Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
Defesa Civil

Estiagem já prejudica população dos rios Purus, Juruá e Madeira

Chuvas nas cabeceiras de grandes e importantes rios da bacia Amazônica traz preocupações



be485966-b2c3-451a-b46b-829380a6a3b5.jpg Em Humaitá o rio está próximo de atingir nível da vazante recorde (Foto: divulgação Defesa Civil do Amazonas)
12/08/2016 às 13:54

A falta de chuvas que afeta as calhas dos rios Purus, Juruá e Madeira, no Amazonas, começou a prejudicar  a população. Dificuldades de navegação e desabastecimento de água foram registrados nos municípios de Ipixuna, no Juruá, e Apuí, no Madeira,  de acordo com a Defesa Civil do Estado. 

Ontem, o órgão emitiu “estado de alerta” para quase todos os municípios da calha do Madeira. Esse é o segundo estágio de um desastre, que pode evoluir para uma “situação de emergência”. Os municípios das calhas do Purus e Juruá se encontram nesta fase há aproximadamente uma semana.

Conforme a Defesa Civil de Ipixuna, 215 famílias de 17 comunidades próximas a rios secundários estavam com dificuldades de navegação. Um trabalho de remoção de troncos de madeira foi feito para o restabelecimento do tráfego. Agora, outras comunidades localizadas próximas aos rios Liberdade, Açaituba e Gregório apresentam o mesmo problema, mas sem isolamento.

Em Apuí, de acordo com a Defesa Civil Municipal, três dos nove bairros do município, que estão com o abastecimento de água comprometido, estão sendo atendidos com carros-pipa.

O secretário executivo da Defesa Civil do Amazonas, Fernando Pires Júnior, informou que o órgão está orientando as prefeituras quanto aos procedimentos preparatórios de resposta para um possível agravamento do problema. 

No Madeira, entraram em “estado de alerta” os municípios de Humaitá, Manicoré, Apuí e Novo Aripuanã. Na avaliação do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil do Estado (CEMOA), a situação dessa calha, que está em período de estiagem natural, foi potencializada por uma massa de ar seco que inibiu a ocorrência de chuvas nessa região. O órgão tem como base os dados oficiais do Sistema de Proteção da Amazônia.

Conforme Pires Júnior, na próxima semana, a Defesa Civil do Amazonas enviará três equipes  para avaliação do cenário no Juruá, Purus e Madeira.

Recordes à vista em municípios de referência

Em Boca do Acre, município de referência do Purus, a vazante recorde ocorreu  em 1998, quando o nível do rio chegou a 3,49 metros. Para alcançar o mesmo registro de 18 anos atrás, faltam 95 centímetros, isso por que hoje o rio está medindo 4,44 metros.

Já em Guajará, cidade referência para os demais municípios da calha do Juruá, o nível do rio hoje é de 2,51 metros. A maior estiagem registrada foi em 1995 quando chegou a 2,20 metros. A comparação dos dados mostra que faltam 31 centímetros para atingir a cota histórica de estiagem.

Impacto negativo no transporte fluvial

Ontem, o rio Madeira atingiu nível de 2,62 metros em Porto Velho (RO). A cota é a menor registrada no mês de agosto nos últimos 10 anos. No ano passado, no mesmo período, o Madeira estava com 6,75 metros. O nível baixo nível  tem gerado restrições para navegação fluvial entre Porto Velho (RO) e Humaitá, no Amazonas. Houve suspensão da navegação noturna de comboios de embarcações em trecho do rio situado em Rondônia.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma), o baixo nível das águas do rio Madeira tem causado impactos negativos no transporte de passageiros em barcos, mas o reflexo é maior no transporte de cargas. “O tempo de viagem aumentou e as empresas de navegação precisam reduzir em torno de 30% da capacidade de cargas transportadas nas embarcações para continuar navegando”, disse em nota.

Conforme o Sindarma, em média, o tempo de viagem pelo rio Madeira de Manaus a Porto Velho era de quatro dias, mas as embarcações agora navegam até sete dias para cumprir o trajeto. No sentido oposto (Porto Velho-Manaus), que antes era de oitos dias, passou para 15 dias o tempo de viagem.

O Madeira é um dos principais corredores logísticos do país e integra o Arco Norte. Pela hidrovia do rio ocorre o escoamento da produção agrícola, principalmente soja e milho de Mato Grosso e Rondônia, e insumos como combustíveis e fertilizantes, com destino a Porto Velho e Manaus. Além de alimentos e produtos produzidos na Zona Franca de Manaus (ZFM).

No entanto, o Sindarma acrescentou que ainda não há previsão de desabastecimento em Manaus e nem de aumento de frete. O custo da viagem existe, mas está sendo absorvido pelas empresas de transporte. Ainda não há repasse para os clientes e para o valor da mercadoria.

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