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Amazônia
Biotecnologia

CBA se transformará em uma Organização Social até o início do próximo ano

Com essa nova estrutura, centro poderá alocar recursos, receber bolsas e projetos de pesquisa 31/03/2016 às 05:20 - Atualizado em 31/03/2016 às 10:00
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Sede do CBA, localizada na Zona Sul de Manaus (Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

O Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) vai se transformar em uma Organização Social (OS). A mudança deve ocorrer até o início do próximo ano. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (30) pelo secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Marcos Vinícius de Souza, durante a realização do seminário “Discutindo o futuro do CBA”.

“Esse seminário é o primeiro de muitos que nós vamos fazer aqui na região. Nós estamos estruturando o CBA para virar uma OS e a estruturação será conjunta entre o MDIC e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Esse processo já está correndo e esse é o primeiro seminário que nós vamos fazer para integrar principalmente as demandas empresarias e acadêmicas que tem na região e no Brasil para serem atendidas pelo CBA”, declarou.

Conforme ele, as principais representações empresariais foram e serão convidadas para expor suas demandas e vê de que forma o CBA pode atendê-las em todo Brasil. Ao mesmo tempo empresas locais, centro de pesquisas e universidades também serão chamados para apresentar o que pode oferecer na região da Amazônia para estruturação de operações de biotecnologia no centro para que o processo de reorganização seja feito de forma ampla e direta com a sociedade.

O superintendente adjunto de Planejamento da Zona Franca de Manaus (Suframa), Marcelo Pereira, destacou que hoje o CBA está limitado por causa do orçamento da União e dentro dessa perspectiva não pode firmar parcerias com o setor privado. “Se uma industrial quiser investir no centro ela não pode porque o recurso entra direto na conta única do Tesouro e se isso acontecer o recurso acaba sendo contingenciado”, observou.

E, ao ser transformado em OS, isso não vai acontecer. Os benefícios serão muitos. “Quando falamos em Organização Social é uma nova forma de gerir. O Estado não deixa de participar, seu orçamento passa a ser menor, mas abre um leque de variáveis para que o setor privado invista no CBA através de parceria que possam gerar produtos que poderão um dia está nas prateleiras dos supermercados, farmácias, entre outros”, apontou.

Pereira disse que a partir daí o CBA ganha mais liberdade e a Suframa não deixará de participar de sua gestão, pois quando ele tornar-se uma OS, conforme os planos previstos, a autarquia também irá compor o Comitê Gestor – que hoje é composto pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), MDIC e Suframa. “Então, continuaremos trabalhando as linhas mestras do segmento de futuro do CBA”, garantiu.

O superintendente adjunto de Planejamento da Suframa enfatizou que a mudança não é uma privatização do CBA. É dar ao centro um novo rumo. “O MDCI, MCTI e a Suframa continuarão a frente do conselho gestor e o CBA com essa nova estrutura ganha liberdade de alocar recursos, receber bolsas, inclusive, internacionais, e projetos de pesquisa de indústrias voltadas a atender a produção de produtos através de pesquisas da Amazônia. Tudo isso poderá ser feito como OS”, explicou.

Debate

O seminário “Discutindo o futuro do CBA” realizado ontem na própria sede do Centro de Biotecnologia da Amazônia, na Zona Sul, reuniu empresários da área de biotecnologia, pesquisadores e representantes de entidades de classe, associações e órgãos governamentais. Durante a manhã houve apresentações de experiências e de parcerias entre empresas e Centros de Inovação pelas entidades convidadas.

A programação da tarde incluiu a criação de grupos de discussão em quatro temas: indústria farmacêutica e da saúde; indústria de alimentos; indústria de cosméticos e perfumaria; e biomateriais para indústrias de outros setores. A proposta dos grupos foi levantar, dentro de cada tema, as demandas das empresas nas quais o CBA possa atuar.

Um dos objetivos do evento foi a discussão de forma ampla e direta com a sociedade regional o processo de reorganização do CBA de modo que ele esteja apto a cumprir sua missão de promover a inovação tecnológica de processos e produtos, incentivando e apoiando o desenvolvimento das atividades industriais baseadas na exploração sustentável da biodiversidade amazônica.

Entre os participantes estavam representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Superintendência da Zona Franca de Manaus, Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do grupo Cristália, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

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