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Amazônia
Tecnologia na natureza

Robôs podem ser aliados no monitoramento da floresta

Pesquisador defende que uso de robôs é bem promissor no cuidado da floresta, mas eles precisam ser adaptados às peculiaridades amazônicas 20/08/2013 às 12:38
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O comportamento e a fisiologia de espécies de peixes da Amazônia, como o poraquê, foi possível graças ao uso de tecnologia avançada. Por conta disso, especialista defende o uso em larga escala
Ana Celia Ossame Manaus

Saber por que os peixes elétricos são capazes de se locomover com facilidade no Rio Negro, sem enxergar, é uma das respostas  dadas em pesquisa pelo uso da tecnologia. Descobrir e interpretar os sinais dados pela floresta é uma tarefa que precisa ser feita com tecnologia, afirmou em Manaus o engenheiro eletrônico Roberto Tavares, 58, pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI),  onde deu palestra sobre o uso de robôs e sistemas mecatrônicos no monitoramento ambiental.

Diante da impossibilidade de enumerar quantas áreas ou quantos robôs ou equipamentos estão instalados para monitorar áreas ou situações, Roberto, que foi responsável pela área de robótica de inspeção do CTI e pela coordenação do projeto “AmazonBots”, voltado ao desenvolvimento de soluções mecatrônicas e eletrônicas para monitoramento ambiental, destaca a colaboração com diversos projetos na região amazônica que buscam entender questões da região.

Peixes

“Às vezes, estamos olhando a floresta e vemos um mundo de informações, mas não percebemos a percepção de luz, som, cheiro, animais e outros tipos de informações”, explicou ele, citando os peixes elétricos, que se deslocam sem enxergar por terem sensores elétricos que os permitem mapear a área a ser percorrida. “Eles são mais rápidos que nós, assim também existem outras espécies de animais que utilizam espaços sensoriais para perceber este mundo”, afirmou Roberto, explicando a importância de  compreender o espaço sensorial deles para se entender a floresta a partir desses elementos.

Erosão

No Museu da Amazônia (Musa), no Conjunto Morada do Sol, Zona Centro-Sul, onde ministrou a palestra na última quinta-feira,  Roberto disse que outra área onde os robôs já estão em ação é a de medição de níveis de erosão. Nesse ponto, citou um fato curioso que chama a atenção para as características particulares da floresta. O último robô que fazia esse tipo de medição tinha um raio laser para identificar o problema. O equipamento foi instalado e deixado no local. Um mês depois, na volta para coletar os dados, os pesquisadores descobriram que um marimbondo tinha feito uma casinha bem em cima do raio laser, o que impediu a leituras. Para ele, esse caso, mais do que render a piada sobre a necessidade de implantar um limpador de para-brisa no robô aqui na região, indica que as soluções de laboratório têm que ser antes experimentadas. “A ação real é o que vai nos dar a dimensão do problema”, explicou Roberto, que entre as dificuldades desses equipamentos nas matas cita problemas com formigas, outros insetos e a umidade.

Adaptação  à Amazônia é essencial

Foram pesquisas monitoradas por equipamentos que  desmentiram a tese de que a energia solar seria uma solução para a Amazônia, observou o pesquisador Roberto Tavares, para afirmar que a quantidade de nuvens que se formam aqui atrapalham a incidência dos raios, que são muito frequentes na região.

Ao reforçar a recomendação de que a experimentação em campo é fundamental ao se pensar na tecnologia para a região, o pesquisador afirma que engenheiros, físicos e biólogos têm que vir para cá para colocar em prática suas idéias. “É um nicho de trabalho importante, não adianta achar que uma coisa da Sibéria vai funcionar aqui, porque não vai” afirma ele.

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