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Amazônia
ENTRANDO NO CLIMA!

Projeto de inclusão social faz imersão em comunidades mais afastadas do País

Criado pelo publicitário Felipe Oliveira, o Ginga FC Projeto dá oportunidade das pessoas imergirem no dia a dia de comunidades e realizarem ações sociais; projeto pode chegar ao Amazonas 21/02/2018 às 05:00 - Atualizado em 26/02/2018 às 12:32
Show gingafc
Criador do projeto Ginga FC, o publicitário Felipe Oliveira entrega bola para a produtora rural Suellen Meister, de Maués / Foto: Paulo André Nunes e Divulgação
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Na imensidão da Amazônia, os campos de futebol chegam primeiro que a modernidade, que o progresso, que os políticos. Foi com essa sensibilidade de análise que o publicitário paulista Felipe Oliveira, 29, criou a iniciativa Ginga F C. visando melhorar a vida das pessoas usando o futebol como ferramenta de desenvolvimento e inclusão social.

No início de dezembro do ano passado, ele esteve a convite da empresa Ambev em Maués (a 253 quilômetros de Manaus) para assistir à  tradicional Festa do Guaraná. Mas, além disso, de estar pela primeira vez no Amazonas, ele veio analisar locais onde ele pode desenvolver o projeto que utiliza o futebol como motivador social e beneficiador de comunidades carentes.

Sua primeira incursão no projeto ocorreu na cidade de Suruacá, em Santarém (PA), e ele prospecta chegar nas comunidades ribeirinhas da própria Maués ou no Xingu como próximos locais a receber a iniciativa, que traz benfeitorias como campos de futebol, palestras educativas, campanhas ambientais, reutilização de garrafas PETs, etc.

“Sempre gostei de futebol e cresci com aquela coisa de ser jogador. Não rolou e aí eu fiz Publicidade e Propaganda, e conforme fui ficando mais velho, viajando pelo Brasil, de férias, uma coisa que me chamava a  atenção e que começou a me despertar mais interesse nos lugares que eu ia era olhar para o futebol do dia a dia. Comecei a deixar de olhar mais para o Maracanã, Pacaembu, Mineirão, e tudo mais, e tive grande curiosidade por ver esse futebol que é praticado todos os dias pelos pescadores, ribeirinhos, índios, as pessoas das favelas, da periferia. No Rio de Janeiro temos futevôlei, a ‘altinha’”, relembra o publicitário. 

O primeiro passo foi criar uma marca que fosse focada em mostrar esse futebol. “Sempre gostei de fotografia, e quando ia aos lugares sempre levava uma câmera comigo. Via o pessoal jogando e ia tirando fotos. Criei então em 2014 o projeto Ginga FC, as redes sociais, a logomarca e comecei postando as fotos.   Uma segunda ideia que eu tinha era criar camisetas temáticas com estampas relacionadas ao futebol. Tinha vontade de vir ao Amazonas, ao Norte, e em julho de 2015 surgiu a oportunidade de fazer um trabalho voluntário para uma ONG chamada 'Saúde e Alegria', localizada em Santarém (PA), para mostrar minha trajetória e experiência em empreendedorismo e trajetória. Fiz um convite para outro amigo meu, também chamado Felipe Rigolizzo, que topou”, conta o mentor do Ginga F. C.

Ele e o amigo passaram três dias em cada comunidade, e o futebol entrou de “penetra” nisso, conta ele, tudo porque em todas as comunidades que Felipe passava tinha um campinho, com a criançada voltando da escola e jogando futebol, e os adultos lá no fim da tarde após o trabalho no campo ou na pesca, iam jogar.

“Tirei muitas fotos e ainda jogava com eles. Vi a mobilização deles indo de uma comunidade para a outra de barco, pra passar o sábado lá jogar e depois fazer a festa na beira do rio. Quando voltei pra São Paulo, com a ideia de fazer as camisetas, uma coisa que me impacientava era: bom, eu vou fazer estampas por fazer?  Vi que faltava um tema mais específico e o tema foi “Futebol no Tapajós”, criando três camisetas a partir de tecidos de garrafa PET: fiz 250 camisetas P, M e G de três modelos. Começou a rolar as vendas, muito no começo para os amigos e depois os amigos dos amigos. Quando eu vi que estava quase me aproximando para  recuperar o investimento que eu havia feito para a produção das camisas, me veio um questionamento que mudou o rumo do projeto: o que eu quero de fato com isso, só vender as camisas e colocar no meu bolso? Fazer mais? Toda essa vivência anterior me mostrou a questão da presença e do impacto que ele pode gerar positivo em lugares. Aí peguei o dinheiro, que era do lucro, e decidi investir em uma comunidade para ajudar eles através do esporte”, comenta.

