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Serpentário ‘regional’ do Museu da Amazônia deve ser inaugurado em junho, em Manaus

Ciência e Meio Ambiente: Musa inaugura no próximo dia 10 de junho um espaço dedicado às cobras e serpentes típicas da região 24/05/2015 às 15:58
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Funcionário do Serpentário, Rodrigo Hidalgo
Adália Marques Manaus (AM)

Eles são temidos por alguns, mas exóticos e atraentes para outros. Os animais peçonhentos, a partir do dia 10 de junho, terão um lugar só para eles, onde poderão ser admirados por estudantes, pesquisadores, turistas e curiosos: o serpentário do Museu da Amazônia (Musa), que vai reunir 22 exemplares de cobras e serpentes típicas da região.

Segundo o monitor de trilhas do Musa, Rodrigo Moraes Hidalgo, 23, o serpentário surgiu de uma parceria com a Fundação de medicina Tropical do Amazonas (FMT). As instituições firmaram um convênio, em que o museu cedeu o espaço e, em troca, a Fundação cedeu as serpentes para que o público pudesse conhecer. No espaço, que ainda está sendo preparado, serão instalados painéis de identificação das espécies e outras curiosidades, como as diferenças entre as presas de cada animal.

“É preciso levar o conhecimento ao público, muita gente tem medo, mas vale esclarecer: as cobras não são todas venenosas. Animal venenoso é aquele que consegue injetar a presa e liberar toxina, e algumas cobras, não todas, conseguem fazer isso. Mas só faz isso para se defender, ou porque alguém passou muito perto, ou porque foi pisada”, explicou.

A vendedora Lacilene Lima, 28, contou que foi picada por uma cobra jararaca na adolescência, quando  morava na comunidade do Murumurutuba, no Careiro da Várzea. Ela lembrou que estava caminhando no campo quando pisou na cobra e sentiu a picada no calcanhar. Ela foi socorrida de imediato e não ficou com marcas, exceto a psicológica: até hoje ela tem pavor de cobras.

Visitantes

O casal de aposentados Carmem Freitas, 57, e Valdir Freitas, 57, é natural da cidade de Santos e, pela terceira vez, escolheu o Amazonas para aproveitar as férias. E, como em todas as outras viagens, eles visitaram o Musa, um dos locais preferidos dos turistas em Manaus.  Segundo Valdir, quem mora em outros Estados tem uma grande curiosidade em relação à Amazônia, por ouvir  histórias dos animais e da floresta.

“A gente gosta do calor daqui e sempre indicamos o Musa como ponto turístico para os amigos. Há uma grande curiosidade no nosso Estado sobre a fauna e flora da região, mas depois dessas visitas guiadas ao Musa já posso falar sobre o assunto e esclarecer algumas dúvidas”, brincou.

Para  Carmem, o contato com a natureza é essencial, mas falta coragem para ver as serpentes  de perto. E ela não é a única. A dona de casa Valdeneide Gomes, 42, “treme” só de ouvir falar em cobra. Ela afirma que tem pavor do animal e sequer conseguiu assistir ao filme “Anaconda” junto com as filhas. “Quando alguém quer me pregar susto, basta dizer que tem uma cobra por perto”.

Para completar a situação, Valdenice mora no Município de Careiro da Várzea, onde, neste período da enchente, a presença de cobras aumenta. “É como estar em um filme de suspense, fico o tempo todo em alerta”, contou.

Gigantes da água entre as atrações

Entre as espécies expostas no serpentário estão duas bastante comuns em épocas de cheia dos rios: as jiboias e sucuris. O monitor do Musa Rodrigo Hidalgo, 23, conta que essas espécies são comumentes encontradas nesta época por serem animais de hábitos aquáticos. “Essas serpentes, principalmente a sucuri, sai em busca de comida, como galinhas, jacarés, cutias e capivaras. As cobras buscam abrigo debaixo das casas ou entre escombros, por  gostarem de lugares escuros”.

Ainda segundo o monitor, as jiboias podem chegar a até 4 metros e, a sucuri, 9 metros de comprimento. O medo de muita gente, de acordo com ele, é justificado: as cobras costumam se camuflar ente folhas, caules e até na terra para se protegerem dos predadores e como técnica de disfarce para as presas. “E muitas vezes acabam surpreendendo os humanos”, revelou.

Mais de 300 acidentes por ano no AM

Desde a implantação do Programa Nacional de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, em 1996, foram registrados mais de 90 mil casos de pessoas picadas por cobras em todo o País. Em torno de 30% deles foram causados por serpentes dos gêneros Bothrops, Crotallus, Lachesis e Micrurus, conhecidas popularmente como jararaca, cascavel, surucucu e coral, respectivamente.

No Amazonas ocorrem entre 300 e 500 casos por ano, 70% causados por jararacas, surucucus e corais. As jararacas, no entanto, são as “líderes” de acidentes, concentrando 95% dos registros no Amazonas. Em 2014, até o mês de abril, foram  notificados 121 casos. 

Os acidentes com animais peçonhentos, especialmente a jararaca, costumam aumentar no período da cheia, sofrendo um ápice a partir de novembro. 

Os especialistas orientam que as vítimas de acidentes ofídicos com serpentes devem ser socorridas, mantidas em posição confortável e conduzidas o mais rápido possível a uma unidade de saúde. Não se deve cortar, dar bebidas (alcoólicas ou não), usar torniquetes, assim como aplicar qualquer substância ou sugar o local de inoculação.  

O tratamento mais eficaz é o uso do soro antiofídico, que só deve ser administrado em ambiente hospitalar, pois podem ocorrer complicações como infecção secundária, insuficiência renal, inchaços, problemas de circulação sanguínea e necrose. Se possível, é indicado levar o animal para identificação do soro específico.

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