mais completas, e para que os comunitários sejam beneficiados pelo projeto ‘Arca das Letras’, do Ministério da Agricultura, que possui ações voltadas para o estímulo da cultura e educação”, ressaltou.

Para os interessados em se voluntariar ou efetuar doações ao projeto ‘Barco-Biblioteca’, estão disponíveis os números (92) 3082-6833 e (92) 9345-1063, ou pelo email institutolerparacrescer@gmail.com. O Instituto Ler Para Crescer localiza-se na Rua Nossa Senhora de Nazaré, 215, bairro Colônia Terra Nova.


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