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Amazônia
Ciclo das águas

Seca dos rios dificulta navegação e isola comunidades no interior do Amazonas

Vazante dos rios da região dificulta a navegação e, como consequência, a chegada de alimentos e atendimentos de saúde 27/09/2016 às 05:00
Show purus
várias comunidades estão isoladas porque um longo trecho do rio Acre está muito baixo. Foto: Arquivo/ AC
Alik Menezes Manaus

A seca dos rios no Amazonas segue castigando ribeirinhos, isolando municípios, dificultando a navegação e até prejudicando  atendimentos de saúde. No município de Boca do Acre, por exemplo, onde foi decretada situação de emergência, várias comunidades estão isoladas porque um longo trecho do rio Acre está muito baixo.

Segundo o comerciante Jonny Souza, 55, a cidade está ficando desabastecida de alimentos. “A situação está preocupante. Muitas famílias estão com dificuldades porque não está chegando alimentos. Os barcos não conseguem navegar e muitas vezes encalham. Só as voadeiras e canoas conseguem passam, mas com dificuldade”, contou o morador.

O comerciante disse também  que até os atendimentos de saúde estão prejudicados. “Tem pessoas que adoecem e não tem como sair de casa para ir na cidade se tratar e os agentes de saúde também não conseguem ir ao encontro desses enfermos”, ressaltou.

Segundo a Defesa Civil de Boca do Acre, o rio Purus também não oferece boas condições de navegabilidade. Muitas embarcações encalham e a orientação é que os barcos não insistam em navegar.

No Sudoeste do Estado, no município de Envira, a situação continua precária. Segundo o conselheiro tutelar Gilsandro Paiva, 31, os barcos não conseguem acessar a cidade, o que dificulta a chegada de alimentos básicos. O produtos que chegam aos mercados e comércios  acabam muito rápido. A situação começa a preocupar os moradores.

“Ninguém ainda está passando fome, apesar de tudo acabar muito rápido, mas acredito que ainda deve ficar um pouco mais crítico quando o rio baixar ainda mais”, afirmou Gilsandro.

Segundo relatório do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), na Bacia do Purus, o nível do rio Acre subiu 47 centímetros na última semana, mas continua em situação de vazante extrema. O rio Purus está apenas 81 centímetros acima do nível recorde de 1998.

O rio Negro segue em processo de vazante, mas com níveis dentro da média para o período. Segundo o órgão de monitoramento, a maior intensidade da vazante ocorreu na semana passada, quando a média por dia foi de 20 centímetros.

Ainda segundo o relatório do CPRM, o rio Solimões e Amazonas também seguem com vazante dentro do esperado para o período. A vazante no Madeira é crítica. No município de Humaitá, o nível do rio encontra-se a 1,51 m acima da mínima histórica, que foi registrada no mês de outubro de 1969.

Análise das calhas

A Defesa Civil do Amazonas informou que ainda não iniciou ações em nenhum município e que está na fase de análise dos danos nas calhas. O órgão realizou visitas técnicas nos municípios de Envira, na calha do Juruá e Lábrea, na calha do Purus. Segundo a Defesa Civil, desde o início do mês de julho, quando entraram em Estado de Alerta, esses municípios apresentam problemas referentes à seca dos rios.

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