Sábado, 26 de Setembro de 2020
Amazônia

Revoltados, índios ameaçaram matar garimpeiros

Durante operação da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye´kuana  para desativar novos pontos de garimpo, um grupo de índios yanomami tentou matar garimpeiros que foram flagrados extraindo ouro na calha do rio Couto Magalhães, próximo à fronteira com a Venezuela.



1.jpg João Catalano (de camisa vermelha e boné) conta que os yanomami, revoltados, não mataram os garimpeiros porque os servidores da Frente impediram
01/11/2012 às 20:58

No último final de semana, uma nova ação da Funai poderia ter terminado em tragédia. Durante operação da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye´kuana  para desativar novos pontos de garimpo, um grupo de índios yanomami tentou matar garimpeiros que foram flagrados extraindo ouro na calha do rio Couto Magalhães, próximo à fronteira com a Venezuela.

João Catalano conta que os yanomami, revoltados, não mataram os garimpeiros porque os servidores da Frente impediram. “Os índios estão revoltados com a omissão do Estado brasileiro em relação ao combate ao garimpo. A Funai sozinha não tem recursos e pessoal suficiente para combater o garimpo”, contou Catalano.




Na sua avaliação, o Exército, a Polícia Federal e até mesmo o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) têm o dever legal de atuar na repressão ao garimpo.

“Os yanomami estão querendo combater eles mesmos o garimpo. Isso pode levar a um banho de sangue tanto de garimpeiros quanto dos índios”, alertou.

A exploração de garimpo ilegal desarticulada durante a operação do último final de semana estava ocorrendo a 10 quilômetros de uma comunidade de índios isolados identificados como Moxahatheri.


Os oito garimpeiros presos foram entregues à Polícia Federal – quatro conseguiram fugir. Os equipamentos (motores, freezer, televisão, antenas, entre outros) foram destruídos pelos próprios yanomami.

Catalano conta que o garimpo foi identificado durante o vôo que os funcionários da faziam até a aldeia Watoriki, para participar da assembleia. Para chegar até o local do garimpo, os funcionários da Frente viajaram durante três dias pelos rios Mucajaí e Couto Magalhães.


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