Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
Amazônia

Regras inéditas de convivência entre homens e botos devem ser regulamentadas no AM

Desaparecimento de 5% da população de botos levou o Conselho de Meio Ambiente a estudar regras de convivência



1.gif Apresentadora Ana Hickman brincou com botos em Novo Airão num tipo de turismo que deverá ser regulado por resolução do Conselho de Meio Ambiente do Amazonas
14/05/2013 às 10:07

O Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (CMAAM) pretende regulamentar a interação entre seres humanos e botos vermelhos, uma das principais atrações turísticas do Estado. O conselho analisa no momento a minuta da resolução que estabelecerá regras para esse tipo de atividade de baixo impacto. A resolução será o instrumento jurídico para conservar a espécie na região amazônica.

Conforme o conselho, será um marco regulatório inédito no Brasil no que diz respeito a regras de interação entre seres humanos e animais para que a espécie não tenha seu hábito natural alterado. “Utiliza-se o boto no Município de Novo Airão, por exemplo, como atração turística. Mas hoje não há nenhuma regra. É preciso ter regras estabelecidas para usar esses recursos. Famílias ribeirinhas têm renda com isso, mas é importante dar garantias de que a espécie não será prejudicada”, explicou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Nádia Ferreira.



A criação da minuta de Resolução do CMAAM é atribuída ao grupo de trabalho instituído pela SDS por meio da portaria 129/2012 para propor medidas de conservação e de proteção aos botos vermelhos (cetáceos amazônicos) junto aos órgãos competentes. O grupo foi criado visando coibir o uso da carne de botos para a pesca do piracatinga, também conhecido como urubu d’água por comer animais mortos. Além disso, é chamado comercialmente douradinha.

“A carne de boto tem servido de isca para esse peixe. E por isso, pessoas estão sendo contratadas para matar botos. Com a carne dessa espécie se consegue quantidades imensas de piracatinga. Criou-se, então, esse grupo de trabalho e dele vão se originar quatro documentos jurídicos para ajudar na conservação dos botos. No entanto, o vilão não é a piracatinga, e sim, o homem, que tem matado sem consciência dos prejuízos à população de botos”, disse Nádia.

Ampa

A informação sobre o desaparecimento de botos vermelhos nos rios da Amazônia  foi dada à SDS pela Associação Amigos do Peixe-Boi da Amazônia (AMPA) no ano passado com base no desaparecimento de 50% dos animais que faziam parte de um estudo da espécie na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá.

Em 2010, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio ) também iniciou um trabalho para o ordenamento do turismo com animais. Porém, três anos depois, nenhuma minuta de proposta para a criação de uma resolução foi aprovada ainda pelo Governo Federal. “Nesse grupo de trabalho tinham membros do Amazonas. Resolvemos, então, criar um documento que está dentro da realidade amazônica”, disse a titular da SDS.

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