Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Lixo na floresta

Resíduos são descartados em reserva ambiental urbana de Manaus

Maior reserva ambiental urbana do Brasil é usada para descarte de resíduos de empresas que prestam serviço na Universidade Federal do Amazonas



1.jpg Sindicalista José Nilton Pereira mostra detalhes do material jogado na entrada do prédio do curso de Música da universidade
26/09/2013 às 16:56

Materiais que levam mais de 600 anos para se decompor continuam sendo jogados nas matas e trilhas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por empresas que prestam serviços terceirizados à instituição. O descaso é denunciado pela Coordenação Executiva do Sintesam (Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Estado do Amazonas) desde o mês de maio de 2013.

Quatro meses após a primeira denúncia ter sido formalizada, nada foi feito, conta o coordenador geral do sindicato, José Nilton Pereira. “Se existe um comitê ambiental, eu não sei o que ele faz, porque não adianta a gente participar de fóruns, e conferências sobre descarte correto de lixo e, na prática, nada disso acontecer”, desabafa o coordenador geral.

De acordo com ele, as empresas terceirizadas são contratadas para fazer reformas e manutenções, recebem dinheiro público, mas não finalizam o trabalho destinando os resíduos em locais apropriados. “Eles não observam os critérios técnicos ambientais e acham que por ser mata podem abandonar esse lixo na nossa floresta, em áreas do campus universitário causando poluição e degradação ao meio ambiente”, ressalta.

O carpete que reveste o piso dos corredores das unidades são de borracha e foram substituídos recentemente. As placas de borracha velhas, que vão demorar um tempo indeterminado para se decompor, foram jogadas entre as árvores ao redor da praça de alimentação do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL).

Na entrada do prédio do curso de música e artes visuais, o cenário é de abandono. Fogão, latas de tinta, papelão e outros materiais  utilizados na manutenção de banheiros e salas foram largados por lá há pelo menos dois meses.

O acadêmico do 7º período de Artes Visuais Eduardo Miranda conta que a paisagem na entrada do curso teve uma grande mudança. “Antes era mais verde, tinha mais vegetação. Agora, só tem lixo e para retirar isso daí demora muito tempo”, alerta.

Miranda destaca um outro problema que, para ele, tem relação com as empresas que fazem manutenção na Ufam. “Lá atrás do prédio de História tinha uma pilha de cadeiras que estavam pegando chuva e sol e se deteriorando, sendo que havia salas que não possuíam cadeiras para os alunos. Acho que as empresas que vêm fazer essas reformas não estão muito preocupadas em preservar o nosso espaço e sim ganhar dinheiro”, destaca.

A CRÍTICA tentou contato com o prefeito da universidade, Atlas Barcelar, que está em viagem pelo interior do Estado, mas não obteve sucesso. O engenheiro responsável pelo acompanhamento das obras também não foi encontrado.

Pedido de novas providências

A diretoria do Sintesam manifestou preocupação com o descarte de entulhos que voltaram a ser feito por empresas responsáveis por obras e manutenção das dependências do Campus. Os coordenadores informaram que vão encaminhar um relatório e solicitar novas providências à prefeitura do campus.

Nilton ressalta ainda entender que inúmeras obras vêm sendo realizadas na área do campus, contudo, as empresas vêm despejando entulhos e detritos ao longo dos anos de realização dos trabalhos, quando o procedimento correto seria o descarte imediato e não o acúmulo dos entulhos em locais não apropriados.

Pereira destaca que o campus é uma reserva de área verde que possui cursos d’água e lençóis freáticos que precisam ser preservados por toda a sociedade, sobretudo pela Ufam que debate constantemente questões ambientais e precisa dar exemplo.


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