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Amazônia
floresta virando carvão

Focos de queimadas e incêndios no Amazonas cresceram 448% em 2016

Em comparação com o mesmo período de 2015, primeiro semestre deste ano está sendo ainda mais preocupante 14/06/2016 às 21:49 - Atualizado em 15/06/2016 às 11:02
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Além disso, há previsão de que a vazante seja de grandes proporções nos rios da Amazônia, o que pode complicar ainda mais a situação
Silane Souza Manaus (AM)

Esse ano, o Amazonas registrou mais de 1,2 mil focos de queimadas e incêndios – 448% a mais que o apontado no mesmo período de 2015 – de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisadas Espaciais (Inpe). O número preocupa as autoridades ambientais, uma vez que, a partir desse mês, a região deve entrar na estação seca, onde a ocorrência de chuvas diminui e facilita a proliferação dos sinistros. Além disso, há previsão de que a vazante seja de grandes proporções nos rios da Amazônia, o que pode complicar ainda mais a situação.

Para evitar que o Estado volte a ter recorde de focos de calor como aconteceu no ano passado, onde diversas cidades, inclusive, Manaus, foram atingidas por nuvens de fumaça por conta da grande quantidade de queimadas e incêndios florestais, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), lançou ontem o “Plano de Prevenção, Controle e Combate às Queimadas”. A intenção é apertar o cerco contra os crimes contra o meio ambiente trabalhando a prevenção e fiscalização para que o dano ambiental não aconteça.

 O plano foi lançado com a presença de representantes de diversos órgãos ligados ao meio ambiente (Foto: Antônio Menezes)

O titular da Sema, Antonio Stroski, explica que o plano unifica as equipes dos diversos órgãos de proteção ambiental parceiros e estabelece uma estratégia de ação que otimiza recursos financeiros e humanos em uma matriz de responsabilidade com metas para a redução de focos de calor. Os serviços de inteligência de cada um também passam a ser integrados. “O trabalho conjunto dos órgãos parceiros alimentará um banco de dados que norteará as atividades a serem desenvolvidas”, destacou.

O secretário estadual de Meio Ambiente afirmou que desde janeiro deste ano a Sema vem trabalhando, com as instituições parceiras, no planejamento que será posto em prática no período de calor que se aproxima. “A nossa estratégia é promover campanhas de prevenção às queimadas para que possamos ter uma redução substancial dessas ocorrências porque depois que essas práticas estão disseminadas no município existe um custo alto para fazer o combate fora os transtornos ambientais e econômicos que causam”, salientou.

O “Plano de Prevenção, Controle e Combate às Queimadas” é baseado em quatro itens que contemplam uma série de outras áreas. No primeiro momento será feito ações de educação e sensibilização, no segundo, de mobilização e prevenção, no terceiro, de fiscalização e combate aos incêndios florestais e controle de queimadas e no quarto, de levantamento de dados e monitoramento. “Cada componente será executado de acordo com as atribuições de cada órgão”, destacou o titular da Sema, Antonio Stroski.

Voluntários treinados

O chefe do setor de operações do Corpo de Bombeiros, Helliton Silva, afirmou que a corporação vem formando voluntários em diversos municípios do Estado para atuar como brigadistas no combate aos focos de queimadas e incêndios. No ano passado, mais de 10 mil voluntários foram capacitados pelo órgão. Esse ano, os treinamentos para formar novos agentes já começaram.

O “Plano de Prevenção, Controle e Combate às Queimadas” lançado nesta terça-feira (14) na sede da Sema, na Zona Centro-Sul, tem intuito de apoiar a execução de ações de prevenção, controle, combate e monitoramento a focos de calor por meio de parcerias com os governos federal, estadual, municipal e sociedade civil.

Áreas prioritárias

A Sema cruzou os dados de localização das ocorrências de queimadas em todo o Amazonas e definiu, com os parceiros, 23 áreas de atuação prioritária (Lábrea, Apuí, Manicoré, Boca do Acre, Novo Aripuanã, Maués, Humaitá, Autazes, Canutama, Careiro, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Barreirinha, Manacapuru, Careiro da Várzea, Borba, Tefé, Coari, Parintins, Caapiranga, Manaquiri, Boa Vista do Ramos e Nhamundá). Essas áreas foram as que mais apresentaram focos de calor, em 2015.

Conforme o titular da Sema, Antônio Stroski, nesse primeiro momento, a maior preocupação com relação ao desmatamento e queimadas é com a região do Sul do Amazonas, onde o maior número de ocorrências dá-se nos municípios situados nas fronteiras com os Estado do Mato Grosso, Rondônia e Acre. “Nessas áreas, o ápice de focos de calor é registrado no mês de setembro. Já na segunda quinzena de setembro a início de outubro, o aumento ocorre na Região Metropolitana de Manaus”, afirmou.

Nesse mesmo período, conforme Stroski, ainda há a preocupação com o Baixo Amazonas e, em seguida, com a calha do rio Negro. “Não é só no ambiente rural que tem as queimadas que contribuem para emissões de gases de efeito-estufa e compromete a qualidade do ar, na área urbana tem muitas pessoas que costumam fazer uso do fogo para se livrar de resíduos domiciliares. Isso contribui com o cenário que a gente não quer que se repita”, ressaltou.

Blog: Artemisa do Vale - diretora técnica do Ipaam

"A fiscalização é um instrumento muito importante para coibir as ações de queimadas e incêndios. As multas para quem provoca esse tipo de crime são de acordo com o percentual da área atingida. Essa atividade tem todo um planejamento, levantamento de dados e requer sigilo. Ela é diferente das demais ações dentro desse Plano de Prevenção, Controle e Combate às Queimadas. Esse ano, conforme nosso planejamento, vamos atuar mais fortemente onde as ocorrências de queimadas ocorreram com maior intensidade, como no Sul do Amazonas e na Região Metropolitana de Manaus. No ano passado, muitos focos de calor não foram possíveis identificar quem foi o causador por diversos fatores, mas nós colocamos essas áreas na base do Ipaam. Quando os donos fizerem solicitação de licenciamento ou mesmo o registro do CAR (Cadastro Ambiental Rural) será possível identificar os culpados e puni-los conforme o dano provocado."

 Ano passado, a capital amazonense e seus habitantes padeceram com a fumaça oriunda das queimadas (Foto: Márcio Silva / Arquivo AC)

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