Felipe pediu apoio ao pessoal da ONG “Saúde  e Alegria” para lhe indicarem uma comunidade, e a escolhida foi a Suruacá, no interior do Pará, no rio Tapajós, Município de Santarém, porque eles são carismáticos e as mulheres eram as atuais campeãs da Copa que eles organizam.

Acompanhamento pós-visitas

Felipe  faz questão de frisar que realiza um trabalho de acompanhamento das comunidades nas quais passou com o projeto. O trabalho de reciclagem gerou frutos, diz ele.

“Nós doamos a máquina recicladora de plástico e hoje eles fazem vassouras e varais e vendem para outras comunidades. De repente, quem sabe junto com empresas como o Guaraná Antarctica não vamos produzir conteúdos, surgir novas camisetas, gerar renda e daqui a 6 ou 8 meses voltar com pessoas para fazer uma grande ação com recursos?”, destaca o publicitário paulista.

“O Ginga FC e o guaraná tem muita conexão e eu volto pra São Paulo entusiasmado para aplicar coisas aqui em Maués, para impactar positivamente. Mas eu preciso conhecer mais a fundo ainda. Se eu pudesse voltar em 2018 pra escolher uma comunidade para definir o que fazer seria ótimo”, garante o mentor do Ginga FC.

Interatividade com a comunidade

Não foi de   forma imediata que o Ginga FC chegou a Suruacá, conta Felipe. Outras pessoas além dele e do amigo se interessaram em ir para a comunidade paraense. A partir daí, ele criou uma experiência de turismo comunitário, com pacote, tudo co-criando junto com o pessoal da comunidade, escolhendo de 15 a 16 famílias para receber o valor de uma diária para as pessoas visitantes dormirem dentro da casa dos moradores, ficando em rede e tomando café com eles.

“Eles só pagavam a passagem aérea, com o restante da experiência saindo entre R$ 800 a R$ 1000 por pessoa, mais pra pagar a alimentação e combustível. Somando com o valor que eu já tinha das camisetas do Ginga FC com o dinheiro das passagens compramos ferramentas e tinta.  Então, em junho, fui ao Pará com mais 35 pessoas juntas para passar cinco dias na comunidade do Suruacá e fazer toda essa vivência. Foi uma puta troca em cinco dias muito intensos de muita coisa sempre rolando, numa experiência muito imersiva”, relata Felipe. 

“Imagine cerca de 150 pessoas trabalhando num campinho de futebol, para fazer a demarcação do campo com areia preta. Com a garrafa PET reciclada fizemos a rede do gol levando uma máquina. Uma dentista deu uma palestra de higiene bucal e conseguiu e, numa parceria com a empresa Colgate, deu 200 kits para a comunidade. O pessoal do circo fez show à noite. A comunidade fez uma apresentação de teatro pra nós. Consegui um vídeo do ex-jogador da Seleção Brasileira Cafu mandando uma mensagem e um abraço pra eles. A viagem virou um pequeno documentário de 15 minutos e mais pessoas começaram a saber do projeto”.

Blog: Felipe Oliveira, publicitário, criador do Ginga F. C.

“Temos muitas comunidades que vivem, respiram e amam o futebol. Vi isso no Pará, acompanhei isso um pouco em Maués, a presença do futebol que pode gerar impacto social e emponderamento. O Ginga FC se tornou facilitador de pessoas onde eu conecto pessoas que querem participar de experiências e transformações com comunidades. E o futebol é a ferramenta, o ‘como’, a grande desculpa pra tudo isso. Mais do que entregar uma bola, uma chuteira e reformar um campinho , o que enriquece mais o projeto é toda essa troca que faz ser muito mais que isso, que entra a cultura, o turismo, a reciclagem, a moda. Ou seja, uma série de outras atividades que atuam como coadjuvantes e o futebol como grande o grande protagonista disso tudo”.

Cultura do Guaraná impressionou publicitário

O que mais impressionou Felipe Oliveira em Maués foi o guaraná. “E há semelhanças com o Pará na visão do lance da alimentação e da importância do rio seja como transporte, seja como fonte de alimentação. Nunca viu em nenhum lugar o quanto uma fruta pode movimentar em vários aspecto, seja como fonte de renda, emprego, produção, e depois isso ir para milhares de cidades ao redor do mundo. E as lendas, a festa”, diz ele. 

Contatos

Se você ficou curioso para saber mais sobre o projeto Ginga F. C. basta acessar o site gingafc.com.br, que também traz os contatos e outras formas de conhecer a iniciativa criada pelo publicitário paulista Felipe Oliveira e que pode desembarcar no Amazonas.

*O repórter viajou a Maués a convite do Guaraná Antarctica

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