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Sauim-de-coleira corre risco de desaparecer e precisa de medidas para combater a extinção

Primata, que foi símbolo de Manaus, é o mais ameaçado de extinção. Os dados foram apresentados na terça-feira (20) pelo coordenador do projeto “Sauim-de-Coleira” da Ufam, Marcelo Gordo, durante as comemorações do “Dia do Sauim” 20/10/2015 às 19:50
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“Qualquer perda de habitat (na RMM) causa impacto muito grande na população de sauins”, alertou Maurício Noronha
Silane Souza Manaus (AM)

Um dos principais desafios que as entidades ligadas ao meio ambiente têm para conservar as espécies ameaçadas de extinção, no Amazonas, é conseguir a adesão de uma consciência mais ecológica por parte de pessoas que no dia a dia não param para pensar nas questões ambientais. Tema este que, muitas vezes, é visto como “pedra no sapato” para o avanço da cidade, mas que é compatível, bastando apenas fazer alguns ajustes.

A avaliação foi feita na última terça-feira (20) pelo coordenador do projeto “Sauim-de-Coleira” da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcelo Gordo, durante as comemorações do “Dia do Sauim”. O evento realizado, ontem (20), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), reuniu representantes de diversas organizações da sociedade civil que discutiram alternativas para tirar os sauins do rumo  da extinção.

De acordo com Gordo, além desse, há vários outros desafios para conservar o sauim-de-coleira, uma das espécies mais ameaçadas de extinção do bioma Amazônia. Um deles é conhecer o primata.

“Apesar de todos os anos de pesquisas que viemos fazendo, precisamos conhecer ainda vários aspectos da biologia, da parte genética e sanitária, e sobre o quanto ele consegue resistir à fragmentação das florestas. O problema é que falta recurso financeiro para tocar essas pesquisas”, apontou.

Além disso, tem outra parte que é conseguir implantar as ações de conservação. Conforme ele, o ideal é ter ações com base científica e ter espaço para realizar as pesquisas, porém, nem sempre se consegue implementar as ações porque ou não tem a base científica ou não tem recurso para isso. “O primeiro passo é que haja uma parceria entre diferentes setores, no entanto, essa conversa não é sempre amigável, pelo contrário é bem desastrosa”, observou.

Para Gordo, uma vez que houver essa conversa de forma amigável será o momento de pensar na elaboração de projetos com o custo relacionado a minimizar os impactos ambientais embutido no orçamento da obra. “Países mais avançados nesse aspecto conseguem conciliar e embutir o custo ambiental no orçamento de grandes obras, pensando nos corredores ecológicos, na passagem de fauna e deixando espaço de floresta para a fauna e a flora”, declarou.

O professor revelou que o sauim só ocorre no Amazonas, em parte dos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, e que deve existir de 30 a 35 mil indivíduos nessa região, mas o problema é que essa população vem diminuindo ao logo dos anos de maneira relativamente rápida. “É uma quantidade muito pequena se considerar que essa distribuição geográfica coincide com uma área de grande expansão no entorno de Manaus, que está sendo altamente desmatada e fragmentada”, ressaltou.

Campanha vai invadir a internet

Na terça-feira (20), no “Dia do Sauim”, ocorreu o lançamento da campanha “Salve o Sauim”, que pretende obter, em uma petição on-line, 100 mil assinaturas de apoio à criação de novas Unidades de Conservação para o sauim-de-coleira. “O Sauim figura entre as espécies brasileiras mais ameaçadas de extinção e foi cotado para incluir a lista das 25 espécies de primata mais ameaçado do mundo”, afirmou o coordenador do movimento, Maurício Noronha.

O biólogo revelou que o Estado tem 24 Unidades de Conservação, mas apenas cinco possui tamanho adequado para a conservação da espécie. “Segundo estudo de viabilidade populacional desenvolvido pelo Plano Nacional de Conservação do sauim-de-coleira do Ministério do Meio Ambiente, nós precisaríamos de oito unidades com pelo menos 10 mil hectares cada uma. Hoje nós temos cinco, sendo três delas são campeãs de desmatamento”, salientou.

Conforme ele, a situação é dramática porque Manaus é uma cidade que não para de crescer, com isso, vai modificando todo o ecossistema florestal causando impacto para uma espécie que tem área de distribuição menor que a Região Metropolitana de São Paulo.

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