Publicidade
Amazônia
Serviços de saúde

Tríplice fronteira exige cooperação dos países, defende pesquisador da Fiocruz

O pesquisador Antônio Levino defende que a solução para os fatores que dificultam a oferta de serviços de saúde nessa região é o desenvolvimento de ações conjuntas entre os três países 20/04/2016 às 07:10 - Atualizado em 20/04/2016 às 12:11
Show capturar
O pesquisador em Saúde Pública do ILMD/Fiocruz Amazônia, Antônio Levino na palestra sobre “Saúde e Fronteira na Amazônia” (Winnetou Almeida)
Silane Souza Manaus (AM)

O isolamento geográfico e a dispersão populacional das comunidades residentes na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru são os principais fatores que dificultam a organização da assistência e da oferta de serviços de saúde nessa região. O pesquisador em Saúde Pública do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Antônio Levino, defende que a solução para esse problema é o desenvolvimento de ações conjuntas entre os três países.

De acordo com Levino, as regiões de fronteira constituem um espaço singular, onde os problemas, principalmente de saúde, manifestam-se de modo próprio, exigindo estratégias de intervenção adequadas. Conforme ele, mesmo quando há presença da esfera pública, ela não está de forma ajustada para a região.

“A fronteira é um território próprio, onde a dinâmica é completamente diferente das áreas urbanas que conhecemos. É preciso entender isso para poder traçar estratégias corretas e ajustadas para aquela população”, enfatizou. 

Pesquisa
O assunto foi abordado por ele, nesta terça-feira (19), durante o evento de boas-vindas aos alunos do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Fiocruz Amazônia. Na ocasião, Lavino palestrou sobre “Saúde e Fronteira na Amazônia”. Os dados apresentados são resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo pesquisador e que fará parte de sua tese de doutorado, intitulada “Caracterização geográfica, epidemiológica e da organização dos serviços de saúde na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru”.

Conforme ele, existe uma situação de muita carência nos três lados (Brasil-Colômbia-Peru) e dificuldades de acesso, por parte da população, a atendimento individual especializado. Além disso, os serviços de saúde ofertados são de baixa qualidade e essas regiões ainda contam com uma infraestrutura precária. Para Lavino, o problema mais grave está relacionado à qualidade de vida das pessoas. “A população é muito carente, não tem acesso a políticas públicas e há grande vulnerabilidade decorrente da miséria, pobreza e desigualdade social”, afirmou.

O pesquisador salienta que é preciso pensar num sistema que ofereça, ao mesmo tempo, todos os tipos de serviços, assim como todos os níveis de complexidade, e que haja esforço, principalmente, no sentido de garantir a presença dos profissionais de saúde na região, para poder operar o sistema e atender bem a população. “É por essas e outras razões que é preciso haver, por parte do governo e autoridades sanitárias, a compreensão de que só é possível organizar o sistema de saúde nesse tipo de região através de um esforço conjunto dos países envolvidos”, pontuou.

Pós inscreve 

O Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) do ILMD/FiocruzAmazônia está em sua primeira turma.  A especialização, que tem duração de dois anos, foi aprovada em 2014 e as aulas começaram em setembro de 2015.  Os profissionais formados vão atuar na área de Saúde Coletiva.

Ontem, o Fiocruz Amazônia comunicou a abertura da chamada pública para selecionar candidatos para a segunda turma do PPGVIDA. As inscrições que iniciaram ontem mesmo seguem até 18 de maio. Serão oferecidas 17 vagas e poderão participar do processo de seleção candidatos que, até a data da matrícula, completarem curso de graduação reconhecido pelo MEC. 

As inscrições são feitas exclusivamente pela endereço eletrônico http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120 que somente pode ser acessado pelo navegador Internet Explorer.

Publicidade
Publicidade