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Seca no Lago do Aleixo assusta e prejudica a vida dos moradores

Cenário, que até 20 dias era de abundância de água, agora tem embarcações, flutuantes e aviões encalhados na lama; o lago sumiu em pouco tempo, deixando rastro de muito lixo e pouco espaço para a saída dos peixes para o Rio Negro 27/10/2015 às 11:55 - Atualizado em 16/12/2015 às 13:55
Isabelle Valois

Até final de setembro, a travessia entre os bairros Colônia Antônio Aleixo e Puraquequara, Zona Leste, era feita por meio de catraia, voadeira e canoas pelo lago do Aleixo, mas em 20 dias de vazante a situação ficou diferente. Hoje, é possível fazer a travessia em menos de 10 minutos de caminhada. O fato é assustador para os moradores mais antigos, pois além de haver muitas embarcações,  flutuantes e até avião encalhados no meio da lama, o lago sumiu em pouco tempo, deixando um rastro de muito lixo e pouco espaço de habitat para os peixes.

O contraste é maior quando visto de alto. A mata divide a terra rachada ,onde estava o lago do Aleixo, e o rio Solimões. O que sobrou do lago virou lama e dentro desta lama é possível ver crianças, cachorros e pescadores que ainda tentam de alguma forma conseguir o complemento para um almoço.

Há pescadores preocupados por causa das canoas encalhadas na lama e buscam meios de retirá-las do local. Há barcos que só devem voltar às atividades com o retorno da cheia, mas a preocupação maior são dos moradores, pois a água do lago é responsável em abastecer alguns poços das comunidades da Colônia Antônio Aleixo.

O pintor de automóvel Maxwell Andrio de Oliveira Gomes, 38, nasceu e cresceu na Colônia e contou que esta foi a segunda fez que o lago desapareceu no período da vazante. A primeira vez ocorreu em 2010, quando houve a maior vazante do rio Negro. Naquele ano,  no dia 24 de outubro,  o rio atingiu a cota mínima de 13,63 metros.

“Esta é a segunda vez que vejo o lago sumir, mas nunca foi tão rápido. Todos foram pego de surpresa. Há canoas, embarcações e até flutuantes encalhados, e nem adianta tentar tirar do lago, pois não tem pra onde correr, não tem água nesta região, só passando da mata”, comentou o pintor.

Para a dona de casa Maria Almeida de Oliveira, 63, moradora de um flutuante dentro do lago do Aleixo,  um dos principais problemas e dificuldades que ela e a família estão tendo é com a falta de água para a higiene pessoal. “Estamos tendo que utilizar a própria água que bebemos e cozinhamos para tomar banho, está mais regrado do que antes. Sem o lago o freguês não vem, logo ficamos sem dinheiro. Fica complicado a nossa situação”, disse.

Entre as rachaduras da terra seca onde há 20 dias era dominada pelas águas do lago do Aleixo, nasce plantinhas. Ao pisar neste solo, a natureza emite um som estranho, como se algo estivesse quebrando ou se machucando. O pior é avistar além de muito lixo, peixes de várias espécie da nossa região mortos. A única esperança para esses moradores é que a água de cima comece a cair.

Pescaria de criança

Tubarão é nome do cachorro sem raça do estudante Lucas Nascimento, 12. O animal ganhou este nome nos últimos dias, quando começou a ajudar o dono  na pescaria junto com a meninada que mora nos flutuantes do Lago do Aleixo.

No que resta do lago a criançada usa um pedaço de cabo de madeira para movimentar o pouco da água que resta. A atividade faz com que o peixe pule dentro da água e fica mais fácil de o avistá-lo. É neste momento que o Tubarão corre e encurrala o peixe, os meninos lançam o cabo de madeira e conseguem pescar o animal.

Lucas ainda não entende da preocupação que os pais tem em casa com a falta da água. Para ele tudo que está acontecendo é novidade e o peixe, às vezes chega a ser a única refeição da família do estudante e de Tuburão.

Assim como Lucas, o borracheiro, Thiago Martins da Vila, 23, também aproveita a vazante do lado do Aleixo para buscar o almoço da família. Ele junto do amigo, Eduardo da Silva, por não conseguir um serviço ontem (21), foram para o lago tentar a sorte para levar o almoço de casa.

Com uma canoa emprestada do vizinho e entre lama e o que resta de água, os dois conseguiram pescar tucunaré, piranha e outros peixes. Cada nova unidade que entrava na canoa era uma nova comemoração.

“O lago sempre foi o meio de conseguirmos alimento. Quando não temos dinheiro, o jeito é pedir a canoa do vizinho emprestado e ir na sorte, agora sem a água fica meio difícil, muitos peixes morreram, espero que o lago não demore a encher”, disse Thiago.

Cota do rio

O rio Negro continua no período da vazantes. Ontem, o rio atingiu a cota de 16,84 após descer 23 centímetros, estando 3,21 metros acima da cota da vazantes histórica quando o rio atingiu 13,63 metros em 2010.

Recorde

No dia 21 de outubro de 2014, o rio Negro atingia a cota de 20,30 metros e havia descido 13 centímetros. Em 2010, ano da vazante história, o rio atingia a cota de 13,93 e descia 16 centímetros.

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