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Saúde indígena na lista das prioridades no Amazonas

Este ano, as ações de saneamento básico das áreas indígenas tiveram seu orçamento elevado de R$ 580 milhões para R$ 1 bilhão 28/10/2013 às 07:39
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Recentemente foram investidos R$ 3 milhões somente na reforma da Casa de Saúde Indígena (Casai) em Manaus que tem previsão para ser entregue ainda este ano, segundo informou Antônio Alves
Olívia de Almeida ---

A saúde indígena tem se tornado uma das principais metas do Governo Federal, que criou em 2010, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que passou a assumir atribuições que antes faziam parte do Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Suas ações voltadas para o saneamento básico das áreas indígenas, que esse ano, teve seu orçamento elevado de R$ 580 milhões para R$ 1 bilhão. “Nossa intenção é melhorar as condições dos municípios para atenderem a população indígena”,afirma o titular da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, Antônio Alves de Souza.

Na opinião dele, há a necessidade de se reforçar a busca por melhorias no modelo diferenciado de políticas de saúde voltadas aos indígenas.“Por esse motivo vem sendo realizado por todo o País etapas distritais da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena, em preparação à etapa nacional,programada para novembro, em Brasília, onde iremos discutir as reivindicações da população”, ressaltou o secretário.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo Demográfico realizado em 2010 no Brasil encontrou 817 mil pessoas que se declaram indígenas no Brasil, o que representa0,42% do total da população brasileira. O número representa um crescimento de11% em relação ao registrado no Censo de 2000 do IBGE, quando 734 mil pessoas se declararam indígenas.

Segundo o secretário, o Estado brasileiro com maior número de povos indígenas é o Amazonas, com uma população de 168 mil. “E, um dos principais desafios da saúde indígena no Estado é a logística para fazer o atendimento chegar até eles”, comentou Antônio Alves, revelando que recentemente o Ministério realizou investimentos para amenizar o gargalo.

Por conta disso, foi investido recentemente R$ 3 milhões somente na reforma da Casa de Saúde Indígena (Casai) em Manaus que tem previsão para ser entregue ainda este ano. “O atendimento que não puder ser feito no município será transferido para a Casai que estará mais preparada”, assegurou o secretário da Sesai.

Ele acredita que com a chegada dos médicos que farão parte da equipe do Programa Mais Médicos será possível intensificar o atendimento dos indígenas nos Distritos de Saúde Especial Indígena (DSEIs) do interior do Estado.Até o momento, o Amazonas recebeu 207 profissionais e a expectativa é que esse número chegue a 600 até abril de 2014. “Com isso, conseguiremos atender 100% do Estado”, destacou Alves.

Entre as enfermidades mais comuns entre os indígenas estão desde malária, dengue, febre amarela, leptospirose, no período das cheia e secados rios amazônicos, até as diarréias agudas causadas pela falta de saneamento.“Além disso, há uma incidência grande das doenças urbanas, como obesidade,pressão alta e até as sexualmente transmissíveis, todas ocasionadas pela mudança de hábito através do convívio com o homem branco”, acrescentou o secretário.

Propostas para modificar as ações de saúde

Em Manaus, 212 delegados da etapa distrital da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (5ª CNSI) aprovaram 70 propostas para modificar a forma como o Governo Federal executa as ações de saúde junto às comunidades indígenas.

Devido a uma alteração regimental feita pelos participantes,Manaus envia o dobro de propostas que estava previsto. A argumentação é que durante a etapa local, nas aldeias, foram formuladas 622 propostas e seria difícil escolher “apenas” 35.

Entre as propostas aprovadas está o fortalecimento do controle social, por meio de garantias na legislação para ampliar o poder dos usuários do subsistema; a ampliação do quadro de profissionais do distrito; o reconhecimento da profissão de pajé e parteira, incluindo remuneração para este tipo de trabalho e parcerias com municípios e estados.

O DSEI Manaus atende a 25 mil índios de 35 etnias diferentes em um território que abrange 19 municípios.

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