Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
Amazônia

Publicação reúne 125 espécies da família botânica Fabaceae

O 'Guia da Biodiversidade de Fabaceae do Alto Rio Negro' reúne em 118 páginas ilustrações e informações relevantes sobre cada espécie coletadas durante as atividades de campo do Projeto Fronteira, no Alto Rio Negro no AM



1.jpg A publicação trata-se de uma descrição das plantas nas áreas em que a atividade de bioprospecção foi realizada
03/07/2013 às 12:15

Como resultado do Projeto Fronteira, desenvolvido entre os anos 2007 e 2011 por equipes multidisciplinares do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) na região do Alto Rio Negro (AM), o 'Guia da Biodiversidade de Fabaceae do Alto Rio Negro' reúne dados descritivos de 125 espécies de plantas da família Fabaceae com informações e ilustrações das plantas que poderão auxiliar estudantes e pesquisadores na realização de pesquisas aplicadas. Os trabalhos foram desenvolvidos em diferentes ambientes ecológicos dos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro.

O guia é uma documentação da pesquisa de campo realizada no Alto Rio Negro, e segundo o pesquisador do Inpa e autor da publicação, Luiz Augusto Gomes de Souza, trata-se de uma descrição das plantas nas áreas em que a atividade de bioprospecção foi realizada: “Para cada espécie apresenta-se o número de registro do herbário do Inpa, coordenadas geográficas do local da coleta, sinônimos botânicos, nomes populares com ênfase para as designações locais, indicativos do seu potencial de uso, complementados por informações de sua distribuição geográfica.

Segundo o pesquisador, “o levantamento dos recursos de biodiversidade em áreas pouco pesquisadas na Amazônia disponibiliza informações básicas indispensáveis para as pesquisas aplicadas de valoração de recursos vegetais da Amazônia e contribui para a conservação e preservação de sua variabilidade genética para o futuro”. Vale ressaltar que o herbário do Inpa conta atualmente com mais de 250 mil amostras de espécies de plantas.

A família

“Estima-se que a diversidade de espécies de Fabaceae (antes, Leguminosae) na Amazônia abrigue cerca de 2 mil espécies e sua característica mais popular é associar a identificação de plantas desta família botânica ao formato de fava ou vagem do seu fruto. Pertencem a família Fabaceae: o feijão, o amendoim, o grão-de-bico, a soja, lentilha, entre outros. Entretanto, dentro da mesma família, você ainda encontra árvores de 50 metros, arbustos, ervas, cipós, e outras ervas anuais (plantadas uma vez por ano). É uma família de origem essencialmente tropical”, explica Souza.

Ainda segundo o pesquisador, o principal valor econômico das leguminosas da Amazônia é a madeira, além da produção de alimentos, óleos, resinas e medicamentos. Embora a família possua grande potencial econômico para região, o interesse em catalogar a Fabaceae é também pela importância da contribuição que a família traz para o sistema de produção agrícola, já que são plantas estrategistas adaptadas a solos ácidos e de baixa fertilidade natural.

“Muitas plantas desta família se associam com a bactérias do solo do grupo dos rizóbios, e por meio da simbiose que se estabelece com a entrada da bactéria na planta são desenvolvidos nódulos em suas raízes. Nessa associação, entre planta e bactéria, há a captação de um nutriente essencial para a planta, que é o nitrogênio, cujos estoques estão na atmosfera e não no solo”, explica o autor.

Souza ainda destaca a colaboração dos índios da região para a localização e descrição das espécies: “Essa troca de conhecimento foi muito rica, o livro não teria existido sem essa colaboração. Inclusive há espécies, como a Monopteryx uaucu Benth (popularmente conhecida como uacu ou uaucu), ou Tachigali hipoleuca (tachi-do-igapó), que foram pouco pesquisadas como plantas de frutos comestíveis e essa informação tem origem nas populações tradicionais”.

Preservação da biodiversidade

A importância de estudo da Fabaceae para a preservação e conservação dos recursos biológicos não se restringe apenas a esta família. De acordo com o pesquisador, uma espécie cujo potencial de uso hoje é desconhecido pode correr o risco de extinção, caso seja evidenciado, por exemplo, um potencial curativo como fitoterápico, ou outro, e ainda se não houver pesquisas suficientes que indiquem como manejá-la.

“Preservar a biodiversidade se tornou uma necessidade dos nossos tempos, é uma obrigatoriedade para garantir uma possibilidade de vida no futuro. A variedade em espécies é uma propriedade que garante a resiliência dos ecossistemas, ou seja, sua possibilidade de resistir a impactos e distúrbios. A Amazônia é muito grande, por isso precisamos de ações para conhecer o que temos, para que essa diversidade não seja perdida e preserve-se para as próximas gerações assim como os índios do Alto Rio Negro nos entregaram”, conclui.

* Com informações da assessoria

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