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Revoada de periquitos buscava abrigo e comida nas palmeiras de condomínio, diz biólogo

Foram as mangueiras e a segurança das palmeiras que atraíram os periquitos, de acordo com biólogo e ornitólogo (especialista em aves) do Inpa 23/12/2014 às 10:01
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Para o ornitólogo do Inpa Mario Cohn-Haft, os periquitos de asa branca migraram para a avenida em busca de locais para dormir
Luana Carvalho Manaus (AM)

Dois anos depois da polêmica envolvendo os periquitos de asa branca (Brotogeris versicolurus) e as telas de proteção das palmeiras imperiais do condomínio de luxo Ephygênio Salles, na Zona Centro-Sul, o assunto voltou a ser discutido após centenas de aves aparecerem mortas, no dia 27 de novembro.

Apesar da facilidade e privilégio dos manauaras em contemplar diariamente as revoadas, muitos não sabem “de onde os animais vieram”. O biólogo e ornitólogo (especialista em aves) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Mario Cohn-Haft, esclareceu que as aves vieram para a cidade em busca de alimento.

De acordo com ele, o periquito é comum na várzea amazônica e vive ao longo dos rios e em áreas onde a floresta é alagada. “A abundância de manga, começando com uma safra extraordinariamente forte em 2011, começou a atrair um número muito grande de periquitos de asa branca pra dentro da cidade”.

De acordo com o pesquisador, a disponibilidade de lugares seguros pra dormir é o segundo fator que colaborou para o crescimento populacional dos periquitos. “Eles tendem a dormir em grandes números fora da época de reprodução, em locais que chamamos de ‘dormitórios’. Eles se juntam em bandos enormes e a razão é muito simples: eles sentem mais segurança”, explicou.

Durante o dia, os periquitos sobrevoam todas as zonas da cidade em busca de alimentos. Mas, na hora de dormir, o local predileto são as palmeiras imperiais do condomínio de luxo na avenida Ephigênio Salles. “Especificamente aquela fileira de palmeiras ofereceu um lugar irresistível para aquelas aves. Essa é uma característica conhecida em muitos lugares. Atraímos, sem querer, os periquitos pela oferta de comida e excelente lugar para dormirem”.

Para Mário, o principal impacto imediato que as aves causam é o incômodo a alguns moradores. “O que é incômodo para uns, é uma alegria pra outras” completou.

Como solução, ele sugere planejamento de paisagismo e jardinagens na cidade. “Em outras cidades eles pensam e planejam sobre isso e geram informações coletivas de utilidade pública, como exemplo o tipo de espécie de planta que atrai alguns tipos de animais”.

“Eles vão se adaptar...”

"É preciso seguir alguns passos para tentar diminuir a morte e conviver com esses periquitos sem incômodos. Tirar as telas das palmeiras imperiais foi um passo importante. Com as telas de proteção, os periquitos eram forçados a pousar em lugares baixos e perigosos, que os expunham a atropelamentos e a eventuais atos de maldade. Agora, ou as palmeiras irão se adaptar a tantos periquitos ou vão morrer. O fato é que não tem escolha, não temos como remover os periquitos de lá. Se morrerem, as palmeiras devem ser substituídas por outras plantas que não tenham a mesma atratividade. Com o tempo as aves vão procurar outros lugares. Eles sempre sobreviveram perfeitamente fora da cidade. É uma espécie inteligente e social. Vão continuar voando dia após dia até acharem outro lugar. Isso é um processo que vai levar um tempo, mas eles vão se adaptar”.

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