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Amazônia
Ciência e tecnologia

Laboratório da UEA analisará mudanças climáticas na Amazônia

No novo espaço serão desenvolvidos estudos em relação aos futuros impactos causados pelo desmatamento e o aumento de gás do efeito estufa na região 14/07/2016 às 10:11
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Na seca de 2009, um dos reflexos foi a alta mortandade de peixes no rio Manaquiri, afluente do Amazonas, o que tem se repetido ao longo dos últimos anos. Os impactos das mudanças climáticas serão objeto de estudo do laboratório. Foto: Bruno Kelly/2009
Silane Souza Manaus (AM)

A inauguração do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), na Escola Superior de Tecnologia (EST), ontem, foi considerada um marco para o desenvolvimento de pesquisas científicas na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) nas áreas de Clima e Mudanças Climáticas na Amazônia. Isso porque, no novo espaço serão desenvolvidos estudos em relação aos futuros impactos causados pelo desmatamento e o aumento de gás do efeito estufa na região.

Os resultados dessas pesquisas acadêmicas e científicas poderão ajudar no desenvolvimento de políticas públicas de mitigação e adaptação de eventos extremos tais como: secas e enchentes, a fim de melhorar a capacidade de resposta e governança em cenários de maior variabilidade e mudança climática. Além das projeções futuras no clima e avaliação dos impactos associados, o Labclim também contribuirá na formação e capacitação de alunos de graduação e pós-graduação na UEA.

O Labclim funcionará na EST-UEA, avenida Darcy Vargas, bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul (Fotos internas: Antônio Menezes)

“O laboratório promoverá grandes benefícios para a universidade do ponto de vista de várias áreas da tecnologia, sobretudo, nos coloca no patamar de instituições de pesquisa como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ao ter acesso à tecnologia de ponta, os estudantes dessa instituição irão sair mais qualificados para o mercado de trabalho e prontos para desenvolver pesquisas mais profundas em programas de Mestrado e Doutorado”, disse o reitor da UEA, Cleinaldo Almeida Costa.

De acordo com o coordenador do Labclim, Francis Wagner Correia, o espaço também ajudará a entender melhor de que forma o desmatamento da Amazônia e o aumento de gás do efeito estufa poderão impactar nos recursos hídricos (chuva, transporte de umidade e evapotranspiração), bem como, compreender quanto isso impactará em alguns setores como agricultura, ecossistema e eventos extremos. “Com isso, podemos apoiar o governo na questão de avaliação de risco e vulnerabilidade e na criação de políticas públicas que minimizem os efeitos adventos e extremos”, apontou.

A aquisição do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre, que funcionará na EST-UEA, avenida Darcy Vargas, bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul, foi financiada com recursos provenientes da Agência Nacional de Águas (ANA). O desenvolvimento das pesquisas será realizado em parceria com o Inpe e com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH-UFRGS). As simulações numéricas serão realizadas tanto no Labclim quanto no Inpe.

Saiba mais

Conforme o coordenador do Labclim, Francis Wagner Correia, nesse momento, serão simulados impactos daqui a 30, 50 e 100 anos, usando o cenário de emissão de gás de efeito estufa. “Vamos tentar prognosticar o que pode acontecer daqui esse período de tempo tanto da parte de desmatamento como aumento de gás de efeito estufa. Uma vez feito isso, a gente pretende implantar dentro da UEA um sistema de previsões e alerta de seca e enchente usando essa modelagem climática”, revelou.

Frase

“O labclim vai nos possibilitar conhecer melhor o clima e as alterações climáticas na Amazônia, nos próximos anos. A UEA assume esse protagonismo dentro do seu papel de fazer ciência com qualidade na Amazônia”. Cleinaldo Almeida Costa - reitor da UEA

Atividades práticas

No Labclim, os estudantes poderão desenvolver as atividades práticas das disciplinas de modelagem numérica (Previsão Numérica de Tempo, Modelagem Climática, entre outras). Os alunos de pós-graduação do Programa Clima e Ambiente (CLIAMB) também terão oportunidade de desenvolver suas pesquisas de mestrado e doutorado no Laboratório de Modelagem. Como é o caso do doutorando Vinicius Machado Rocha, 33.

De acordo com ele, na sua pesquisa está tentando, a partir de simulações de modelo numérico, prevê qual o impacto da mudança no clima devido o aumento de gás de efeito estufa na reciclagem de chuva na Amazônia. Ou seja, identificar qual o volume da umidade que sai da bacia Amazônica por evapotranspiração e retorna para a própria bacia Amazônica em forma de chuva.

“O laboratório é essencial pra mim porque só tem uma forma de fazer isso que é através de modelagem numérica e aqui no Amazonas não tinha lugar para se fazer essa análise. A alternativa que eu tinha antes era mandar rodar o modelo no Inpe, que fica em São José dos Campos (SP), o que demandava muito tempo, coisa que nós não temos”, destacou.

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