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Segundo dados do IBGE, mortalidade infantil ameaça mais os indígenas recém-nascidos

Dono do sexto maior índice do País de crianças que morrem antes de completar um ano de idade, o Amazonas tem na população infantil indígena o grupo mais vulnerável, aponta o IBGE 03/12/2015 às 09:47
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De acordo com a coordenadora estadual de Saúde da Criança, Katherine Benevides, o Amazonas tem um índice significativo de mortes entre as crianças indígenas nos 28 primeiros meses de vida, muitas vezes, em decorrência de desnutrição ou diarreia
Silane Souza Manaus (AM)

O Amazonas tem a sexta menor taxa de mortalidade infantil entre os Estados brasileiros e o Distrito Federal. A probabilidade de um recém-nascido no Estado não completar o primeiro ano de vida foi de 19,4 para cada mil nascidos vivos em 2014. Proporção acima da média nacional, que ficou em 14,4 óbitos. O menor índice de mortalidade das crianças menores de 1 ano foi encontrado no Espírito Santo: 9,6.

Os dados fazem parte da Tábua Completa de Mortalidade do Brasil de 2014, divulgada na última terça-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo apresenta as expectativas de vida às idades exatas até os 80 anos e é usado pelo Ministério da Previdência Social como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social.

O levantamento destaca que a mortalidade das crianças menores de 1 ano é um importante indicador da condição socioeconômica de uma região. De acordo com a coordenadora estadual de Saúde da Criança, Katherine Benevides, no Amazonas, o alto índice de mortalidade infantil ainda é relacionado à falta de saneamento básico, principalmente no interior do Estado.

“O Amazonas tem um componente muito significativo de óbitos entre as crianças indígenas, na fase neonatal, que compreende os 28 primeiros meses de vida da criança. Muitas vezes, a criança morre de desnutrição e diarreia. Doenças comuns na infância acabam matando. A nossa preocupação é reduzir essa mortalidade, principalmente nessas populações tradicionais e em especial as indígenas”, salientou.

Medidas

Katherine declarou que o Estado tem ampliado a política de redução da mortalidade infantil na região, com uma série de programas e estratégias em execução, que buscam assegurar uma atenção integral às crianças, com ênfase na primeira infância. Um exemplo são os atendimentos feitos por meio das Redes Cegonha e Amamenta e Alimenta Brasil, os Hospitais Amigos da Criança e da Mulher e o Método Canguru.

Também há um programa executado pelo Governo do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, que assegura aos bebês prematuros de alto risco portadores de cardiopatia cianogênica ou doença pulmonar crônica, o acesso ao Palivizumabe, medicamento biológico de alto custo, recomendado para a prevenção das infecções causadas pelo vírus sincicial respiratório.

Outra ação estratégica que vem sendo intensificada pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam), em parceria com as secretarias municipais de saúde e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), é o uso da ferramenta de teleconferências – por meio do Polo de Telessaúde – para capacitar e atualizar permanentemente os profissionais do interior do Estado na atenção ao recém-nascido.

Capacitação como estratégia

Trinta e três profissionais, entre médicos e enfermeiros que atuam em Distritos de Saúde Especial Indígena (DSEIs) no Amazonas, participam de um curso de capacitação sobre assistência neonatal. O evento, que integra as ações da estratégia de Atenção Integrada das Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), do Ministério da Saúde, começou ontem e segue até amanhã, na Maternidade Ana Braga, Zona Leste.

O pediatra neonatologista da maternidade Ana Braga, Jefferson Pereira Guilherme, relatou que, a cada dez crianças que nascem no País, sete morrem no período neonatal. Logo, não tem como diminuir essa taxa sem, primeiro, melhorar a assistência neonatal. “É um curso de imersão, dando atenção especial ao povo indígena, que acaba tendo uma mortalidade infantil maior que a média”, disse.

O curso está sendo ministrado por pediatras neonatologistas das secretarias estadual e municipal de Saúde (Susam e Semsa) e inclui estudos de casos clínicos, aulas práticas de procedimentos, como reanimação e transporte neonatal, e informações atualizadas sobre as principais patologias que afetam os recém-nascidos, como pneumonias congênitas, doença das membranas hialinas, icterícia, sífilis dentre outras infecções.

Participam da capacitação, profissionais da saúde de Rio Preto da Eva, Autazes, Careiro da Várzea, Beruri, Nova Olinda do Norte, Maués, Lábrea, Tapauá, Ipixuna, Envira, Jutaí, Atalaia do Norte, Manicoré, São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga, Carauari, Parintins, Itamarati, Eirunepé, Tefé e Manaus.

‘Vida mais longa’

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, a esperança de vida ao nascer no Brasil era de 75,2 anos para o total da população, um acréscimo de 3 meses e 18 dias em relação ao que havia sido estimado para o ano de 2013 (74,9 anos). Para a população masculina, o aumento foi de 3 meses e 25 dias. Já para as mulheres, o “ganho” foi um pouco menor: 3 meses e 11 dias.

Em números

19,4 indivíduos, em cada grupo de mil nascidos vivos no Amazonas, em 2014,  morreram antes de completar o primeiro ano de vida, de acordo com a Tábua de Mortalidade do IBGE. O índice registrado no Amazonas está acima da média nacional, de 14,4 óbitos para cada grupo de mil nascidos vivos, o que colocou o Amazonas na sexta posição no ranking de mortalidade infantil no País. O menor índice é do Espírito Santo: 9,6.


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