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Símbolo de Manaus, o Sauim-de-coleira encanta vizinhos das matas que lutam para salvar a espécie

Tão necessário que uma grande mobilização está sendo feita para salvar o primata, afinal de contas, Manaus, sem o sauim, não será a mesma. 23/10/2015 às 17:14
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A espécie é um dos mamíferos com a menor área de distribuição no bioma Amazônia
Luana Carvalho Manaus (AM

Ameaçado de extinção, o macaco de porte pequeno, cara preta, corpo marrom e ‘coleira’ branca é um dos ícones da cidade de Manaus. O sauim-de-coleira representa mais qualidade de vida aos habitantes da capital, além de prestar serviços ambientais importantíssimos. Tão necessário que uma grande mobilização está sendo feita para salvar o primata, afinal de contas, Manaus, sem o sauim, não será a mesma.

A ajuda vem de todas as partes: biólogos, ambientalistas e moradores de Manaus, verdadeiros apaixonados pela espécie. Como exemplo, a técnica em eletrônica Suelen Fonseca, que recebe visitas diárias de uma família de sauins em sua casa.  Ela mora no bairro Nova Cidade, Zona Norte, onde defende um framento florestal que restou das obras da avenida das Torres. 

Suelen entende que a aproximação entre humanos e animais silvestres não é recomendada, mas como a oferta de alimentos se tornou escassa na região, ela oferece frutas e até água aos animais, principalmente neste período, onde a falta de chuvas, fumaça e calor intenso têm dificultado a sobrevivência dos sauins. 

“Devido ao enorme calor e à falta de chuvas, os sauins-de-coleira estão dependendo de  ajuda até para beber água.  Me informaram certa vez que eles bebem a água que se acumulam em bromélias e outros tipos de vegetação, mas diante de tanto calor acho que eles não conseguem saciar a sede”, escreveu, angustiada, em uma publicação no Facebook. 

O mesmo sentimento é compartilhado pela médica Graça Mateus, que mora no bairro Parque 10, Zona Centro-Sul, próximo a um fragmento florestal que abriga uma família de sauins. “É  importante que a gente lute para preservar esta espécie. Eles correm o risco de desaparecer por conta da ação humana, e isso seria muito injusto”, desabafa. 

Biólogo e coordenador da campanha “Salve o Sauim”, Maurício Noronha explica que o sauim-de-coleira, ou sauim-de-Manaus, como também é conhecido, é uma espécie ‘bandeira’. “Conservando esta espécie, estamos conservando toda a biodiversidade e todo o ecossistema florestal que existe dentro dessas áreas com ocorrências de sauins”. 

‘Tesouro local’

O biólogo ressalta que o macaco influência, principalmente, em questões climáticas, por conta da preservação dos blocos florestais. “Os sauins são tesouros para a nossa e para gerações futuras. Hoje a gente vive uma onda de calor insuportável. Tendo as florestas dos sauins ao redor, teremos uma melhora na temperatura da cidade”.

Além disso, as florestas também conservam mananciais hídricos. “Onde tem florestas e sauins, as pessoas são mais felizes. Isso não significa ser contra o progresso, muito pelo contrário, é melhorar a qualidade de vida da sociedade. Conservando o sauim, a gente conserva um patrimônio genético, que é nossa biodiversidade”, ressalta. 

O biólogo conta, ainda, que na capital só existem micro fragmentos para a espécie, daí a importância de manter os blocos florestais preservados e transformá-los em Unidades de Conservação, que é o principal objetivo da campanha. “Se a gente perder o sauim, não vamos perder somente um patrimônio da biodiversidade, mas uma parte das nossas raízes culturais”. 


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