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Regras inéditas de convivência entre homens e botos devem ser regulamentadas no AM

Desaparecimento de 5% da população de botos levou o Conselho de Meio Ambiente a estudar regras de convivência 14/05/2013 às 10:07
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Apresentadora Ana Hickman brincou com botos em Novo Airão num tipo de turismo que deverá ser regulado por resolução do Conselho de Meio Ambiente do Amazonas
carolina silva ---

O Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (CMAAM) pretende regulamentar a interação entre seres humanos e botos vermelhos, uma das principais atrações turísticas do Estado. O conselho analisa no momento a minuta da resolução que estabelecerá regras para esse tipo de atividade de baixo impacto. A resolução será o instrumento jurídico para conservar a espécie na região amazônica.

Conforme o conselho, será um marco regulatório inédito no Brasil no que diz respeito a regras de interação entre seres humanos e animais para que a espécie não tenha seu hábito natural alterado. “Utiliza-se o boto no Município de Novo Airão, por exemplo, como atração turística. Mas hoje não há nenhuma regra. É preciso ter regras estabelecidas para usar esses recursos. Famílias ribeirinhas têm renda com isso, mas é importante dar garantias de que a espécie não será prejudicada”, explicou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Nádia Ferreira.

A criação da minuta de Resolução do CMAAM é atribuída ao grupo de trabalho instituído pela SDS por meio da portaria 129/2012 para propor medidas de conservação e de proteção aos botos vermelhos (cetáceos amazônicos) junto aos órgãos competentes. O grupo foi criado visando coibir o uso da carne de botos para a pesca do piracatinga, também conhecido como urubu d’água por comer animais mortos. Além disso, é chamado comercialmente douradinha.

“A carne de boto tem servido de isca para esse peixe. E por isso, pessoas estão sendo contratadas para matar botos. Com a carne dessa espécie se consegue quantidades imensas de piracatinga. Criou-se, então, esse grupo de trabalho e dele vão se originar quatro documentos jurídicos para ajudar na conservação dos botos. No entanto, o vilão não é a piracatinga, e sim, o homem, que tem matado sem consciência dos prejuízos à população de botos”, disse Nádia.

Ampa

A informação sobre o desaparecimento de botos vermelhos nos rios da Amazônia  foi dada à SDS pela Associação Amigos do Peixe-Boi da Amazônia (AMPA) no ano passado com base no desaparecimento de 50% dos animais que faziam parte de um estudo da espécie na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá.

Em 2010, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio ) também iniciou um trabalho para o ordenamento do turismo com animais. Porém, três anos depois, nenhuma minuta de proposta para a criação de uma resolução foi aprovada ainda pelo Governo Federal. “Nesse grupo de trabalho tinham membros do Amazonas. Resolvemos, então, criar um documento que está dentro da realidade amazônica”, disse a titular da SDS.

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