Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
LANÇAMENTO

'Região amazônica, passado presente e futuro' é tema de livro lançado em Curitiba

Para os autores, os sucessivos governos brasileiros abandonaram a Amazônia ao limite de deixá-la desprovida de políticas públicas efetivas e acessíveis às suas populações



IMG0008150991.JPG A abrangência da publicação perpassa a Amazônia nas tantas Amazônias que nela habitam, desde a retrospectiva antropológica e histórica, as questões estruturantes sobre a região (Foto: Antônio Lima/Arquivo AC)
24/05/2016 às 20:07

O Brasil permanece de costas para a Amazônia mantendo-a refém de um projeto nacional atrasado e dissociado da modernidade.  É o que afirmam os pesquisadores Marilene Corrêa da Silva Freitas, Marcílio de Freitas e Olivier Meunier na obra Amazônia: Passado, Presente e Futuro, recém lançada em Curitiba.  Distribuído em oito capítulos, o livro é uma coletânea atualizada sobre as múltiplas questões antigas e novas que englobam a região.

Para os autores, os sucessivos governos brasileiros abandonaram a Amazônia ao limite de deixá-la desprovida de políticas públicas efetivas e acessíveis às suas populações. Expressão do longo caminho percorrido pelos pesquisadores na Amazônia, o ensaio tem a marca da atualização de dilemas cruciais com os quais os povos amazônicos convivem por imposição e decisão do Estado em mantê-los ativos. A abrangência da publicação perpassa a Amazônia nas tantas Amazônias que nela habitam, desde a retrospectiva antropológica e histórica, as questões estruturantes sobre a região.

O tema História da Natureza traz à tona interrogações fundamentais para o trato decente, necessário e urgente da região tanto pelo Brasil quanto pelo mundo. Estão postas nesse espaço um exercício útil em qualquer área do conhecimento, na academia e fora dela: Que desafios a Amazônia põe ao mundo? Quais são os impasses históricos imbricados nas relações do homem com a natureza, numa perspectiva sustentável? Quais são as utopias do século 21? Qual é a relação do desenvolvimento sustentável com a Amazônia e com o mundo? Por que a Amazônia possui indicadores sociais compatíveis aos das regiões mais pobres do Planeta? Qual é a importância da Amazônia para o futuro da humanidade? Por que o Brasil não nacionaliza a Amazônia?

Cada pergunta aciona um roteiro de reflexão e de ação que pode ser praticado em qualquer espaço, em qualquer ciclo de estudos, nos sindicatos, nas associações, nos movimentos populares que compartilham do entendimento de que é preciso pensar a Amazônia noutra perspectiva e na porção mais plural. Romper com o projeto mínimo e degradante imposto à região. Esse aspecto dinâmico de caráter interativo percorre todo o conteúdo da publicação. Uma leitura de conversa e de mobilização.

Educação indígena

O item educação propõe que a educação diferenciada indígena na Amazônia seja base de um ensino assentado na dialética entre culturas e conhecimentos. Quanto à sustentabilidade, os autores a situam como um problema mundial associado às formas de organização do capital, das sociedades e de suas matrizes industriais. Uma realidade distante. Dados divulgados pelo Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (Foreeia), no mês de fevereiro, apontam para 630 escolas de um total de um mil no Amazonas que não têm prédio e cumprem a função de ser escola em condição de precariedade. O Estado tem 70 mil crianças indígenas fora da escola.

Enquanto são relegados pelo projeto nacional os indígenas são reafirmados em Amazônia: Passado, Presente, Futuro, como povos detentores de cultura sofisticada e complexa que se apresenta como importância cultural para o processo civilizatório universal.

Os pesquisadores Marilene Corrêa, Marcílio de Freitas e Olivier Meunier tratam do desenvolvimento sustentado como uma ruptura aos modelos de desenvolvimento tradicionais, assentados na exploração intensiva dos recursos da  natureza e na alienação do homem. A sustentabilidade é ilustrada por meio de uma proposta de desenvolvimento sustentável para o Amazonas. Tratam também da importância de um novo reordenamento econômico e político do regime capitalista e a necessidade de ressignificar os conceitos de desenvolvimento econômico  e de cidadania movimentados pela sustentabilidade.

Quem são os autores:

Marcílio de Freitas, coordenador da publicação, é professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), desde 1978. Autor de nove livros e mais de uma dezena de artigos. Fez mestrado na Universidade de São Paulo, e estágios de pesquisa na Universidade de São Paulo, na Universidade de Oxford, Inglaterra, e na Unesco, em Paris. Implantou o Centro de Estudos Superiores do Trópico Úmido na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).  

Marilene Corrêa da Silva Freitas Marilene Corrêa da Silva Freitas é Profª. do Deptº. de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas desde 1979. Mestra pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), doutora pela Unicamp, e pós-doutora pela Universidade de Caen, França. Atua em comitês estaduais, nacionais e internacionais, responsáveis pelo planejamento e implantação de programas de ciência e tecnologia na Amazônia. Coordena o Programa de Pós-graduação “Sociedade e Cultura na Amazônia” (PPGSCA- Ufam), é autora de oito livros e de inúmeros artigos para jornais e revistas científicas nacionais e internacionais.

Olivier Meunier é doutor em sociologia (1996) e habilitado em dirigir pesquisas desde 2007. É professor da Universidade de Artois, França, e coordenador do Laboratório Recifes. Olivier coordenou vários programas de pesquisa na Europa, na África e na Amazônia brasileira. Publicou vários livros e artigos científicos sobre formação de professores, desenvolvimento sustentável e temáticas associadas à antropologia da educação e às etnociências.

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