Sábado, 21 de Setembro de 2019
FUNDO AMAZÔNIA

Redução no financiamento de projetos acelera o desmatamento, diz FAS

Fundo Amazônia deixará de receber R$ 289 milhões após dois financiadores europeus cortarem os recursos de projetos



Fahuauiuhsuhashu_5218D90B-E13B-4CA5-9B9A-D019AA5231F8.jpg Foto: Divulgação
20/08/2019 às 15:43

O esvaziamento de recursos do Fundo Amazônia e o enfraquecimentos das organizações de proteção ambiental aponta para o aumento do desmatamento da Amazônia. A declaração foi feita pelo superintendente-geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana, na manhã desta terça-feira (20), durante debate sobre o corte de recursos do programa que beneficia 103 projetos no Brasil, sendo 19 no Amazonas.

“Infelizmente, o esvaziamento do Fundo Amazônia deve apontar para o aumento do desmatamento. O enfraquecimento das instituições que cuidam da proteção e da preservação ambiental, do desmatamento e é uma notícia muito ruim para nós. Não é uma coisa que interessa unicamente aos países. Afeta o planeta como um todo”, declarou Virgílio Viana, em coletiva de imprensa. 

O Fundo Amazônia deixará de receber R$ 289 milhões após dois financiadores europeus cortarem os recursos do projeto. Na última quinta-feira (15), a Noruega anunciou o congelamento do repasse ao Fundo. O país foi o segundo a suspender os repasses. No início do mês, a Alemanha também deixou de fazer as doações.

A medida veio após o Ministério do Meio Ambiente decidir reformular a gestão do fundo e extinguir o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), criado para estabelecer os critérios de uso da verba região amazônica. A extinção do Cofa reduz a participação da sociedade civil, principalmente das Organizações Não Governamentais (ONGs).

O professor e representante da Associação de Moradores da RDS Canumã, Emerson Moreira, 33 anos, teme os riscos do congelamento do repasse do Fundo na geração de emprego e renda nas comunidades ribeirinhas.

“O Fundo tem transformado a vida de muita gente. Na reserva, aproximadamente 600 famílias são beneficiadas com o recurso. Com apoio técnico que recebemos é possível produzir mais e com qualidade. Hoje às famílias têm esperança de que é possível melhorar a qualidade de vida no meio do mato”, disse o morador da reserva localizada no município de Borba.

Queimadas

Na tarde de segunda-feira, os moradores de São Paulo se depararam com “o dia virando noite” por volta das 15h. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), além da frente fria na região Sul e Sudeste do País, a escuridão também é causada pela fumaça de queimadas na região amazônica. Segundo o Climatempo, a fumaça proveniente de queimadas nos estados do Acre e Rondônia e na Bolívia, chegou a São Paulo pela ação dos ventos.

“Nós precisamos olhar a defesa da Amazônia como tema do interesse nacional, além de ser do interesse da comunidade internacional. Temos que defender a floresta amazônica em pé porque é bom para os brasileiros e para a saúde pública. É bom para geração de chuvas que abastece o agronegócio no País e para geração de energia elétrica, cerca de 20% da geração de Itaipu depende das chuvas que vem da Amazônia”, ponderou Virgílio Viana.

De acordo com estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o município de Apuí teve 91 km de área desmatada, ficando em 1º lugar no top 10 dos municípios da região amazônica que mais desmataram. Lábrea ficou em 2º lugar (com 61 km de desmatamento); Novo Aripuanã em 6º lugar (com 38 km de desmatamento) e Boca do Acre em 8º lugar, com 20 km de área desmatada.

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Repórter de A Crítica

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