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Amazônia
PROJETO

Projeto da Ufam pretende transformar o extrativismo em terras indígenas

A proposta dos estudantes, inclusive, foi vencedora do Prêmio Empreendedorismo Sustentável promovido pelo Programa Santander Universidades, na última semana 23/03/2016 às 10:59 - Atualizado em 23/03/2016 às 10:59
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Diego Ken Osoegawa com a orientadora do projeto, Ivani Ferreira (Aguilar Abecassis)
MARCELA MORAES MANAUS

Um projeto de empreendedorismo criado por um grupo de estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) quer proporcionar independência e geração de renda para os povos indígenas do Amazonas e resgatar uma tradição: o extrativismo da fibra de piaçava na região do Alto Rio Negro. O desafio dos integrantes do grupo de pesquisa “Dabukuri – Planejamento e Gestão do Território na Amazônia e do curso Licenciatura Indígena e Políticas Educacionais” é tornar a atividade, historicamente exercida por homens em situação análoga à escravidão, mais rentável e atrativa.

A proposta dos estudantes, inclusive, foi vencedora do Prêmio Empreendedorismo Sustentável promovido pelo Programa Santander Universidades, na última semana. O projeto  propõe a criação de uma associação de produção e comercialização de produtos indígenas,  batizada de “Nuya’rlitua, a Fibra do Coração”.

A ideia, conta um dos autores, Diego Ken Osoegawa, é reestruturar a cadeia da piaçava, valorizando não só a beleza do trabalho indígena, mas sua importância na conservação cultural e da biodiversidade da região. “O empreendimento tem como princípios chaves a sustentabilidade, o multiculturalismo, a economia solidária e o empreendedorismo social para se construir o bem-viver no território dos povos indígenas Werekena e Baré”, diz Diego.

O projeto, conta ele, foca no protagonismo e empoderamento indígena, a partir da redução da influência e dependência dos intermediários. “A iniciativa surgiu dos resultados de uma  pesquisa sobre a cadeia da piaçava em uma terra indígena no rio Xié, no Alto Rio Negro, que realizamos por dois anos”.Diego explica ainda que um dos objetivos das pesquisas  é produzir um vídeo e um livro na língua Yegatu. “É a língua mais falada na região. O livro servirá de material didático para os povos da região”, completou.

Participação popular

De acordo com a orientadora do projeto, a professora Ivani Ferreira de Faria, o grupo de pesquisa se baseia nas necessidades das comunidades, envolvendo-os na discussão e promovendo o empoderamento social. “Todas as informações, a concepção do projeto, os valores primordiais, tudo foi planejado em equipe, tudo foi pensado em conjunto. As demandas são feitas pelas comunidades, ou seja, os ‘problemas’ são apresentados por elas e, nesse sentido, o projeto desenvolve as pesquisas com a participação das comunidades e para atender as necessidades delas”, explicou.

Nome se inspira nas relações sociais

O nome escolhido para ‘batizar’ a associação, “Nuya’rlitua”  deriva da língua Werekena e significa “meu irmão”.   A economia desses povos indígenas, segundo os pesquisadores, é baseada nas trocas entre relações familiares e de amizade.  E não se limita à troca de produtos: vai além, com a troca de gratidão e afeto, contam eles. “Piasawa” é o nome da piaçava na língua Yegatu: Pia significa coração; Sawa significa pelo (fibra).

Daí o nome da associação: “Nuya’rlitua - a Fibra do Coração.  “A proposta é a transição de um sistema em que vigoram as injustiças sociais e o trabalho escravo para outro protagonizado pelos indígenas, tendo como base a transformação das relações sociais, para promover a autonomia indígena e a valorização da sua cultura e dos serviços ambientais, valorizando a floresta em pé”, explicou Diego.

Projeto feito de forma conjunta

O projeto foi elaborado por Diego Ken Osoegawa, Adailton Pompilho Baltazar Werekena, Eunice Gomes Cordeiro Baré, Josimar Silvano Cândido Werekena, Launirklisons Baltazar Antônio Werekena, Rodrigo Cândido Baltazar Werekena, e orientado pela professora Ivani Ferreira de Faria.

Parcerias e financiamento

O projeto contou com financiamento do CNPq e da Fapeam e contou com apoio das organizações indígenas Werekena e Baré,  do  grupo de pesquisa Dabukuri  e do curso Licenciatura Indígena e Políticas Educacionais, ambos da Ufam.

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