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Projeto de instituto de tecnologia no Amazonas estimula a produção de tintas ecológicas feitas de terra

Denominado "Tons da terra, Fabricação de tinta ecológica a partir do solo", o projeto recebeu um premiação da Fundação Banco do Brasil 19/11/2013 às 09:13
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Tonalidades das tintas são bonitas e têm durabilidade comprovada
Ana Célia Ossame Manaus, AM

A química é uma ciência que estuda a estrutura das substâncias e tem importância fundamental para o conhecimento da vida, mas suas fórmulas conseguem intimidar estudantes ao ponto de ser rejeitada pela maioria. Preocupada em mudar essa realidade, a professora de Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), Fernanda Villani, encontrou uma fórmula divertida e lúdica para ensinar a disciplina, levando os alunos de graduação a produzir tinta ecológica com tecnologia social simples e de baixo custo.

O projeto, denominado “Tons da Terra, Fabricação de tinta ecológica a partir do solo” premiado este ano pela Fundação Banco do Brasil em Tecnologia Social, após beneficiar a comunidade Asamor, situada no Ramal do Pau Rosa, na Zona Norte da cidade, levou os moradores a aprenderem a ter a casa pintada de forma econômica e prática. Quem foi a campo foram os estudantes de licenciatura de Química do Ifam envolvidos no projeto, caso de Ludimilla Souza Peres, 19, do 4º período do curso de Processamento de Química, Seigon Xavier, 23, e Priscilla Bell Guimarães, 25, do 8º e do 6º período do curso de Licenciatura de Química, respectivamente, que aprendem como retirar tintas de diversas cores a partir de oito tipos de solo, de várias tonalidades. Um dos locais onde é possível comprovar a quialidade do material produzido é o muro da casa onde mora a professora, na Zona Oeste.  As paredes ganharam tonalidade amarela, rosa e cinza, mas tinta ainda pode ser usada em madeira ou outro material como tijolos, com experiência testada e aprovada.

EXPERIÊNCIAS

O processo inicial é o recolhimento de diversos tipos de solo, que permitem a produção de tintas de variadas cores. Mas as experiências já abriram novos horizontes. Para Seigon, por exemplo, que vai produzir a monografia de conclusão de curso com um trabalho sobre a importância da conservação do solo, tema que segundo afirma, não ganha importância no meio ambiente. Essa decisão foi resultado dos estudos do curso de extensão feito com a professora Fernanda Villani. “Saber que 11% do solo do planeta respondem por tudo o que o homem produz deve trazer preocupação e conscientização da importância da sua preservação”, afirmou o estudante.

Já Priscila Guimarães observa os bons frutos de levar essas experiências para os alunos em sala de aula, já que é professora de Química na rede estadual. “As aulas ficam mais participativas porque são divertidas, lúdicas e grande interesse dos meus alunos”, afirmou ela, para quem esse fato torna todas as experiências em sala de aula muito interessantes.

Aprendizado interdisciplinar

A professora de Química do instituto, Fernanda Villani, dstaca outro fato importante no processo de produção das tintas ecológicas. O aprendizado não só os elementos químicos que compõem a terra, mas também a formação do solo e a localização dos tipos de terras. “Eles têm a oportunidade de receber conhecimentos de biologia, geologia e educação ambiental, numa interdisciplinaridade importante para o aprendizado”, destacou a professora, que trabalha em conjunto com o professor Gyovanni Ribeiro, também do Ifam.

De acordo com os dois, as terras do tipo Caulinita, a argila branca, que é facilmente encontrada no Amazonas,  proporciona diversas tonalidades dependendo da concentração de tinta adicionada a ela. Eles iniciamos os estudos com pigmentos oriundos de extratos naturais, como o jenipapo e urucum, para que consigamos mais cores de tintas.  Para 2014, os professores planejam firmar parceria com o Banco do Brasil para ampliar o número de oficinas ensinando a técnica”, comentou Villani.

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